Como Brasil, América Central também enfrenta invasão de gafanhotos

Guatemala, El Salvador, México e Belize são alguns dos países que enfrentam, como o Brasil, ataques de gafanhotos “peregrinos” que preocupam as autoridades. Mesmo se não representam um risco direto para seres humanos ou animais, esses insetos colocam em perigo a segurança alimentar e econômica da região, bastante dependente da agricultura.

Em El Salvador, as autoridades mobilizaram drones e outros equipamentos de controle manual em El Havillal, a cerca de 160 km a leste da capital. "Houve uma praga de 'Schistocerca piceifrons piciefrons' e temos que detê-los antes que proliferem", disse esta semana Jorge Díaz, agrônomo que lidera a luta contra os insetos que ameaçam a agricultura da América Central. Com a fumigação "o que estamos evitando é que os gafanhotos se juntem e formem uma nuvem", explicou Díaz.

Os insetos atacam lavouras de grãos e cerca de 400 espécies de plantas, e se tornaram assunto nos mais altos escalões do poder na região. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ordenou no sábado (18) que a Força Aérea alistasse aviões e helicópteros para combater a praga, se necessário. El Salvador também desenvolve o controle biológico com base em um fungo que "adoece os gafanhotos", explicou Medardo Lizano, funcionário do Ministério de Agricultura do país.

A Organização Regional Internacional de Saúde Agrícola (OIRSA) também detectou pragas similares na península mexicana de Yucatán, Belize e Guatemala. Segundo Rosa Amelia Martínez, funcionária da entidade, a situação ainda "está em uma fase controlável, mas sem medidas imediatas, pode se tornar uma ameaça maior”.

Em entrevista à RFI, Efrain Medina, diretor do Organismo regional contra doenças de plantas e animais afirma que o ataque é “devastador”. Ele explica que os insetos atacam os pastos, as plantações de milho, feijão, legumes e árvores frutíferas e destroem “tudo o que encontram pelo caminho”.

No entanto, Medina afirma que a situação está sendo controlada aos poucos. O que pesa a favor das autoridades da região é que a praga se encontra em estado de "ninfa", fase inicial que facilita o controle do inseto, pois tem menos mobilidade e não pode voar. “É mais fácil controlar os gafanhotos nesse momento, pois eles ainda são jovens e não voam direito. Então poderia ser muito mais grave. Quando se formam, essas nuvens podem se movimentar a uma velocidade de 150 km por dia”, avalia.  

A proliferação dos insetos na região se deve a condições climáticas favoráveis, após as tempestades tropicais Amanda e Cristóbal, entre maio e junho. A América Central, com cerca de 50 milhões de habitantes em 520.000 km2, sofreu sérios danos econômicos durante séculos devido a invasões de gafanhotos.

(Com informações da AFP)