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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Analistas ouvidos pelo Le Figaro incitam líderes do Brics a explorar grande potencial do grupo

O jornal Le Figaro desta quinta-feira (14) destaca a XI Cúpula do Brics em Brasília.José Paulo Lacerda


Diversos especialistas franceses foram ouvidos pelo jornal Le Figaro para opinar sobre o Brics, no momento em que Brasília sedia a décima-primeira reunião de cúpula do grupo.

O seleto clube de cinco países emergentes, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, está mais heterogênio do que nunca do ponto de vista econômico, mas permanece complementar e tem interesses em comum para compartilhar, dizem três analistas franceses ouvidos pelo Figaro.

Para Jean-Joseph Boillot, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas de Paris (Iris) e especialista na Índia, o encontro que termina nesta quinta-feira (14) vai servir para incrementar as trocas comerciais entre os países do sul. "As oportunidades na África são atraentes para todos os emergentes", destaca este professor de economia, vendo uma interação entre cada membro do grupo de acordo com suas especificidades: a Rússia se distingue na área de segurança, o Brasil é uma potência agroalimentar e a Índia se posicionou no setor de serviços.

O chefe economista da seguradora de crédito Euler Hermes, Ludovic Subran, vê um grande potencial a ser explorado nas trocas comerciais intra-Brics, que ainda não decolaram. As barreiras alfandegárias adotadas pelo Brasil e a Índia para proteger suas respectivas indústrias da concorrência chinesa criaram esse impedimento. Mas no caso do Brasil, o ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, defende uma política de abertura comercial para atrair investimentos estrangeiros, destaca Subran. Ele reconhece que o peso da China dificulta a construção de uma agenda em comum.

O setor de inovação e novas tecnologias é uma área de forte potencial de cooperação entre os cinco emergentes, aponta Jean Marcilly, chefe economista da seguradora de crédito Coface. Em Brasília, os líderes devem reforçar o papel do Banco de Desenvolvimento do Brics para destinar investimentos nessa área.

Brasil na OPEP?

Le Figaro aproveita a reunião do Brics e os sinais de abertura enviados por Paulo Guedes para dizer que o governo brasileiro mantém a intenção de flexibilizar a legislação sobre a exploração do pré-sal, para atrair as petroleiras estrangeiras que boicotaram o último leilão no Rio de Janeiro.

Por outro lado, o ministro – descrito como "muito liberal" pelo diário conservador – continua reticente à entrada do Brasil na Organização de Produtores Exportadores de Petróleo (Opep). A Arábia Saudita fez o convite ao Brasil, durante a recente visita do presidente Jair Bolsonaro a Riad. Guedes afirmou estar aberto à discussão, mas já advertiu que não pretende seguir a prática de cartel de controle dos preços, informa o Le Figaro.