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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Favoritos à presidência argentina, Fernández e Kirchner pedem libertação de Lula

O ex-chanceler Celso Amorim (à esquerda), ao lado do candidato à presidência da Argentina, Alberto Fernández, durante visita a Lula em Curitiba, em 4 de julho de 2019. Comitê Lula Livre/DR


O candidato à presidência da Argentina, Alberto Fernández, e sua companheira de chapa, Cristina Kirchner, pediram nesta terça-feira (20) a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinando uma petição com mais de cem personalidades. A formação peronista Frente de Todos é favorita para as eleições de outubro.

Dezenas de lideranças progressistas e defensoras dos direitos humanos - entre governadores, legisladores, dirigentes sociais, sindicalistas, artistas e cientistas argentinos - assinaram o pedido de liberdade intitulado "500 Dias de Injustiça" e com a hashtag #LULALIVREJÁ.

Entre os signatários estão o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela Carlotto; a mãe da Praça de Maio Taty Almeida e a dirigente de Familiares de Desaparecidos (na ditadura 1976-1983) Lita Boitano.

"É um clamor muito importante pela liberdade diante de uma injustiça, como é a detenção e a condenação de Lula da Silva, que implica o fato de o Brasil continuar em um estado de exceção", afirmou Nicolás Trotta, reitor da Universidade Metropolitana Para a Educação e o Trabalho, promotor da iniciativa.

O Partido dos Trabalhadores publicou em seu Twitter a lista dos signatários argentinos da petição. A iniciativa faz parte do movimento "500 Dias de Injustiça", relativos ao período que o ex-presidente Lula passou na prisão.

Visita a Lula

No mês passado, junto ao ex-chanceler Celso Amorim, Fernández visitou Lula (2003-2010), que está preso em Curitiba. Depois do encontro, ele conversou com jornalistas e afirmou que a prisão do ex-presidente é uma “mácula ao Estado de Direito”.

Nas eleições primárias de 11 de agosto, Fernández surgiu como favorito para as presidenciais de outubro, com 47% dos votos, à frente de Mauricio Macri (32%), que vai tentar se reeleger. Para especialistas, a derrota do atual presidente argentino desarmaria a parceria na América do Sul com Jair Bolsonaro e Donald Trump.

Depois da divulgação do resultado das primárias, Bolsonaro disse que o eventual retorno do kirchnerismo ao poder na Argentina pode levar a uma onda de refugiados no Brasil, similar à que enfrenta na fronteira com a Venezuela. Em resposta, Fernández classificou o presidente brasileiro de "misógino, racista e violento" e exigiu que "liberte" Lula, com quem a Argentina sempre teve boas relações.