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sábado, 10 de agosto de 2019

Papa Francisco adverte contra nacionalismos e discursos que lembram Hitler


O Papa conversa com um grupo de freiras durante sua audiência pública das sextas-feiras, no salão Paulo VI, no Vaticano FILIPPO MONTEFORTE / AFP

Chefe da Igreja Católica deu entrevista ao jornal La Stampa, em meio à crise do governo integrado pela extrema direita na Itália

ROMA - O Papa Francisco criticou o nacionalismo por levar a guerras e disse acreditar que o populismo não reflete a cultura popular, em uma entrevista publicada no jornal La Stampa, em meio à crise política deflagrada na Itália pela extrema direita de Matteo Salvini, do partido Liga, que na quinta-feira considerou rompida sua coalizão de governo com o Movimento 5 Estrelas, antissistema, e pediu a convocação de novas eleições.

O nacionalismo é uma atitude de isolamento. Estou preocupado porque ouvimos discursos que lembram os de Hitler em 1934. "Primeiro nós, nós, nós": estes são pensamentos aterrorizantes — afirmou o pontífice.

Um país deve ser soberano, mas não fechado. A soberania deve ser defendida, mas as relações com outros países e com a Comunidade Europeia também devem ser protegidas e promovidas. O nacionalismo é um exagero que sempre acaba mal: leva a guerras.

No começo, não conseguia entender, porque, estudando teologia, eu analisava a cultura do povo: uma coisa é que o povo que se expresse, e outra é impor ao povo a atitude populista. O povo é soberano, tem seu jeito de pensar, de se expressar e de sentir, de avaliar, mas os populismos nos levam ao nacionalismo: esse sufixo, 'ismos', nunca faz bem — insistiu.

Na entrevista, conduzida por Domenico Agasso, o Pontífice falou também sobre Europa, Amazônia e meio ambiente.

A Europa não deve ser desfeita, devemos salvá-la. Ela tem raízes humanas e cristãs. Uma mulher como Ursula von der Leyen pode reviver a força dos pais fundadores — disse ele, em referência à nova presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, eleita em 2 de julho passado.

Francisco também mencionou várias catástrofes ambientais, falou sobre a perda dos recursos do planeta e relembrou uma reunião recente com pescadores que lhe disseram que coletaram seis toneladas de plástico no mar nos últimos meses.