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sábado, 23 de novembro de 2019

Benjamin Netanyahu: o fim de um reinado?

Seria este o fim da era Benjamin Netanyahu em Israel? O indiciamento por corrupção do primeiro-ministro de Israel no exato momento em que os deputados devem decidir quem será o próximo chefe de governo pode precipitar o fim do reinado de "Bibi" - estimam analistas.


Apoiadores de Benjamin Netanyahu prestam solidariedade em frente à sua casa, após o anúncio do indiciamento, em 21 de novembro de 2019. REUTERS/Ronen Zvulun

Pela primeira vez em sua história, Israel acorda com um primeiro-ministro indiciado. E por corrupção, quebra de confiança e malversação em três casos diferentes, o pior cenário para Benjamin Netanyahu desde que a Justiça começou a investigá-lo.

Nos bastidores, alguns acreditam que o procurador-geral Avichai Mandelblit iria arquivar algumas acusações, ou mesmo todo o caso contra Netanyahu, no poder há dez anos sem interrupção.

Na quinta-feira, porém, o procurador-geral o indiciou por todas as acusações possíveis. No curto prazo, é o poder de Benjamin Netanyahu, líder do partido de direita Likud, que é questionado.

Por quê? Netanyahu não conseguiu convencer 61 parlamentares, a maioria necessária para formar um governo após as eleições de abril e de setembro. Seu rival, o centrista Benny Gantz, também falhou nessa tarefa, e o presidente israelense Reuven Rivlin teve de confiar a tarefa ao próprio Parlamento.

"O fim é claro"

Nas próximas três semanas, os parlamentares deverão, portanto, escolher entre encontrar um novo primeiro-ministro capaz de conquistar uma maioria, ou levar o país à terceira disputa eleitoral em menos de um ano.

"Independentemente de questões morais e legais, a situação política do primeiro-ministro é dolorosamente clara: suas chances de chegar a 61 assentos são quase inexistentes, assim como suas chances de formar um quinto governo", diz Amit Segal, comentarista de direita no jornal "Yediot Aharonot".

"O fim está claro. A questão agora é o quão acidentada será a estrada", escreveu Yehuda Yifrah, comentarista do semanário "Makor Rishon", também de direita. Benny Gantz, ex-chefe do Exército, que cobiça o cargo de primeiro-ministro, pediu a "demissão" de seu grande rival após seu indiciamento.

Alguns dos principais aliados do premiê garantiram que vão continuar a apoiá-lo, destacando que ele ainda não foi declarado culpado. Entre eles, o ministro da Educação, Rafi Peretz, do partido de direita "Lar Judaico", e o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, e a ministra da Cultura, Miri Regev, militantes do Likud.

Já no início da próxima semana, o futuro político de Netanyahu estará em risco, porque a lei israelense proíbe que um ministro, e não o primeiro-ministro, permaneça no cargo se for acusado.

No entanto, além do cargo de primeiro-ministro, em suspenso até as deliberações dos deputados, Netanyahu acumula as pastas da Agricultura, Saúde, Assuntos Sociais e Diáspora, das quais provavelmente terá que sair.

"Investigar os investigadores"

Mestre na arte da sobrevivência política, Benjamin Netanyahu, de 70 anos, prometeu "não desistir", denunciando um "golpe" da Justiça. Ele pediu que "se investigue os investigadores", assim como a mobilização de seus apoiadores, enquanto uma manifestação anti-Netanyahu está programa para hoje em Tel Aviv.

Já nesta sexta (22) à tarde, declarou-se disposto a aceitar a sentença judicial, em um vídeo divulgado on-line. "Aceitaremos as decisões do tribunal, que não haja dúvida", declarou Netanyahu, reiterando que "agiremos conforme o Estado de Direito".

(Com informações da AFP)