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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Discurso de Bolsonaro na ONU é menosprezado pela imprensa francesa

O presidente Jair Bolsonaro no plenário da ONU.REUTERS/Lucas Jackson





A imprensa francesa registra nesta quarta-feira (25) os ataques de Jair Bolsonaro à França e à mídia internacional no discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Mas o discurso nacionalista de Bolsonaro é citado apenas em notas de rodapé.

As breves referências à fala do brasileiro recordam que Bolsonaro considerou "uma falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade" e que "a floresta está intacta". A alfinetada indireta ao presidente francês, Emmanuel Macron, por "ter ousado propor sanções ao Brasil" devido ao descaso com os incêndios na Amazônia também é reproduzida.

A matéria mais longa sobre a participação brasileira na ONU foi publicada na revista conservadora Le Point. O texto lembra que o presidente de extrema direita é um notório negacionista das mudanças climáticas. Sobre o trecho em que Bolsonaro apontou "ataques sensacionalistas" da mídia internacional, a publicação reitera dados sobre as queimadas.

"Entre o início de janeiro e 19 de setembro, apesar de uma ligeira queda nos incêndios desde o início do mês, o Brasil registrou um aumento de 56% de incêndios florestais em relação ao mesmo período no ano passado, dos quais quase a metade (47%) afeta a Amazônia. Esses incêndios, em sua maioria voluntários, destinam-se a abrir espaço para culturas agrícolas e criação de gado, provocando um desmatamento galopante. Desde a chegada de Bolsonaro ao poder, o desmatamento quase dobrou. A cada hora, o equivalente a 110 campos de futebol viram fumaça na selva amazônica", martela a revista Le Point. O texto ainda ironiza a declaração falaciosa, desta vez de Bolsonaro, de que a Amazônia não está sendo destruída pelas chamas.

A fala do presidente seguidor do americano Donald Trump, como repetem com frequência os jornalistas franceses, é citada nos rodapés dos jornais.

Trump também fez pronunciamento sem surpresas

A imprensa francesa também notou a ausência de menções ao clima no discurso de Trump. Um editorialista do Le Figaro escreve que o plenário da ONU demonstrou "apatia" durante o pronunciamento do líder da maior potência mundial. "O próprio Trump parecia entediado com seu discurso", uma ode à nação e à soberania – uma narrativa que não causa mais o mesmo impacto do início de seu governo.

A imprensa francesa prefere destacar em suas manchetes o voluntarismo político de Emmanuel Macron. "Na ONU, Macron propôs um plano para evitar uma guerra no Oriente Médio", devido à crise entre Washington e Teerã. "Um erro de cálculo ou uma uma resposta desproporcional podem incendiar a região", advertiu o chefe de Estado francês na ONU, incitando Trump e os dirigentes iranianos a retomar o diálogo.