Irã entra em pânico com multiplicação de casos de coronavírus

O número de vítimas de coronavírus no Irã continua a aumentar. Nesta terça-feira (25), três novas mortes foram registradas e o ministro da Saúde confirmou que ele próprio estava infectado com o vírus. A população preocupada denuncia a falta de antecipação e a má administração de um governo no qual não confia mais.

O número de mortes pelo novo coronavírus no Irã é o segundo maior, depois da China continental. REUTERS


Sara Saidi, correspondente da RFI em Teerã

Diante do repentino aumento do número de casos de coronavírus no Irã, as autoridades decidiram neste fim de semana cancelar qualquer reunião cultural, conferências e congressos no país. Os jogos da liga iraniana também estão sendo adiados e o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianoush Jahanpour, anunciou que universidades e institutos em quatorze províncias estarão fechados até o final da semana. Medidas que, para os iranianos, chegam muito tarde: “A ocultação do coronavírus no Irã será a Chernobyl da República Islâmica? Saberemos nos próximos dias",tuitou, não sem ironia, um usuário em 21 de fevereiro.

Muitos se perguntam sobre a falta de antecipação do governo: "Por que o Ministério da Saúde não antecipou a disseminação do coronavírus, equipando o país com laboratórios especializados? “, escreve um iraniano nas redes sociais.

Outros se referem à mentira que se seguiu ao acidente do Boeing 737 da Russian Airlines International, abatido pela Guarda Revolucionária em janeiro: "A novidade é deixar as pessoas morrerem e dizer: Nós acabamos de descobrir!", disse um internauta indignado.

Finalmente, uma médica afirma no Twitter que os primeiros casos de coronavírus apareceram há várias semanas: "É importante que todos saibam que o coronavírus já teve sua primeira vítima há três semanas no Irã, mas não temos mais do que 30 kits de teste. Compramos alguns da Alemanha, mas por causa das sanções, eles não chegaram até nós. Foi somente após a morte de um veterano de guerra cujo irmão era médico que usamos o primeiro kit (...) ", explica.

Teerã ficará em quarentena se o número de casos aumentar

Vários países fecharam suas fronteiras com o Irã, incluindo a Turquia, na segunda-feira (24), com o aumento do número de casos. "Se o Irã tivesse colocado em quarentena a cidade de Qom, não haveria necessidade de fechar as fronteiras", disse o ministro da Saúde turco, Fahrettin Koca.

De fato, localizado a 150 km a sudoeste de Teerã, acredita-se que Qom seja o epicentro da doença. No entanto, na cidade, apenas um hospital está em quarentena.

Os iranianos não entendem a negligência das autoridades: "Por que os vôos da China não foram interrompidos? Por que você notificou tarde a população? Por que você não colocou Qom em quarentena?", pergunta um deles. “As lojas de Qom estão quase todas fechadas, o mercado é muito tranquilo, as pessoas ficam em quarentena em casa. Eu nunca tinha visto a cidade tão vazia ", descreve um internauta.

Amir Abadi, deputado da cidade, admitiu que os enfermeiros não têm o equipamento necessário. Ele também pediu que a cidade fosse colocada em quarentena. Finalmente, ele afirma que o vírus teria matado 50 pessoas apenas na cidade santa. Um relatório negado pelo Ministro da Saúde, que fala de 16 mortos e 61 casos no total.

Em Teerã, o presidente do conselho municipal, Mohsen Hashemi Rafsanjani, anunciou que a capital ficará em quarentena se o número de vítimas aumentar. Enquanto isso, o medo é palpável: "Se eu tivesse que descrever em uma palavra a atmosfera de Teerã, esta cidade assustada, meio extinta, cheia de rostos mascarados, diria" apocalipse", diz um iraniano.


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