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terça-feira, 16 de julho de 2019

Licença de Moro mostra 'fraqueza' do ministro, diz cientista político

Foto: REUTERS/ Adriano Machado

Atingido pelo vazamento de mensagens, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, iniciou nesta segunda-feira (15) um afastamento de 5 dias de seu cargo. Apesar da versão oficial afirmar ser uma medida protocolar, a ação sublinha a delicada condição de Moro.


Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Prando afirma que Moro assumiu o cargo no governo de Jair Bolsonaro como um fiador da agenda anticorrupção, assim como Paulo Guedes é garantia das pautas econômicas liberais.

Nesse cenário, chama a atenção o afastamento de Moro, ainda que ele já estivesse combinado, após repetidas publicações trazerem mensagens vazadas da Operação Lava Jato que mostram ações questionadas por alguns juristas. Prando acredita que o afastamento de Moro demonstra "fraqueza" em um momento frágil do ministro.

Bolsonaro aproveita o momento, diz o professor do Mackenzie, porque sabe que o antigo juiz da Lava Jato é um nome forte politicamente e poderia até derrotá-lo nas eleições presidenciais de 2022. "Se Moro tivesse todo o destaque previsto no início [do governo], seria alguém colocado contra Bolsonaro como um concorrente muito forte."

Para demonstrar as ambições políticas de Moro, Prando ressalta que o ex-juiz disse que seu plano para a segurança pública seria uma espécie de "Plano Real" contra a violência. Após anos de inflação, o Real garantiu estabilidade nos preços e pavimentou o caminho do então ministro Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República. 

A Procuradoria-Geral da República chamou o procurador e coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e outros membros da operação contra a corrupção para uma "reunião institucional" na terça-feira (16), afirma o UOL. Já o The Intercept Brasil, responsável de começar a publicar os vazamentos de Moro, afirma que fontes dizem que o afastamento do ministro pode servir para que seja realizada uma operação da Polícia Federal contra a suposta fonte dos arquivos — e que seria estimulada a confessar ter vazado e adulterado as conversas.