Navigation Menu

O clássico que pode reafirmar a ascensão de Coutinho



As lesões de Messi e Dembélé aumentam o protagonismo do meia brasileiro no duelo contra o Real Madrid


EL PAÍS
"Cara, você é muito bom, você tem que jogar como no dia do Sevilla! Vamos lá!". Até os irmãos da dupla Estopa, famosa banda catalã, abordaram Philippe Coutinho na quinta-feira, durante a festa após a apresentação do espetáculo Messi10, que o Cirque du Soleil montou sobre Lionel Messi. Os músicos David e José Manuel, da Estopa, encorajaram o jogador brasileiro tanto quanto o próprio Messi e Luis Suárez. Havia palavras e canções animando Coutinho. "Eu sei!", respondeu timidamente o 7 do Barça. No entanto, o desempenho do brasileiro decepcionou dois dias depois, contra o Valencia.


O declínio do indefinido Coutinho, mais atacante do que meia, apesar de ter sido contratado como substituto de Iniesta, ficou evidente ao longo da última temporada, quando se afirmava com uma jogada muito própria, uma diagonal de fora para dentro a partir da lateral esquerda que acabava com um chute de rosca antes de pisar na área (10 gols em 22 jogos). A produtividade do brasileiro diminuiu (8 gols em 30 jogos) e sua influência sobre a equipe é fraca desde que sofreu uma lesão no bíceps femoral em Milão em novembro.

Essa lesão interrompeu um bom começo enquanto aumentava o protagonismo de Dembélé e Suárez, o líder da equipe durante os cinco jogos sem Messi. Valverde, no entanto, mantém sua confiança em Coutinho. "Certo ou errado, o que gosto nele é que sempre ousa, enfrenta o rival, tenta. Logo materializará as chances que aparecem", disse o treinador após o jogo em Girona.

"Coutinho é um jogador que te derruba no espaço de um azulejo. Tem drible, é ousado", comenta-se no vestiário do Camp Nou. "Você tinha que vê-lo nos treinos; seus chutes quase sempre são gol. Precisa que as coisas voltem a dar certo para ele, seu verdadeiro futebol, porque é muito bom e não podemos nos dar ao luxo de não tê-lo." Os colegas do brasileiro não acham que ele esteja "sobrecarregado ou mal, e sim preocupado por não estar no seu nível, embora tenha parecido mais confiante nos últimos jogos", afirma um deles. "Todos no clube lhe dissemos como é importante para nós. A verdade é que não temos dúvidas de que, quando precisarmos dele, estará pronto", concluiu outro de seus defensores no Barça.

O time precisa de Coutinho mais do que nunca para a disputa contra o Real Madrid nesta quarta-feira, com transmissão ao vivo pelo EL PAÍS, pela semifinal da Copa do Rei. Há sérias dúvidas sobre a participação de Messi e Dembélé, ambos com lesões, e Suárez acumula muitos minutos, já que foi titular contra o Girona, Sevilla e Valencia. Autor de dois gols contra o Sevilla — Messi deixou Coutinho bater o pênalti e abrir o placar —, além de converter a penalidade máxima que deu vida à equipe do Barça no campo do Levante, o brasileiro encontrou na Copa um torneio para se afirmar depois de seu desempenho irregular na Liga.

"Se você paga 160 milhões de euros [cerca de 670 milhões de reais no câmbio atual] por um jogador" — a contratação mais cara do Barça —, "é porque é importante", defendem membros do clube. "Por seu jeito de ser, precisa que o vento sopre um pouco a seu favor. Talvez tenha começado a pensar demais quando viu a eclosão de Dembélé", acrescentam. "Precisa se sentir importante, então é preciso lhe dar confiança e agir com naturalidade como Valverde faz agora". O técnico tenta recuperar o brasileiro com um carinho que se expressa de duas maneiras: o mantém como titular e procura não marcá-lo com as substituições, o que nem sempre consegue — foi substituído novamente contra o Valencia. "Futebolisticamente, sempre interagiu bem com Messi e Luis Suárez", concluem no Barcelona.

Ao contrário do uruguaio e do argentino, o brasileiro dificilmente carrega o time nas costas, e o jogo desta quarta-feira exigirá a melhor versão do 7: parece ser o clássico de Coutinho.