Navigation Menu

Cresce número de migrantes e refugiados que buscam recomeço no Paraná





A busca de um novo começo para quem foge de crises econômicas e políticas, de ditaduras ou de guerras em seus países de origem tem crescido no Paraná. Só nos primeiros cinco meses de 2019, o Centro de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas, órgão vinculado à Secretaria da Justiça, Família e Trabalho do Governo do Paraná, já registrou mais de 1,2 mil atendimentos para mais de 30 nacionalidades, quase o dobro do que o registrado mesmo período de 2018, com 663 atendimentos.

O trabalho é lembrado no Dia Mundial do Refugiado, celebrado nesta quinta-feira, 20 de junho.

“O número de atendimentos demonstra um aumento significativo, de 85%. Isso mostra o compromisso da nossa gestão em qualificar os atendimentos dos profissionais para receber as famílias que vêm em busca de uma nova vida, de novas oportunidades”, diz o secretário Ney Leprevost.

PERFIL E PAÍSES - De acordo com os dados da Secretaria, a maioria dos migrantes que chega até o Ceim-PR está na faixa dos 30 aos 59 anos e é formada por homens, que buscam trabalho, orientação para elaboração de currículo e para reinserção no mercado de trabalho.

As nacionalidades mais atendidas até agora, foram Haiti com 538 registros; Venezuela com 532 atendimentos; Cuba com 48; Colômbia com 19 e Marrocos com 11 atendimentos registrados só este ano.

“O aumento se dá devido a frequente chegada dos migrantes venezuelanos que entram no Paraná. Aumentamos também a divulgação dentro das redes locais e dos nossos canais de atendimentos e qualificamos nossos profissionais para o atendimento aos migrantes”, explica o coordenador da Política Pública dos Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná, João Guilherme Simão.

Dentre os países de origem de migrantes atendidos este ano estão também Afeganistão, Angola, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Cabo Verde, Camarões, Chile, Colômbia, Congo-Brazzaville, Costa do Marfim, Cuba, Egito, Espanha,  El Salvador, Gâmbia, Gana,  Guiné, Guiné-Bissau, Haiti, Honduras, Iêmen, Itália, Japão, Jordânia, Líbano, Marrocos, Mauritânia, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Peru, Portugal, República Democrática do Congo, República Dominicana, Senegal, Serra Leoa, Síria, Tunísia,  Uruguai  e Venezuela.

ATENDIMENTOS SOCIAIS - O migrante pode revalidar no Paraná, por meio do Ceim-PR, o ensino fundamental e médio, além de se matricular no ensino regular. Na sequência, realizar processo seletivo para cursos técnicos subsequentes.

Também pode fazer a carteirinha da Biblioteca Pública para as aulas de português e a verificação de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil.

Ainda há a possibilidade de encaminhamento para o mercado de trabalho. Para isso, é feito o cadastro no portal do Ministério do Trabalho; verificação de vagas disponíveis; elaboração e impressão de currículos; organização de documentação para contratação; orientação profissional e informações sobre cursos de qualificação profissional e agendamento de atendimento para emissão da carteira de Trabalho (CTPS).

No campo jurídico, é feito todo o acompanhamento legal para que seja possível regularizar o status migratório, distribuição de informações sobre o acesso à justiça gratuita, regularização documental, tipos de vistos, autorização de residência e solicitação de refúgio.

Na assistência social, são prestados atendimentos com a interlocução dos órgãos, como Centros de Referência e Centros Especializados de Assistência Social (Cras e Creas), bem como Centros POP; com entidades da sociedade civil referente a casos de acolhimento e recepção de migrantes, encaminhamentos para a realização do cadastro único para verificação de benefícios eventuais e a intermediação de acolhimento institucional.

DIA MUNDIAL DO REFUGIADO – Em alusão ao Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho, será realizado terça-feira (25), às 18h, Roda de Conversa sobre os Caminhos para o Acesso a Direitos.

 O evento acontece no CEIM na Rua Desembargador Westphalen, Edifício Dante Alighieri, 13º andar, Centro, em Curitiba e será realizado pela Agência da Onu para as Migrações, em parceria com o Centro de Informações para Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná da Sejuf e a Cáritas Brasileiras Regional.  

OPERAÇÃO ACOLHIDA - A operação de acolhida integra o processo de interiorização de imigrantes venezuelanos, iniciada pelo Governo Federal no final de 2018, e é comandada pela Casa Civil da Presidência da República, Ministério da Defesa, Organização das Nações Unidas (ONU) e outros organismos da sociedade civil. 

De acordo com dados da Força Aérea Brasileira, o Paraná é o quarto estado que mais recebeu migrantes venezuelanos, desde o início da operação, com 706 (10,8%), atrás do Rio Grande do Sul, com 1.129 (17,3%), São Paulo, 926 (14,2%) e Santa Catarina, 792 (12,1%).