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Arábia Saudita prende pelo menos nove intelectuais, escritores e blogueiros


Imagem de um protesto no Dia Internacional da Mulher para incentivar as autoridades sauditas a libertarem mulheres ativistas presas em maio de 2018.REUTERS/Benoit Tessier


Por Nina Santos
RFI

Autoridades da Arábia Saudita prenderam pelo menos nove escritores, acadêmicos e blogueiros em mais uma operação contra críticos do regime. As novas prisões foram anunciadas por organizações de direitos humanos na sexta-feira (5).

Entre os presos estariam Salah al Haidar, filho de Aziza al Yusef, uma importante ativista dos direitos das mulheres que foi temporariamente libertada há apenas alguns dias, e o médico e escritor Bader al Ibrahim, ambos com dupla cidadania saudita e americana. Fahad Abalkhail, que apoiou a campanha para que mulheres pudessem dirigir também teria sido detido.

“Não é coincidência que as autoridades da Arábia Saudita estejam descaradamente atacando os cidadãos que são parte integrante da vibrante paisagem intelectual, artística e ativista da sociedade. Ao alvejá-los, eles estão sinalizando a todo o seu povo que haverá tolerância zero a qualquer forma de crítica e questionamento das práticas autoritárias do Estado”, afirmou Lynn Maalouf, diretora de Pesquisa para o Oriente Médio da Anistia Internacional. “Estamos profundamente preocupados com o bem-estar dos detidos desde ontem”, acrescentou ela.

Silêncio do governo Saudita

Até o momento, as autoridades do governo da Arábia Saudita não se manifestaram sobre as prisões. Lynn Maalouf pede que as autoridades "divulguem imediatamente as acusações contra os detidos e, caso sejam detidas por seu exercício pacífico de seu direito à liberdade de expressão, elas devem ser libertadas imediata e incondicionalmente”.

As prisões ocorrem logo após uma decisão do Congresso dos Estados Unidos que pede ao presidente Donald Trump que pare com todo o apoio à coalizão militar liderada pelos sauditas envolvida na guerra no Iêmen. É também a primeira repressão de peso a figuras da sociedade civil desde o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em outubro de 2018, no consulado do país em Istambul.

Histórico de violação de direitos humanos

O reino saudita, país apoiado pelos Estados Unidos, tem sido severamente criticado por seu histórico de violação dos direitos humanos. O país é muito criticado pelo julgamento de 11 mulheres, entre elas Aziza al Yusef, por diversas acusações, incluindo contatos com meios de comunicação estrangeiros, diplomatas e ONGs de defesa dos direitos humanos.  A maioria delas foi presa em maio de 2018, um mês antes do fim histórico da proibição de dirigir imposta às mulheres na Arábia Saudita. 

Elas militavam pelo direito das mulheres de dirigir e pediam o fim do sistema de tutela, que exige que as mulheres obtenham a permissão de um pai ou parente do sexo masculino para fazer diversas atividades. Algumas das detidas denunciam que foram vítimas de tortura e abusos sexuais, o que o governo saudita nega.