França aceita ajuda de médicos cubanos para lutar contra a Covid-19 nas Antilhas Francesas

O governo francês aceitou o envio de médicos cubanos para colaborar no atendimento de pacientes da Covid-19 nos departamentos ultramarinos do mar do Caribe. O reforço é bem-vindo pelos médicos das Antilhas Francesas, principalmente por levar ajuda a áreas consideradas como "desertos médicos". Para Cuba, a pandemia do novo coronavírus é uma ocasião adicional de promover sua medicina de padrão internacional.

Depois da Itália, França aceita ajuda dos médicos cubanos. REUTERS - Alexandre Meneghini

Domitille Piron, correspondente da RFI em Havana
A França tem 666 casos de coronavírus diagnosticados em seus territórios no exterior e cerca de dez mortes. De acordo com o decreto publicado pelo governo, os médicos cubanos vão atuar nas ilhas de Martinica, Guadalupe, Saint-Pierre-et-Miquelon e também na Guiana Francesa, todas afetadas pelo coronavírus.

A senadora da Martinica, Catherine Conconne, ficou satisfeita que sua proposta tenha sido aprovada por decreto. “Os médicos cubanos vão reforçar as equipes de nossos hospitais universitários. Faltam especialistas em algumas áreas e temos dificuldade em atrair médicos europeus para a região. Esta alteração na legislação nos permite buscar recursos nas relações fraternas que mantemos com os cubanos, aqui ao lado. Então, para mim, é uma vitória, uma grande alegria. Que este decreto venha em meio à crise do coronavírus é muito bom", disse a senadora à reportagem da RFI.

Cubanos estão presentes em 38 países contra o coronavírus

Cuba tem o dobro de médicos por habitante do que a França. Com a colaboração dos profissionais enviados por Havana, as autoridades francesas poderão atenuar a pressão da demanda nos "desertos médicos" do Atlântico. "Ir aonde ninguém quer praticar a medicina" é o lema das missões médicas cubanas.

Atualmente, a ilha está enviando suas brigadas de jaleco branco para 38 países, a fim de combater a epidemia do novo coronavírus. Na Europa, Itália e Andorra já aceitaram a ajuda cubana.

Em Havana, o governo foi desafiado pelos críticos da "escravidão" de seu sistema de intercâmbio de médicos e pela retirada de seus profissionais dos países latino-americanos governados pela direita. Agora, as autoridades têm a ocasião de colocar em prática o princípio de solidariedade que norteia o sistema de saúde cubano. Em 2014, durante a epidemia do vírus Ebola na África, os médicos cubanos já deram um apoio crucial para controlar a doença.