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quinta-feira, 27 de junho de 2019

Aeronáutica se recusa a dizer se militar detido com cocaína na Espanha foi revistado no Brasil



O avião presidencial em Osaka, no Japão.  REUTERS

Porta-voz da força diz que procedimentos para embarque do sargento são alvo de inquérito. “Não vamos admitir criminosos entre nós”, diz ministro da Defesa



O Governo brasileiro não informou se o militar detido em Sevilha, na Espanha, com 39 kg de cocaína passou por qualquer procedimento de fiscalização no Brasil antes de embarcar na aeronave reserva da comitiva do presidente Jair Bolsonaro brasileira que tinha como destino final a cidade de Osaka, no Japão, onde ocorre a reunião do G20. Alegando sigilo da investigação, um porta-voz da Aeronáutica disse que o fato está sendo apurado. Além de responder às autoridades espanholas, o sargento Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, agora é oficialmente investigado em um inquérito policial militar que tem até 60 dias para ser concluído. A apuração é tocada pela própria Aeronáutica.


Segundo o porta-voz da corporação, o major Daniel Rodrigues Oliveira, a praxe é que todos os tripulantes e passageiros das aeronaves da Força Aérea Brasileira tenham suas bagagens vistoriadas. No caso em si, ele disse que não poderia informar se isso ocorreu com os ocupantes dessa aeronave.

Conforme declarou o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo Silva, o sargento Rodrigues responderá pelo tráfico internacional de drogas tanto na Espanha como no Brasil. Em uma breve declaração na qual não respondeu a questionamentos, o ministro afirmou que a conduta do sargento foi inadmissível e um fato isolado entre as forças militares. “Ressalto que não vamos admitir criminosos entre nós. Neste caso houve a quebra da confiança. A confiança é própria da cultura militar e nos é tão cara”. Diante do caso, a Aeronáutica informou que montou um grupo de trabalho para estudar medidas para reforçar os procedimentos de segurança em seus voos.

"Falta de sorte"
Em Osaka, onde acompanha o presidente Bolsonaro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, admitiu a jornalistas que houve uma falha da FAB no caso. “Todo mundo tem a sua mala revistada, inclusive nós e o presidente. Agora, esse sargento era da comissaria. Ele chega muito antes. Não tem efetivo para manter durante todo o tempo um esquema de vigilância”.

Heleno também tratou o caso como uma falta de sorte para o Governo brasileiro. “Podia não ter acontecido, né? Falta de sorte ter acontecido justamente na hora de um evento mundial. Acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável”, segundo relatos do portal G1.

De acordo com o major Oliveira, o militar detido ficaria em Sevilha e, em nenhum momento, integraria a missão oficial na qual está o presidente Jair Bolsonaro. O retorno da comitiva deve ocorrer via Seatle, nos Estados Unidos. Questionado se havia a suspeita de que o militar detido já teria praticado outros delitos como esse, o porta-voz da Aeronáutica disse apenas que o fato está sendo investigado, assim como a eventual participação de outros profissionais no crime.

O sargento Rodrigues está na FAB há 19 anos. Passou a integrar o Grupo de Transporte Especial (GTE), que é o responsável por transportar as principais autoridades do Executivo federal, em 2010. E, desde 2016, integra a equipe que viaja nessa aeronave reserva da presidência. No período em que esteve no GTE participou de 29 viagens oficiais, conforme dados do Portal da Transparência. Além de Bolsonaro, ele já viajou como comissário de bordo em comitivas nas quais estavam os então presidentes Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).