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domingo, 4 de agosto de 2019

Papa Francisco pede transparência e solidariedade com vítimas de abusos sexuais

Papa Francisco pediu solidariedade com vítimas de abuso.
Vatican Media/Handout via REUTERS

O papa Francisco denunciou novamente neste domingo (4) a lei do silêncio que imperava ao redor dos casos de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica. O líder religioso reiterou o pedido de "transparência, sinceridade e solidariedade" com as vítimas.

"Nos últimos tempos conseguimos ouvir com maior clareza o grito, tantas vezes silencioso e silenciado, de nossos irmãos, vítimas de abuso sexual e de poder", escreveu o pontífice em uma carta enviada aos padres por ocasião do 160º aniversário da morte do francês Jean-Baptiste-Marie Vianney, conhecido como Santo Cura de Ars.

"Como vocês sabem, estamos firmemente comprometidos com a aplicação das reformas necessárias para estimular, a partir da raiz, uma cultura baseada no cuidado pastoral de modo que o abuso não encontre espaço para se desenvolver e ainda menos se perpetuar", completou.

"Se no passado a omissão pode ter se transformado em uma forma de resposta, hoje queremos que a conversão, a transparência, a sinceridade e a solidariedade com as vítimas se converta em nosso modo de fazer a história e nos ajude a estar mais atentos diante de todo sofrimento humano", afirmou o papa.

Mudanças radicais na Igreja

Diante de uma série de escândalos de abusos sexuais que mancharam a imagem da Igreja, o papa Francisco organizou em fevereiro uma reunião mundial de bispos sobre o tema e prometeu adotar ações concretas. No início de maio, o pontífice modificou a legislação interna para estabelecer a obrigação de que os padres denunciem qualquer suspeita de agressão ou assédio sexual.

O texto também obriga os membros da igreja a apontarem qualquer tentativa da hierarquia de acobertar os abusos sexuais cometidos por padres ou religiosos. Francisco também falou dos padres que lamentam ser marcados por crimes que não cometeram. "Sem negar e repudiar o dano causado por alguns de nossos irmãos, seria injusto não reconhecer tantos sacerdotes que, de maneira constante e honesta, entregam tudo o que são e têm para o bem dos demais", completou.

"São inúmeros os sacerdotes que fazem de sua vida uma obra de misericórdia em regiões ou situações muitas vezes inóspitas, afastadas ou abandonadas, inclusive colocando a própria vida em risco. Reconheço e agradeço vosso corajoso e constante exemplo que, em momentos de turbulência, vergonha e dor, nos mostra que vocês seguem atuando com alegria pelo Evangelho", concluiu o papa.