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Detido em São Paulo um dos autores de matança espanhola de 1977

Havia uma requisição da Interpol sobre Carlos García Juliá por conta da matança de Atocha



A polícia brasileira prendeu nesta quinta-feira em São Paulo Carlos García Juliá, que era procurado internacionalmente por sua participação em um ato terrorista de 1977, conhecido como a matança dos advogados de Atocha. A confirmação da prisão foi feita por fontes da embaixada da Espanha em Brasília.

O espanhol está sob custódia da Polícia Federal brasileira. O superintendente do órgão dará nesta sexta-feira uma coletiva de imprensa junto aos policiais espanhóis que participaram na operação para dar os detalhes sobre a captura e a possível extradição.

As autoridades espanholas solicitavam a extradição de García Juliá, que tinha 24 anos quando cometeu os assassinatos dos advogados de Atocha, e que foi condenado a 193 anos de prisão como autor material de cinco assassinatos.

No crime morreram em 24 de janeiro de 1977 três advogados trabalhistas, Enrique Valdelvira Ibañez, Luis Javier Benavides Orgaz e Francisco Javier Sauquillo, o estudante de direito Serafin Holgado e um funcionário administrativo, Angel Rodríguez Leal. Outras quatro pessoas ficaram feridas gravemente. O crime marcou a transição espanhola rumo à democracia após a morte, dois anos antes, do ditador Francisco Franco.

García Juliá tentou fugir em 1979, antes do julgamento, da prisão de Cidade Real na qual se encontrava. Após cumprir 14 anos de prisão, conseguiu que um juiz o autorizasse a viajar para o Paraguai quando estava em liberdade condicional, com a desculpa de que tinha uma oferta de trabalho. Em 1994, um tribunal solicitou a García Juliá que voltasse à Espanha. Ignorou o pedido. Dois anos depois, foi preso na Bolívia por tráfico de drogas e encarcerado em um presídio de segurança máxima de Palmasola (La Paz). Depois se perdeu seu paradeiro.

Quatro extremistas relacionados com o comando do crime foram condenados a 464 anos de cárcere. Lerdo de Tejada foi processado, mas não se sentou no banco dos réus. José Fernández Cerrá foi condenado a 193 anos, e Francisco Albaladejo, a 73 anos. Em sua sentença, a Audiência Nacional considerou que, junto ao também processado Leocadio Jiménez Caravaca, constituíam um "grupo ativista e ideológico, defensor de uma ideologia política radicalizada e totalitária, distante da mudança institucional que se estava operando em Espanha".