MANCHETES

BRASIL

VOCÊ SABIA ?

MUNDO

PARANÁ

VÍDEOS

CONFIRA!

MANCHETES DO DIA

audima

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Coronavírus força cancelamento de dezenas de eventos esportivos e perturba os Jogos de Tóquio


Vários torneios pré-olímpicos de basquete, futebol e boxe transferem suas sedes para fora da China

Agentes de saúde transportam um doente nesta quarta-feira em Yokohama. KAZUHIRO NOGI (AFP)

As autoridades esportivas mundiais veem com preocupação o surto do novo coronavírus de Wuhan e estão diante da decisão de suspender ou não a realização de eventos para evitar grandes aglomerações de público e minimizar o risco de contágio. Já foram suspensas competições nacionais e internacionais previstas para os próximos meses na China, como o Mundial de Atletismo de Nanquim, de março. A Fórmula 1, com um Grande Prêmio, o da China, marcado para 19 de abril em Xangai, deve decidir o que fazer diante do anúncio do comitê esportivo da cidade de que não serão realizados eventos esportivos até novo aviso.. Os organizadores do grande evento esportivo do ano, os Jogos Olímpicos de Tóquio (de 24 de julho a 9 de agosto), acompanham o surto com nervosismo. Vários torneios classificatórios foram transferidos para fora da China.


“Estou muito preocupado com a propagação do coronavírus. Pode afetar o ambiente e o impulso para a organização dos Jogos. Espero que isso seja resolvido o quanto antes”, afirmou Toshiro Muto, chefe do comitê organizador de Tóquio 2020, em uma reunião de coordenação de rotina em que foi discutida a propagação do vírus com foco na cidade chinesa de Wuhan, a menos de seis meses dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos na capital japonesa. Na segunda-feira, a agência antidoping chinesa (Chinada) comunicou ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que suspendeu os controles antidopagem de seus esportistas como consequência do estado de emergência sanitária decretado em seu país pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida busca evitar contatos de risco.

O coronavírus causou nas últimas 24 horas mais 65 mortes na China, elevando o total oficial pata 492. O número de infectados é de 24.367, quase 4.000 a mais que no dia anterior. O coronavírus 2019-nCoV pode provocar pneumonia, com sintomas como febre alta, tosse seca, dor de cabeça e dificuldade para respirar. Seu período de incubação médio é de três a sete dias, com um máximo de 14. A OMS declarou emergência internacional devido ao surto.

Até o momento, os organizadores da Olimpíada de Tóquio só tinham feito declarações genéricas sobre sua vontade de tomar “qualquer medida necessária” diante de “qualquer incidência de doenças infecciosas”, sem se referir especificamente ao coronavírus. Autoridades do Ministério de Saúde do Japão, da organização dos Jogos Olímpicos e de outros setores devem se reunir no final desta semana para analisar a situação e discutir possíveis medidas preventivas. O Comitê Olímpico Internacional e outros organismos encarregados dos torneios classificatórios para os Jogos decidiram transferir a sede de vários pré-olímpicos. Isso ocorreu com alguns de basquete feminino (de Foshan, China, para Belgrado, Sérvia), boxe (as eliminatórias da Ásia e Oceania trocaram Wuhan por Amã, Jordânia) e futebol feminino (um torneio classificatório entre seleções da China, Austrália, Taiwan e Tailândia foi transferido de Wuhan para a Austrália).

Fórmula 1
O Grande Prêmio de Fórmula 1 de Xangai corre o risco de não ser realizado em abril, depois que a cidade anunciou a suspensão de todos os eventos esportivos. Em um comunicado, a federação esportiva local assinalou que ficarão suspensos “até o final da epidemia” todos os eventos esportivos, apresentações, fóruns, intercâmbios com o exterior e outras atividades”. A decisão das autoridades da metrópole chinesa chega em um momento em que a imprensa especializada especula sobre o possível cancelamento ou adiamento da corrida. Segundo diversos veículos de comunicação, as autoridades da Fórmula 1 se reunirão ainda nesta quarta-feira para decidir se o evento, previsto para o fim de semana de 17 a 19 de abril, incluindo os treinos livres e classificatórios, será mantido ou não.

A Federação Internacional de Automobilismo anunciou domingo a suspensão da prova de Fórmula E (sua competição de monoblocos elétricos) que estava prevista para 21 de março em Sanya, no sul da China. Em um comunicado, a organização explicou que tomou essa decisão “para garantir a saúde e a segurança da equipe de viagem, dos participantes do campeonato e dos espectadores, que continuam sendo de vital importância”.

OUTROS ESPORTES AFETADOS
A Superliga chinesa de futebol também foi afetada pela decisão de suspender as competições esportivas até novo aviso. A Federação Internacional de Tênis chegou a anunciar a transferência da sede de um torneio, o do grupo Oceania da Fed Cup da Ásia (de Dongguan, perto de Hong Kong, para Nur-Sultan, Cazaquistão), antes de finalmente adiá-lo. A Copa do Mundo de esqui alpino, prevista para a semana que vem em Yanqing, ao norte de Pequim, também foi cancelada.

Republicanos cerram fileiras e absolvem Trump no processo de impeachment


Uma Câmara Alta fraturada vota o terceiro ‘impeachment’ da história. Apenas o republicano Mitt Romney rompe com o partido e condena o presidente



Um grupo de jovens de Minnesota, em viagem de estudos, protesta com cartazes contra Donald Trump no Capitólio, no dia do veredito.SARAH SILBIGER (AFP)

Donald Trump enfrenta a reta final de seu mandato encorajado e mirando a reeleição depois de ter superado o processo institucional mais grave da política norte-americana, o impeachment. O Senado votou na quarta-feira pela absolvição das acusações de abuso de poder e obstrução ao Congresso por causa de um escândalo de pressões contra a Ucrânia em busca de benefício eleitoral. Nunca houve incerteza, a maioria republicana da Câmara Alta protegeu seu líder desde o primeiro momento. O resultado definirá a pauta das próximas presidências.

AMANDA MARS
Washington - 05 FEB 2020 - 22:21BRT
Quando vista de perto, a história pode ser entediante e até vulgar. Nas duas semanas que durou o terceiro julgamento de um presidente desde a fundação dos Estados Unidos, senadores foram vistos fazendo palavras cruzadas e aviões de papel, cochilando e chupando balas na sala. As sessões ―que foram uma maratona, pois algumas duraram mais de 12 horas― mostraram como podem ser prosaicos os momentos supostamente cruciais de um país, especialmente quando o resultado pode ser deduzido.

Esta tarde, no entanto, dominaram os rostos sérios momentos antes da votação. Um a um, os senadores foram respondendo em voz alta ―alguns em pé― “culpado” ou” não culpado” aos chamados artigos do impeachment, abuso de poder e obstrução ao Congresso. Depois das quatro e meia da tarde, Donald Trump foi absolvido da acusação de abuso de poder por 52 votos contra 48, e da acusação de obstrução por 53 a 47, em uma divisão claramente partidária.

A condenação e a subsequente destituição do presidente, que nunca aconteceu antes, exigiam o apoio de dois terços do Senado, 67 dos 100 senadores, e as 53 cadeiras dos republicanos foram uma fortaleza. Somente Mitt Romney, senador por Utah que foi candidato à presidência em 2012, muito crítico com Trump, anunciou quarta-feira que votaria para condená-lo. “O presidente é culpado de um terrível abuso da confiança pública”, disse Romney em um breve discurso que teve de interromper algumas vezes, aparentemente emocionado. Ele se tornou o primeiro senador da história a votar pela destituição de um presidente de seu próprio partido.

O caso começou com a denúncia de um informante procedente dos serviços de inteligência, em um escrito datado de 12 de agosto, e se inflamou rapidamente. Em 24 de setembro a Câmara dos representantes anunciou a abertura da investigação prévia.

O presidente norte-americano foi acusado de abuso de poder pelas pressões sobre seu colega ucraniano, Volodymyr Zelenski, para fazer com que a justiça ucraniana anunciasse duas investigações que prejudicassem seus adversários políticos democratas, usando inclusive o congelamento de 391 milhões de dólares (cerca de 1,656 bilhão de reais) em ajuda militar e um convite para visitar a Casa Branca. Uma das investigações tinha a ver com Joe Biden, pré-candidato democrata, e seu filho Hunter, por seu trabalho em uma empresa de gás daquele país, a Burisma, quando o pai era vice-presidente. A outra tinha como objeto uma teoria desacreditada segundo a qual haveria uma campanha de ingerência lançada a partir da Ucrânia nas eleições presidenciais dos EUA de 2016 para favorecer os democratas.

A defesa republicana se levantou como um muro intransponível depois de semanas de depoimentos acusando o presidente. A instrução do processo mostrou toda uma rede de diplomacia paralela a serviço do presidente, na qual seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, desempenhou um papel fundamental, transmitindo as mensagens de pressão do presidente aos funcionários do país.

Vários republicanos reconheceram nos últimos dias que os fatos denunciados neste caso são verdadeiros e existem, mas não merecem um impeachment, como fez o senador Lamar Alexander. Ou que são “vergonhosos”, mas ainda assim o absolverão, como confirmou Lisa Murkowski. Outros, como Marco Rubio, simplesmente consideraram que, independentemente de sua justificativa, um impeachment neste momento não responde ao interesse geral do país.

Esse impeachment fala da política dos Estados Unidos, mas também de sua sociedade. Nenhum dos senadores sentiu que o voto desta quarta-feira poderia arruinar sua carreira política e Trump, desde o início do processo, viu seu índice de aprovação atingir o máximo de sua presidência (49%), segundo dados do Gallup, graças ―principalmente― ao bom andamento da economia. Também a de Clinton, em plena bonança e durante a operação Raposa do Deserto, tinha disparado a 73% pouco antes do veredito. Os sinais enviados pelos eleitores pesam no que acontece no Capitólio e o apoio à destituição de Trump nunca superou a barreira partidária dos eleitores: os democratas se mostravam esmagadoramente a favor e os republicanos, contra.

A diferença entre Trump e Clinton é que este chegou a se assustar quando suas mentiras foram descobertas, sentiu que poderia chegar o dia que chegou para Richard Nixon, no qual políticos de seu partido bateram à sua porta para avisá-lo que estavam retirando seu apoio, e pediu perdão. Nixon, encurralado, renunciou pouco antes que a Câmara dos Representantes aprovasse a acusação e o enviasse ao Senado para julgamento. Os Estados Unidos são um pouco mais cínicos desde Watergate. O livro Impeachment – Uma História Americana lembra que antes daquele escândalo mais da metade dos norte-americanos responderam em pesquisas que acreditavam que os presidentes faziam “a coisa certa” e essas porcentagens nunca foram recuperadas.

O primeiro impeachment da história, o do democrata Andrew Johnson (1868), terminou com a conclusão de que uma disputa política não deveria ser julgada como um crime; no de Clinton houve um debate nacional sobre a esfera privada e pública de um presidente, e sobre o grau de gravidade de mentir à nação. Que reflexão os Estados Unidos fizeram com o julgamento de Trump? É difícil identificá-la.

O julgamento, uma vez na Câmara Alta, foi encerrado rapidamente e sem o depoimento de algumas testemunhas que os democratas acreditavam vitais e que Trump vetou, porque tampouco para isso os democratas tiveram apoio dos republicanos. O torpedeamento do processo aberto na Câmara dos Representantes levou à acusação de obstrução. Todo impeachment, se disse muito em Washington nestes meses, define a pauta das presidências do futuro.

Frases duras foram pronunciadas nesse processo e momentos transcendentais foram vividos nas audiências. Um embaixador norte-americano, Gordon Sondland, disse que tinha pressionado a Ucrânia seguindo ordens do presidente. Outra diplomata, Marie Yovanovitch, em conflito com Trump, contou que chegaram a adverti-la para que “cuidasse de sua retaguarda” e que deixasse Kiev “no próximo avião”.

Os pais fundadores sabiam que o presidente do país que nascia iria acumular tanto poder que era preciso dotar a Constituição de um instrumento para destituí-lo em determinadas circunstâncias. Foi assim que surgiu o Artigo II, seção 4, que diz: “O presidente, o vice-presidente e todos os funcionários civis dos Estados Unidos serão destituídos do cargo quando forem acusados e declarados culpados de traição, suborno e outros crimes e faltas graves”. Nesta quarta-feira, o Senado dos Estados Unidos determinou que Donald Trump deve completar os 349 dias que restam de seu mandato. Na véspera do veredito, durante o discurso do Estado da União, ele se mostrou confiante e agressivo, atrevido. Em 3 de novembro de 2020, nas eleições presidenciais, ele se submeterá ao impeachment definitivo: será o dia em que os norte-americanos poderão elegê-lo para governar mais quatro anos.

O sugador de clitóris do qual todo mundo está falando


Foi um dos aparelhos eletrônicos mais comprados no último Natal. E sua simples menção provoca reações imediatas em qualquer reunião


LALALIMOLA

No princípio, sugar era um verbo. “Fazer (líquido) entrar na boca por meio de movimentos dos lábios e da língua, que formam um vácuo na cavidade bucal”, diz o dicionário Houaiss.


Celia Blancor
Não é o mesmo que lamber. Não é tão doce como sorver. Não faz tantas cócegas como soprar. Sugar implica algo a mais. Nos últimos tempos, basta pronunciar esse verbo para provocar uma reação imediata no respeitável público. As mulheres esboçam um sorriso; os homens ficam em alerta. Faça o teste, por favor. Mencione o sugador de clitóris ou Satisfyer em sua próxima reunião, e deleite-se.

O artefato não lembra em nada uma boca humana. Não suga líquido algum. Sua magia radica nas vibrações em que envolve a usuária. E, neste caso, o que envolve é um beliscão que penetra em nossas carnes. Um pedaço de carne desenhado apenas para que gozemos. São 8.000 terminações nervosas condensadas em 14 centímetros, dos quais mal vemos a pontinha. O dobro de terminações da glande masculina, com toda a importância que damos a esta última. As vibrações que o aparelho transmite são tão aceleradas, potentes e esmagadoras que ninguém, nem exercitando muito, poderia conseguir a mesma sensação com seus lábios e a língua. Você simplesmente derrete.

Deixamos que as mais jovens se acostumassem com a tecnologia e, nessa, começaram a ostentar sua sororidade: em vez de se calarem, como fizemos outras, contaram como estavam se divertindo. Os homens mexem no próprio sexo desde que nascem, mas as meninas nunca foram educadas para que soubessem o tremendo tesouro que têm entre as pernas. O clitóris não aparece nos livros educativos: ninguém fala do nosso prazer, então deixamos sua descoberta à improvisação. Até que chegou o Satisfyer, ou suas demais versões comerciais. Os detalhes sobre seu uso e desfrute animam qualquer reunião. É tema de conversas em todas as idades e contextos sociais. Não se via nada parecido desde que fomos apresentados ao iPhone.

Era questão de tempo até que a geração mais ligada na tecnologia descobrisse um aparelhinho com o qual obter o prazer sozinha. A espécie melhora, recorde. Agradeçamos que em vez de manter o segredo tenham contado umas às outras, mesmo que fosse em busca de curtidas. Bastou que o transformassem em trending topic para até o telejornal falasse a respeito.

Assim, 2019 foi o ano que destruiu todas as conclusões prévias sobre a masturbação feminina. Ao menos é o que se deduz das vendas de estimuladores de clitóris. O recorde absoluto de vendas cabe à Espanha, onde o Satisfyer foi um dos três aparelhos tecnológicos mais vendidos na Amazon durante a última temporada natalina: o da marca sueca Lelo diz ter registrado um aumento de 440% nas suas vendas nos últimos meses.

Imagino que o transformamos no amante perfeito porque, em menos de um minuto e meio, literalmente, lhe arranca um orgasmo. Que cada uma calibre, se for necessário, um clímax tão imediato, mas passamos tanto tempo acreditando que os orgasmos são coisa deles que, assim que aprendemos a tê-los, paramos de fingi-los.

O que não se entende é que haja homens que possam se ofender se o presente cai nas mãos de suas esposas ou namoradas. Cavalheiros que veem periclitar seu poderio porque sua senhora, finalmente, dorme tão satisfeita quanto eles. Não conheço nenhuma mulher que se ofenderia se aparecesse um masturbador capaz de conseguir o que qualquer uma de nós leva no mínimo 15 minutos. Mas bem que tentaria incluí-lo em seu repertório de brinquedos amorosos, e até o levaria na bolsa —por via das dúvidas—.

Quem dera mais homens o vejam como o que é: um aliado perfeito, e mais ainda para esses 20% de espanhóis que padecem de disfunção erétil. A tecnologia está aí para facilitar a nossa vida; afinal de contas, não me vou apaixonar por um aparelho. Vejamos se no próximo Natal damos sorte e o tema de conversa será quantas vezes convencemos nosso par a vir para a cama… com o bichinho!

O que significam os estranhos elogios de Lula a Bolsonaro?


Não podemos esquecer, e Lula não deveria esquecer, que Bolsonaro iniciou seu mandato querendo comemorar o aniversário da ditadura militar, e que insiste em negar que tenha sido uma

Apoiador de presidente eleito Jair bolsonaro observa a manifestação pró-Lula em Curitiba, em julho de 2019.HEULER ANDREY (AFP)

JUAN ARIAS
O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro jamais poderia imaginar que receberia tantos elogios da boca de seu grande antagonista político, o ex-presidente Lula. Claro que deve ser um cálculo estratégico do ex-sindicalista, que é mestre na arte de surpreender.

Os elogios a Bolsonaro, feitos em uma longa entrevista ao site UOL, parecem ditos por alguns de seus seguidores. Lula alertou os dele para que parem de julgar Bolsonaro com apenas um ano de mandato e lembrou que sua popularidade ainda pode crescer muito. Além disso, chegou a defendê-lo porque, segundo ele, há críticas que o presidente faz aos veículos de comunicação “que são corretas”. Segundo ele, Bolsonaro é uma vítima impedida de falar e que teve o mérito de demonstrar que é possível, com as redes sociais, prescindir dos meios de comunicação, jornais, rádio e TV.

Tudo isso em uma longa entrevista em que pôde falar com total liberdade. Para que tudo isso? Será que Lula, neste momento, precisava tecer esse panegírico sobre um presidente considerado, internacionalmente, alérgico aos direitos humanos e a todas as minorias?

Antes dos elogios a Bolsonaro, Lula também tentou, dias atrás, conquistar os evangélicos para sua causa. Chegou a dizer que sempre teve “jeitão de pastor” e que o lugar natural dessas Igrejas seria militando no PT.

Esse deslize de Lula ocorre, paradoxalmente, no momento em que, no Brasil, a classe democrática e pensante está obrigando Bolsonaro a recuar em seus arroubos autoritários, que às vezes beiram o fascismo e até o nazismo, como ocorreu no caso do secretário da Cultura Roberto Alvim, que o presidente foi obrigado, contra sua vontade, a demitir fulminantemente. Antes disso, o ministro de Relações Exteriores de Bolsonaro, Ernesto Araújo, tinha afirmado que Deus enviou Trump, juntamente com Bolsonaro, para salvar o Ocidente.

Em sua defesa de Bolsonaro, Lula, que na prisão tinha dito ao ex-juiz espanhol Baltasar Garzón que o novo presidente era um “perigo para o mundo”, enviou a seus seguidores a mensagem de que devem respeitar o fato de que o atual chefe de Estado foi eleito nas urnas pelo voto popular. Disse que ele tem todo o direito de governar durante os quatro anos de mandato e de tentar a reeleição. Isso é verdade, mas ambíguo na boca de Lula, que sabe muito bem que o impeachment de Dilma Rousseff não foi a primeira vez , e provavelmente não será a última, que um presidente eleito nas urnas acabou sendo destituído.

Hoje, não são poucos, entre os que elegeram Bolsonaro, aqueles que prefeririam vê-lo fora da Presidência, depois de ver sua forma autoritária de governar, a escolha de alguns de seus ministros, seus projetos perversos sobre a Amazônia, sua visão ofensiva dos indígenas e seus arroubos fascistas contra os veículos de comunicação. Como explicar então os elogios feitos por Lula?

Bolsonaro, graças à resistência da sociedade, que disse não às suas loucuras autoritárias, viu-se obrigado a dizer e desdizer, a demitir ministros que havia nomeado, em um vaivém de contradições que indicam que ele começa a perceber que não pode fazer o que quer. E que não é verdade que é ele quem manda, no sentido de que pode governar como quiser e conforme sua idiossincrasia, desprezando a Constituição.

Não podemos esquecer, e Lula não deveria esquecer, que Bolsonaro iniciou seu mandato querendo comemorar o aniversário da ditadura militar, e que insiste em negar que tenha sido uma. Nem seus projetos de exterminar a esquerda a qualquer custo e de transformar a Amazônia, coração verde não só do Brasil, mas também da Humanidade, em um deserto de petróleo ou um pasto de gado ―e os brasileiros, até mesmo os adolescentes, em um exército de pessoas armadas prontas para matar―.

É duro ouvir de Lula uma defesa do comportamento de Bolsonaro com a mídia. É verdade que Bolsonaro tem todo o direito de governar um país que lhe deu os votos abundantes para isso; mas para quem tem uma alma e um coração democrático não é fácil esquecer que, por exemplo, no 75º aniversário da libertação de Auschwitz, Bolsonaro preferiu viajar para a Índia em vez de ir àquela manifestação mundial contra o Holocausto.

É duro fazer elogios ao presidente Bolsonaro, que chegou a destacar que um de seus bisavôs tinha sido soldado de Hitler. Sobre o fundador do nazismo, Bolsonaro chegou a dizer que foi um “grande estrategista” e que “qualquer general, no Brasil ou em qualquer exército do mundo, tem que estar pronto para aniquilar outro país, destruir outro país, para defender o seu povo”.

Um dia os especialistas deverão analisar a linguagem do Bolsonaro, repleta de uma força aterradora. Seus verbos mais usados costumam ser: destruir, aniquilar, atirar, deportar. Raramente aparecem em sua boca e em suas mensagens palavras como paz, diálogo, convivência, liberdade e respeito pelos que sofrem por causa de suas diferenças.

“Sou capitão, ele é pacifista”, disse Bolsonaro diante do memorial de Gandhi na Índia. Uma mensagem cifrada. Poderia ser lida assim: “Não posso ser pacifista porque sou militar”. Gandhi pregava o perdão para pacificar a Índia. A missão de Bolsonaro é o ataque, embora à custa de aniquilar quem não pense como ele. Será que Lula continuará tecendo elogios ao soldado presidente Bolsonaro que, como ele mesmo revelou, dorme com uma arma do lado da cama?

E antes que algum leitor me lembre disso, é verdade que anos atrás, em uma entrevista à revista Playboy, o então sindicalista Lula, ao ser indagado sobre os personagens que mais admirava, respondeu que, além de Gandhi e Luther King, também admirava Hitler. É de se esperar que os anos e sua experiência posterior tenham feito o Lula democrático se arrepender daquela afirmação infeliz. Ou nos veríamos forçados a pensar que talvez Lula e Bolsonaro não sejam tão diferentes como parecem. E que até buscam um acordo.

Sinceramente, prefiro pensar que não, já que estamos diante de duas biografias bem diferentes, embora satanás, no campo do poder, tenha tentado até Jesus Cristo: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mateus 4:9).

Será que a busca pelo poder permite e perdoa tudo? A verdadeira riqueza na política e na vida é a liberdade de espírito das pessoas para quem não existem nem santos nem demônios, e sim mulheres e homens como nós de mãos dadas no caminho rumo à terra da liberdade.

Começa a corrida pela cadeira de Maia; aliado de Moro lança candidatura


Líder da Bancada da Bala quer comandar a Câmara nos próximos dois anos



Por Evandro Éboli


Líder da Bancada da Bala, o deputado Capitão Augusto (PR-SP) será candidato a presidente da Câmara.

Augusto é o principal porta-voz do ministro Sergio Moro na Câmara. Reagiu duramente à iniciativa de Jair Bolsonaro em recriar o Ministério da Segurança Pública e, assim, esvaziar o ex-juiz de Curitiba.

É o defensor número 1 de seu pacote anticrime.

O deputado tem o hábito de andar com farda da Policia Militar pelos corredores. Sua candidatura tem o apoio de seu grupo político. Se tem força para ganhar, é outra história.

Fonte:Vejaonline

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

À espera de Bolsonaro, Onyx se agarra à Casa Civil esvaziada


Ministro levou mensagem de presidente ao Congresso em cerimônia pouco concorrida. Momento de maior atenção foi para anúncios sobre retirada de brasileiros da China por causa do coronavírus. Planalto promete assinar MP

Davi Alcolumbre, Onyx Lorenzoni e Rodrigo Maia, na Câmara nesta segunda-feira.ADRIANO MACHADO / REUTERS (REUTERS)


Em pouco mais de 12 meses o deputado federal licenciado e ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), passou de homem forte do Governo Jair Bolsonaro, responsável por fazer a articulação com o Congresso Nacional, coordenar as ações da secretaria de assuntos jurídicos e o programa de privatizações, a um conselheiro que, como prêmio de consolação, coordena reuniões entre os ministros ou representa o chefe na abertura do ano legislativo. O evento no qual compareceu nesta segunda-feira, no plenário da Câmara, foi tão esvaziado como os seus poderes, tinha menos de 150 dos 594 parlamentares brasileiros. Segundo interlocutores, Lorenzoni só não deixou o Governo porque não queria sair pelas portas dos fundos e também porque espera ser realocado em alguma outra pasta que venha a ficar vaga.

Nas últimas semanas, enquanto Lorenzoni estava em férias, viu três assessores serem demitidos por Bolsonaro. Todos direta ou indiretamente envolvidos no escândalo de José Vicente Santini, o então secretário-executivo da Casa Civil que perdeu o cargo por ter voado entre a Suíça e a Índia em um uma aeronave da Aeronáutica. Outros ministros do Governo fizeram a viagem em aeronaves comerciais. De pronto, também deixou a sua alçada o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). O ministro da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, afirmou que o PPI deixou a Casa Civil para dar celeridade ao programa. Agora, está no ministério da Economia.

Ao longo de 2019, a articulação política já havia sido retirada da Casa Civil, assim como a secretaria de Assuntos Jurídicos, que analisa questão legal de cada projeto ou decreto presidencial. Sob o guarda-chuva do ministério agora só estão a coordenação interministerial e a Comissão de Ética Pública, sob o qual, na prática, não é possível haver nenhuma ingerência.

Nesta segunda-feira, a reportagem entrevistou oito parlamentares que se declaram independentes ou governistas. O pedido era para que eles analisassem a situação do ministro no cargo. Sete disseram que Lorenzoni só segue no Governo porque Bolsonaro não quer se desfazer do primeiro parlamentar que organizou reuniões em apoio à sua candidatura. Apenas um diz que o ministro continua na função por suas qualidades, uma delas de ter lançado e apoiado a vitoriosa campanha de Davi Alcolumbre (DEM-AP) à presidência do Senado. “É claro que o presidente está descontente com o Onyx, mas ele não quer ficar mais marcado por abandonar seus apoiadores de primeira hora”, avaliou um deputado.

No ano passado, Bolsonaro demitiu dois dos quatro representantes de seu núcleo duro. Gustavo Bebianno, que coordenou a campanha do presidente, deixou a Secretaria-Geral. E o general Carlos Alberto Santos Cruz, um dos primeiros apoiadores militares, foi demitido da Secretaria de Governo. Além deles, o outro representante desse núcleo é o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Uma brincadeira recorrente entre os deputados era de que Onyx hoje “só tem a mesa e a cadeira. Nem caneta ele tem mais”.

Coronavírus e outros ministérios
Desde que antecipou o seu retorno das férias, na última sexta-feira, o ministro já sinalizou ao presidente que está à disposição dele para cumprir a função que Bolsonaro achar melhor. Ao menos dois ministérios estariam no radar dele: Educação e Desenvolvimento Regional. O primeiro é chefiado por Abraham Weintraub, que foi indicado ao cargo pelo próprio Lorenzoni, está sendo “fritado” pelas falhas no Exame Nacional do Ensino Médio e pelas polêmicas que compra nas redes sociais. O outro ministério é comandado por Gustavo Canuto, um técnico com pouco apoio político. Se conseguisse ser transferido para um deles seria uma espécie de “queda para cima”. “Não faria muito sentido mudá-lo de um ministério para outro, ainda mais se for para Educação, que é um dos mais ricos influentes e poderosos. Mas o que faz sentido no nosso Governo?”, indagou uma parlamentar bolsonarista.

Oficialmente, o ministro nega a intenção de deixar o Governo e defende a permanência de Weintraub. Questionado pela rádio Gaúcha se alguém havia puxado o seu tapete no ministério, respondeu que ele, na verdade, é uma espécie de escudo de Bolsonaro. “A função da Casa Civil é de proteção absoluta do presidente. Muitas vezes quem tem que dizer ‘não’ sou eu. As pessoas não gostam de ser contrariadas. Tem momentos que as pessoas não gostam do ‘não’ que eu digo.”

Enquanto segue no cargo, Lorenzoni levou ao Congresso a mensagem presidencial com o que considera destaques legislativos para o ano: a reforma tributária, o programa verde e amarelo (de flexibilização do emprego), a independência do Banco Central, a privatização da Eletrobrás, o plano de promoção do equilíbrio fiscal, o novo marco legal do saneamento e o pacote econômico enviado no ano passado.

Na mensagem enviada ao Congresso, o presidente quis dividir os louros do que considera sucesso de seu Governo com o Parlamento. “O Brasil já mudou. E agradecemos imensamente ao Congresso Nacional por construir conosco este novo momento. Um momento de muitos resultados positivos e de esperança para nossa nação”, mandou dizer. Na prática, contudo, ele não prestigiou os parlamentares porque viajou a São Paulo para inaugurar a pedra fundamental de um colégio militar, reunir-se com dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e visitar as instalações da TV Bandeirantes.

Na prática, o momento em que Onyx atraiu a maior atenção foi quando falou sobre epidemia do coronavírus. Após o evento, o ministro disse à imprensa que o Governo está estudando maneiras de trazer os brasileiros que estão em Wuhan, na China, para o Brasil. A região chinesa é o principal foco da doença, que já matou 425 pessoas e tem deixado as autoridades de saúde do mundo inteiro em alerta. O Governo promete publica em breve uma medida provisória que trata da remoção e quarentena dos brasileiros, ainda sem local definido. Além disso, uma licitação será aberta para contratar uma aeronave que faria o transporte dos cidadãos. Lorenzoni afirmou que apenas os assintomáticos embarcarão no avião.

Já autoridades do Ministério da Saúde anunciaram que, apesar de o país não ter confirmado nenhum caso de coronavírus, o Governo vai declarar emergência em saúde pública para dar mais agilidade para os trâmites de repatriação. À noite, ao retornar a Brasília, Bolsonaro confirmou que vai assinar uma medida provisória sobre o assunto: "O Parlamento em tempo recorde vota qualquer coisa para a gente cumprir essa missão na China”, defendeu.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Zaz ao vivo



Rosto de Bolsonaro feito de lixo estampa pôster da banda russa Pussy Riot no Brasil

Um amontoado de barris de lixo tóxico, poluição e armas compõe um mosaico que dá forma ao rosto do presidente Jair Bolsonaro. A ilustração estampa o pôster do show do grupo feminista Pussy Riot.


Detalhe de cartaz da banda russa Pussy Riot, com a imagem de Bolsonaro feita de lixo (Foto: Reprodução)

A banda russa se apresenta em São Paulo na quinta-feira (30), como parte do festival Verão Sem Censura, promovido pela prefeitura da cidade.

Em postagem na página oficial da banda no Facabook, lê-se: "Sobre esta cabeça feita e cheia de restos [lixo], as Pussy Riots cantam e dançam. Façamos aqui nossa revolta sobre esta cabeça monumento-destruição".

"Somos agora Pussy Riots espalhados por todo o planeta e aqui no Brasil vamos cantar, dançar e nos revoltar como se estivéssemos sobre esta cabeça-busto-desgoverno-monumento-vazia de ideias. E façamos dela detritos!!!"

Em 2012, as integrantes do Pussy Riot fizeram uma apresentação performática na catedral de Cristo Salvador, um dos principais templos da Igreja Ortodoxa Russa, em Moscou.

Vestiram gorros para o cobrir o rosto --até então, até mesmo quando davam entrevistas, eram anônimas - e tocaram o que classificaram como uma oração punk, "Virgem Maria, Tire o Putin do Poder". A performance, que criticava o apoio da Igreja ao político, durou 90 segundos, foi ao YouTube, e causou reboliço no país.

Em abril de 2019, a produção do grupo Dead Kennedys, para a divulgação de turnê pelo Brasil, criou um pôster exclusivo para o país. A família do palhaço Bozo está vestida com camisetas da seleção brasileira segurando armas. Para completar o cenário, tanques de guerra e uma favela pegando fogo. Um dos personagens diz: "Eu amo o cheiro de gente pobre morta pela manhã". Os shows acabaram sendo cancelados.

Dead Kennedys divulga pôster de turnê de 40 anos no Brasil; imagem traz palhaço Bozo e sua família em frente a uma favela em chamas Cristiano Suarez Dead Kennedys divulga pôster de turnê de 40 anos no Brasil; imagem traz palhaço Bozo e sua família em frente a uma favela em chamas. (FolhaPress)