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Quem orientava Sérgio Moro?

Não sejamos breves e rasos: não foi obra do acaso








Por Fábio Lau* 

Não vamos nos apressar e reduzir a resposta ao óbvio:

- Os Estados Unidos!

Ou ainda, impulsivamente, acreditar que ele agiu em conluio com o sistema financeiro internacional que queria a esquerda longe do poder no continente.

As duas respostas, embora plausíveis, ajudam a obscurecer algo muito mais importante: por que um juiz de primeira instância se vê revestido de tanto poder a ponto de agir contra tudo e contra todos e sob o olhar complacente do mundo? Que conjunção astrológica foi esta que permitiu e silenciou tanta gente a ponto de se ver mudar um país e suas estruturas?

Moro não veio ao acaso. Mas a construção do personagem da vida real também não se deu a toque de caixa. Esteve ele à frente do Processo do Banestado, que deu em coisa alguma, e da mesma maneira suas decisões não foram minimamente contestadas. Teria sido este o início do seu poder?

O juiz da Lava-Jato escondeu da plateia sua precária verborragia e forjou-se como um ídolo do esporte adorado pela hipocrisia da classe média chamado "moralidade". Ofuscando vistas, críticas e critérios. E isso é grave. E mais uma vez é bom acentuar: sob o olhar complacente de todos: atores e plateia.

É fato que o desmonte do país, de suas empresas (Petrobras e grandes empreiteiras, especialmente), além daquelas que sobreviviam e geravam emprego a partir das grandes estruturas, foi obra pensada. 

O desmonte do cenário político também. Como imaginar que um juiz de primeira instância consiga interferir na vida política nacional a ponto de colocar na cadeia, sem provas, o maior presidente da história?

Pensemos: quando o indivíduo é tratado biologicamente com drogas em excesso ele pode morrer por overdose ou adquirir grandes e trágicos efeitos colaterais.

Num corpo vivo como um país, onde nas veias correm economia e política, o dano colateral foi Bolsonaro. A overdose aplicada (por quem?) nos tirou dos trilhos, nos colocou em coma e até hoje o paciente tem dificuldades em se colocar de pé.

Não sejamos breves e rasos e culpemos a Globo.

Não sejamos tontos e insanos e culpemos o PSDB.

Tenhamos a grandeza de colocar esta pergunta entre as tantas irrespondíveis até hoje. Ao lado de: Quem matou Marielle? Onde está Queiroz? 

Quem guiou Sérgio Moro?

Não precisamos ter pressa. Mas precisamos pensar.

* Fábio Lau é jornalista e não acredita em bruxas. Mas que elas existes, existem. E dizem que tem representação.