As cinco manifestações do coronavírus na pele

Academia Espanhola de Dermatologia identifica os sintomas cutâneos da infecção



EMILIO DE BENITO / EL PAÍS
Madri - 30 ABR 2020

Está cada vez mais claro que o coronavírus se manifesta para além de uma pneumonia. Até cinco manifestações cutâneas diferentes foram associadas ao vírus por uma equipe da Academia Espanhola de Dermatologia e Doenças Venéreas (AEDV) liderada por Cristina Galván Casas. Além disso, a equipe encontrou uma relação entre o tipo de complicação dermatológica e a gravidade da contaminação pela covid-19. O artigo foi publicado no British Journal of Dermatology.

O trabalho reuniu durante duas semanas informações de 375 pessoas diagnosticadas com covid-19, por atenderem a critérios clínicos ou por confirmação em laboratório, e que apresentavam alterações cutâneas concomitantes (que aparecem ao mesmo tempo) sem uma causa conhecida. Além de coletar informações sobre seu estado de saúde, cada caso também foi fotografado.

Estes são os cinco padrões de manifestações cutâneas, de acordo com a AEDV:

Erupções similares a geladuras nas áreas acrais (pés e mãos)
Este tipo de lesão foi detectado em 19% dos casos, em pacientes mais jovens, nos estágios finais do processo da covid-19, com duração de 12,7 dias, e estava associado a um prognóstico menos grave.


Erupções vesiculares
Foram observadas em 9% dos casos e estão associadas a uma gravidade intermediária. São mais frequentes em pacientes de meia-idade.







Lesões urticariformes
Foram registradas em 19% dos casos, principalmente no tronco ou espalhadas pelo corpo. Geralmente produzem uma coceira intensa. Foram observadas em pacientes mais graves e apareceram com mais frequência ao mesmo tempo de que outros sintomas relacionados à covid-19.

Erupções máculo-papulares
São as mais frequentes (foram observadas em 47% dos casos). Seu quadro é frequentemente semelhante ao de outras infecções virais. Foram observadas em pacientes mais graves.


Livedo-reticularis ou necrose por obstrução vascular
Foi encontrada em 6% dos casos. São marcas na pele parecidas com uma rede, no passado eram comuns por causa do uso de braseiros. Aparecem em pacientes de mais idade e mais graves (nesse grupo foi registrada uma mortalidade de 10%).

“Observamos um gradiente de doença, de menos grave nos casos em que havia pseudo-geladuras, a mais grave em pacientes com lesões livedo-reticularis, que apresentavam mais casos de pneumonia, internações hospitalares e necessidade de atendimento em UTI”, aponta Ignacio García-Doval, diretor da Unidade de Pesquisa da AEDV.

Este trabalho está alinhado com outros que apontam que existe uma série de manifestações da infecção por covid-19 para além de tosse, febre e falta de ar (diarreia, inflamação nos olhos, dor de cabeça, calafrios) e que é preciso monitorá-las para detectar os infectados o mais rápido possível.