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Maior parte da vitamina D é produzida pelo organismo




Testar a vitamina D em pessoas sem sintomas pode levar a suplementações desnecessárias e provocar efeitos colaterais


Essencial para o bom funcionamento do organismo, a vitamina D é um dos mais recentes alvos de modismos na área de saúde. Nos últimos cinco anos foi incluída indiscriminadamente nos exames de rotina e houve um grande aumento no seu consumo como suplementação.

Enquanto a maioria dos pacientes acredita que “mal não deve fazer, já que é uma vitamina”, entidades científicas como a Força Tarefa Norte-Americana para Serviços Preventivos (United States Preventive Services Task Force - USPSTF) consideram que não há estudos de qualidade que recomendem testá-la na população em geral, devido ao risco de um diagnóstico excessivo (conhecido como overdiagnosis). Os tratamentos que podem provocar efeitos colaterais indesejados, ainda que raros.

De acordo com Paulo Poli Neto, gerente médico da Clinipam, outro alerta importante de instituições como a Força Tarefa Norte-Americana, é que não há bons estudos que comprovem a relação entre testar a vitamina D na população em geral e a obtenção de benefícios para a saúde.

“Ainda que conhecida como vitamina, o mais adequado seria chamá-la de um pró-hormônio. Com a incidência dos raios ultra-violeta, converte-se em uma forma inativa da vitamina D, que posteriormente será ativada no fígado e nos rins”, aponta Poli Neto. Ele explica ainda que, diferentemente de outras vitaminas, 90% da produção necessária para o organismo acontece por meio desse processo. O restante é decorrente da ingestão de alimentos, como carnes, peixe, ovos e cogumelos.

Conforme explica o gerente médico da Clinipam, sabe-se que a deficiência da vitamina D está relacionada a algumas doenças, como osteomalácia ou raquitismo, que produzem uma fragilidade óssea. No entanto, são eventos pouco frequentes, que costumam ser investigados a partir de uma suspeita clínica e não por meio de testes na população saudável.

Ele justifica que não há um consenso internacional sobre os valores mais adequados para se definir a insuficiência da vitamina D em pessoas assintomáticas: “um dos problemas da investigação em pessoas saudáveis é o limite do que se considera normal. A curva de distribuição representa os valores médios em uma população geral”, argumenta Poli Neto.

A maioria das pessoas costuma ter valores de vitamina D (25h-hidroxivitamina D) entre 12 e 20 ng/ml. Para a maioria dos testes laboratoriais, considera-se normal aquilo que é mais frequente na população, a média. No caso da vitamina D, passou-se a considerar como normal não o mais frequente, mas um ideal baseado em frágeis associações de causa e efeito que seria o mínimo de 20ng/ml ou mesmo 30ng/nl. Com esse corte, a maioria das pessoas será considerada como insuficiente e levada a realizar uma suplementação.

Uma outra associação que tem sido feita é a da insuficiência da vitamina D, a partir de valores altos para o esperado em uma população, a uma série de sintomas vagos, como falta de disposição, sensação de pouca energia, dores no corpo.

Para Paulo Poli, de tempos em tempos, vemos medicações sendo vendidas como resposta a sintomas mal definidos e muito frequentes que, a maior parte da população terá em algum momento. “As vitaminas, até por sua associação à ideia de energia, encaixam perfeitamente a essa demanda cultural pela ‘poção mágica’ que a população tanto busca”, diz.

Onda das vitaminas não é novidade

Desde a década de 1980, os efeitos da suplementação vitamínica têm chamado à atenção de pacientes, médicos e laboratórios farmacêuticos. Na crista da onda já estiveram a vitamina B5, a vitamina E e o betacaroteno.

Cada um responsável por uma função no organismo, todos já tiveram seu auge de consumo sem amplo embasamento técnico. Poli explica que para medir cientificamente o impacto dessas substâncias, é necessário testá-las em um grupo grande de pessoas; ao mesmo tempo em que um outro grupo semelhante serve como controle, usando uma pílula inócua (placebo).

“O maior desafio é separar a substância pesquisada e os múltiplos fatores que contribuem para os sintomas ou doenças ao longo do tempo. Ou seja: sem amplitude de medição, não há justificativa para fazer suplementação. O excesso pode, inclusive, prejudicar o funcionamento dos órgãos. No caso da vitamina D, pode levar à toxicidade e à hipercalcemia, hiperfosfatemia e hipercalciúria, sobrecarga para os rins”, alerta Poli Neto.
Na prática, pequenos hábitos auxiliam o corpo a produzir o pró-hormônio: tomar sol duas vezes por semana, por até 30 minutos, nos braços e pernas já é suficiente; e garantir uma alimentação rica em carnes, peixe, ovos, queijos. “A combinação destes cuidados têm permitido que corpo humano produza 100% da quantidade necessária desde sempre”, conclui Poli Neto.

Direção Clinipam:
Dr. Gilton Guilgen : CRM 6838
Dr. Cadri Massuda: CRM 6310

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