Entenda por que Alemanha registra baixo número de mortos vítimas de Covid-19

A Alemanha, como o resto do mundo, assiste a um aumento exponencial do número de novas contaminações com a Covid-19. No entanto, o país registra um dos mais baixos índices de mortalidade, comparado com seus vizinhos. A política de aplicação de testes na população é uma das explicações para esses números.

Homem usando roupa de proteção é fotografado em Dresde, na Alemanha, onde a população respeita a "distância social" mesmo sem risco de multa, como acontece nos vizinhos europeus. © Reuters / Matthias Rietschel


Pascal Thibaut, correspondente da RFI em Berlim
A chanceler alemã Angela Merkel agradeceu neste sábado (28) a disciplina de seus compatriotas, que vêm respeitando as medidas para evitar a propagação do coronavírus no país. “Quando eu vejo hoje como praticamente todos mudaram seus comportamentos, como a grande maioria evita qualquer contato (físico) inútil que possa representar um risco de contaminação, eu gostaria simplesmente de dizer: obrigada, obrigada do fundo do coração”, declarou a chefe do governo em seu podcast semanal.

Merkel também disse que as medidas impostas, como fechamento de escolas, comércio e várias empresas devem continuar. “Infelizmente, o número de novas infecções não nos dá razões para aliviar essas regras”, ponderou a chanceler.

Quase 50 mil contaminados e 325 vítimas fatais

Isso porque, mesmo se a chefe do governo celebra a boa conduta do povo alemão, que respeita as regras de distância social sem que Berlim tenha imposto sanções para os que não seguem o confinamento, como acontece na França e na Itália, por exemplo, o número de novos casos continua crescendo. Segundo balanço divulgado pelo Instituto Robert-Koch, a autoridade federal da saúde, a Alemanha registrava neste sábado 48.582 pessoas contaminadas, o que representa 6.294 a mais do que na véspera.

Mas os alemães podem se orgulhar de uma coisa: mesmo se 325 vítimas fatais foram registradas até agora, as progressão do número de mortos é bem mais lenta que nos vizinhos europeus.

“Se nós temos tão poucos mortos com relação ao número de pessoas infectadas, isso se deve também ao volume de testes efetuados. Meio milhão por semana”, anunciou na quinta-feira (26) o especialista em virologia Christian Drosten, uma referência no país. Ao contrário da França, onde apenas são testados aqueles que apresentam sintomas avançados ou que já estão hospitalizados, na Alemanha os testes são realizados em massa, inclusive em quem apresenta apenas os primeiros sintomas e não faz parte dos chamados grupos de risco.

Segundo um documento do ministério alemão do Interior, divulgado pela imprensa na sexta-feira (27), essa estratégia deve se acelerar, alcançando, até final de abril, uma média de 200 mil testes por dia. Com essa medida, Berlim se aproxima da política adotada pela Coreia do Sul, que testa a população até nas ruas. Os defensores desse método explicam que essa é a melhor maneira de saber quem está infectado em um momento em que o vírus ainda está em seu período de incubação, mas que já pode contaminar outras pessoas. A empresa Bosch informou esta semana que já está preparando, para abril, um método de teste ainda mais simples, que permite a obtenção dos resultados em menos de três horas.

As medidas aplicadas até agora já fizeram com que o país, que já é proporcionalmente o que mais faz testes de Covid-19 no mundo, alcançasse um índice de mortalidade de 0,5%. Na Itália, a taxa é de cerca de 10%.

Infraestrutura hospitalar

Desde de janeiro, o hospital da Caridade de Berlim, onde trabalha Christian Drosten, havia informado a todas as instituições de saúde do país sobre os métodos de produção dos testes do novo coronavírus. Essa tomada de consciência precoce fez com que os hospitais pudessem se preparar para enfrentar a epidemia.

Além disso, os alemães beneficiam de uma infraestrutura médica que tem feito a diferença na luta contra a pandemia. A Alemanha é um dos países europeus com o maior número de leitos nos hospitais para pacientes que precisam de cuidados intensivos e assistência respiratória. Segundo o presidente da federação de médicos, 30 mil lugares para esses casos já existem e este número deve ser dobrado. Além disso, todas as operações que não tiverem uma necessidade vital foram adiadas.