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sexta-feira, 7 de junho de 2019

75 anos do Dia D diante de Trump Macron faz apelo por aliança dos povos livres



Cerimônia na Normandia com presença de Trump e Macron lembra os 75 anos do desembarque dos aliados.
REUTERS/Carlos Barria

A França lembra nesta quinta-feira (6) os 75 anos do desembarque dos aliados na Normandia, em 6 de junho de 1944, na presença dos presidentes americano, Donald Trump, e francês, Emmanuel Macron, além da primeira-ministra britânica, Theresa May, e do premiê canandense, Justin Trudeau. Durante a cerimônia, que teve a participação de cerca de 160 veteranos, o chefe de Estado francês fez um apelo em prol da parceria entre as nações amigas.

Há 75 anos, a França começava a ser liberada do regime nazista, após o desembarque de 150 mil militares aliados nas praias da Normandia, no noroeste do país. A operação foi seguida de uma batalha que deixou 100 mil mortos, entre eles 20 mil civis.



Após uma primeira rodada de comemorações na cidade inglesa de Portsmouth, na quarta-feira (5), cerca de 12 mil pessoas participam das homenagens aos veteranos e mortos no cemitério militar americano de Colleville-sur-Mer. O local abriga os túmulos de 9.387 soldados que lutaram no "Dia D".

Em inglês, Macron, agradeceu os veteranos americanos. "Nós sabemos tudo o que devemos a vocês, veteranos: nossa liberdade. Em nome de nosso país, quero lhes agradecer."

O presidente francês também aproveitou a oportunidade para alfinetar Trump, com quem não esconde as divergências. "Não devemos jamais deixar de reavivar a aliança dos povos livres", afirmou Macron, citando como exemplo a Organização das Nações Unidas, a Otan e a União Europeia, frequentemente alvo de críticas do presidente americano.

"Os Estados Unidos são maiores quando se mostram fiéis aos valores universais que defendiam seus fundadores, quando, há cerca de dois séculos e meio, a França foi apoiar sua independência", reiterou.

Já o presidente americano afirmou que os veteranos que participaram do desembarque são o orgulho do país. “Vocês figuram entre os grandes americanos. Vocês são o orgulho da nação. Vocês são a glória da nossa república e nós lhes agradecemos do fundo de nossos corações”, declarou Trump, diante de dezenas de ex-soldados.

Corpos flutuando na água

Antes da cerimônia oficial, Macron se encontrou com dois ex-soldados que fizeram parte do desembarque do 6 de junho de 1944: Jacques Lewis e Léon Gautier - um dos últimos sobreviventes do comando Kieffer, grupo de voluntários franceses treinados na Escócia.

Entrevistado pela RFI, Robert Fishman, relembrou sua participação no 6 de maio de 1944. "Tudo o que eu podia ver eram corpos flutuando na água. Todos americanos. Todos mortos. Isso me deu muita raiva. Na praia de Omaha, eu ajudei 35 soldados feridos que tentavam subir uma falésia com uma corda. Mas os alemães atiravam. Levei 35 deles para um barco, que tinha cirurgiões a bordo. Eu tentava encontrar rapazes ainda em vida para levar para o navio. Eles estavam espalhados na areia e eu os cutucava para ver se estavam vivos", declarou Fishman.

Fishman tinha apenas 18 anos quando participou do desembarque na Normandia. Em maio, ele recebeu a Legião de Honra, a mais alta condecoração do governo francês, na embaixada francesa de Washington.

Homenagem aos soldados britânicos

Antes da cerimônia com Trump, Macron e a primeira-ministra britânica, Theresa May, fizeram uma homenagem aos soldados britânicos mortos na batalha da Normandia. A premiê depositou a primeira pedra de um futuro memorial em Ver-sur-Mer, no departamento de Calvados.

Diante do Canal da Mancha, na Golden Beach, o monumento, previsto para ser inaugurado em 2020, será dedicado aos 22 mil soldados britânicos mortos na Normandia entre 6 de junho e 29 de agosto de 1944.

Esse será o último evento que May participa como primeira-ministra. A conservadora britânica, que anunciou sua demissão em 24 de maio, deixa o cargo na sexta-feira (7).