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Le Figaro questiona se ex-presidente Lula foi alvo de conspiração

Cartaz de manifestante em protesto em São Paulo após vazamento de conversas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol pelo site The Intercept.REUTERS/Nacho Doce


As revelações do site The Intercept sobre as mensagens secretas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato visando incriminar o ex-presidente Lula continuam em destaque na imprensa francesa nesta quarta-feira (12). "A queda de Lula foi provocada por uma conspiração?", questiona o Le Figaro, após o vazamento das conversas no aplicativo Telegram entre Moro e a equipe de procuradores chefiada por Deltan Dallagnol na Lava Jato.

Embora a origem do vazamento não esteja esclarecida, o jornal conservador afirma que os dados foram oferecidos por um "hacker anônimo que pirateou os celulares dos principais atores da Lava Jato". Em seguida, Le Figaro explica que, de acordo com as revelações do jornalista americano Glenn Greenwald, as conversas mostram que "Moro orientou as investigações e fez recomendações aos procuradores em várias ocasiões, abandonando a imparcialidade exigida pela lei".

Apesar da gravidade do teor das mensagens, que buscaram impedir que o Partido dos Trabalhadores vencesse a eleição presidencial, Moro não contestou o contéúdo do que foi divulgado pelo Intercept, destaca o diário. O ex-juiz agora ministro apenas negou "anormalidade ou direcionamento" em sua atuação, e reclamou que as conversas com Dallagnol foram retiradas de contexto.

Condenações anuladas?

Le Figaro observa que o caso divide juristas no Brasil e que um dos aspectos em aberto é saber se os julgamentos que condenaram o ex-presidente Lula e outros acusados na Lava Jato poderão ser anulados, se ficar consagrada ilegalidade na ação de Moro e dos procuradores. "Coincidência ou não, o Supremo Tribunal Federal anunciou que irá julgar no dia 25 de junho o pedido de libertação encaminhado em dezembro pela defesa de Lula", relata o correspondente no Rio de Janeiro.

Já o jornal Le Monde informa que esse recurso que o STF irá analisar aborda justamente a suposta parcialidade de Moro em razão de sua nomeação como ministro da Justiça após a eleição de Jair Bolsonaro, e foi apresentado bem antes das revelações do Intercept. Alguns especialistas consideram que essa peça da defesa tem mais chances de ser aprovada do que o recurso que deveria ser julgado ontem e dizia respeito a questionamentos processsuais de ordem técnica, não excluindo, porém, que este recurso também volte à ordem do dia em 25 de junho.

Já o jornal Le Monde informa que esse recurso que o STF irá analisar aborda justamente a suposta parcialidade de Moro em razão de sua nomeação como ministro da Justiça após a eleição de Jair Bolsonaro, e foi apresentado bem antes das revelações do Intercept. Alguns especialistas consideram que essa peça da defesa tem mais chances de ser aprovada do que o recurso que deveria ser julgado ontem e dizia respeito a questionamentos processsuais de ordem técnica, não excluindo, porém, que este recurso também volte à ordem do dia em 25 de junho.