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A direita não é mais aquela! Comeram a inteligência dela! Larárárá…

A ditadura militar teve um guru. Chamava-se Golbery do Couto e Silva. General e estudioso de geopolítica (tem um livro excelente, embora chatíssimo, sobre o tema), foi um dos principais teóricos da doutrina de segurança nacional, idealizada nos anos 50 na Escola Superior de Guerra e depois exportada para várias ditaduras latino-americanas da época.



Por Paulo José Cunha

Tinha como eixo o apoio ao capitalismo clássico e o combate a qualquer “ideologia exótica”. Por inspiração de Golbery, o primeiro ditador, General Castelo Branco, criou o temido Serviço Nacional de Informações, o SNI, o “Ministério do Silêncio”, a partir de cujas indicações eram cassados mandatos e suprimidos direitos. Mas seus agentes praticaram tantos crimes e arbitrariedades que o próprio Golbery reconheceria, anos depois: “Eu criei um monstro”. Apesar disso, era reconhecido pela sua inteligência e sagacidade. O cineasta Glauber Rocha causou furor ao declarar que Golbery era “o gênio da raça”.

Daquele tempo pra cá a direita brasileira emburreceu muito. Na ampla maioria de seus quadros impera ruidosa imbecilidade e truculência. Ganha uma mariola e um cigarro Yolanda quem se lembrar de um expoente da direta brasileira neste momento a quem se possa atribuir o título de pessoa minimamente inteligente.

O governo de Jair Bolsonaro, que está pra começar, também já elegeu seu guru. É o astrólogo e “filósofo” de botequim (com todo o respeito aos botequins) Olavo de Carvalho. Já indicou alguns ministros do futuro governo e deve ser o oráculo a quem Bolsonaro e sua trupe recorrerão em busca de conselhos nos momentos críticos (e bota crítico nisso) que o futuro governo enfrentará.

Os Estados Unidos apoiam o Estado Islâmico!

Difícil prever o tamanho do desastre que poderá advir se o futuro governo aceitar as indicações de Olavo de Carvalho. Compilando uma coleção das imbecilidades que já proferiu, vale destacar algumas para alegrar o leitor.

Continue a leitura mas por favor não ria muito alto. Pois esse farsante que se diz filósofo foi capaz de afirmar, sem prova alguma, como de resto tem feito em todas as suas declarações, que os Estados Unidos estão trabalhando juntamente com o Reino Unido pela ascensão islâmica mundial! “Eu digo para vocês: o Príncipe Charles é membro de uma tarica. Ele protege um sheik islâmico”. Eu avisei pra não rir. Não me desobedeça!

De outra feita, Olavo de Carvalho disse que existem sinais claros (não disse nem vai dizer quais) de que há um movimento mundial de extinção das religiões, principalmente a católica. Aqui no Brasil, segundo ele, Dilma Roussef e Gilberto Carvalho estão por trás desse trabalho.

Só pra constar, eu, PJC, o locutor que vos fala, não vou com a cara de nenhum dos dois. Mas daí a achar que estão trabalhando pelo fim das religiões no mundo vai uma distância maior do que a burrice posuda de Olavo de Carvalho.

Combustíveis fósseis não existem!

Da coleção de idiotices do sujeito, há uma que chega abaixo do nível do pré-sal. Pois o cabra teve o desplante de dizer, sem se ruborizar nem deixar cair o cigarro, que os combustíveis fósseis... não existem! E com a cafajestice que lhe é peculiar, garantiu que já foram encontrados hidrocarbonetos numa galáxia que fica “na puta que o pariu, onde nunca teve dinossauro nem fóssil, porra”.

Portanto, “combustível fóssil é o cu da sua mãe!”. Eu já mandei você não rir, leitor. Estou começando a me zangar. E afaste as crianças, que aqui tem palavrão!

Uma das principais características de qualquer idiota é acreditar sem checar a fonte ou verificar as provas. Olavo de Carvalho afirma com absoluta convicção que a Pepsi-Cola “está usando células de fetos humanos. E essa denúncia foi para uma agência do governo, que não sei o nome, e ela disse que isso é um procedimento comercial normal! Portanto, ao beber Pepsi-Cola você é um abortista terceirizado”.

Olha, se você continuar a rir eu juro que paro esta coluna bem aqui!

Das pérolas olavianas, uma das mais criativas e basbaques é a afirmação dele de que não existe qualquer prova de que o sistema descoberto por Copérnico (sol ao redor do qual giram planetas, ao redor dos quais giram satélites) seja real. Mais adiante, na mesma entrevista, Olavo, o Gênio, afirma com todas as letras que Albert Einstein, diante da falta de provas para confirmar o sistema copernicano preferiu modificar a física inteira. E introduziu conceitos como a curvatura do espaço, que o gênio Olavo diz não ter entendido. Eu, o locutor que vos fala, também não entendo. Mas Einstein é Einstein. E eu sou apenas um pobre diabo, que Olavo, o Sábio, não admite ser.

Teria a consciência vindo do dedão do pé?

Ele afirmou também, com toda a convicção, que não há nenhuma prova de que a consciência seja causada pelo cérebro. Mas não disse de onde ela poderia vir. No caso dele, suspeito que a consciência tenha vindo, sei lá, do dedão do pé.

Esse lunático afirma sem perder a pose de sabichão, entre outras sandices, que “a história da origem das ciências é tudo empulhação, não foi nada disso que aconteceu”. Caramba, quando vai parar de rir, cacete!

Agora eu vou deixar você rir um pouquinho, porque essa é ótima: “A União Soviética foi quem armou a Alemanha nazista, em segredo. Não haveria nazismo nem Alemanha nazista se não fosse o plano de Stálin de usar a Alemanha nazista como ponta-de-lança da revolução. O Stálin planejou toda a Segunda Guerra usando os nazistas como instrumentos, isto está mais do que provado!”

Pronto, já riu o suficiente. Agora, é pra ficar sério, senão eu vou continuar a lhe fazer cócegas. A última dele foi dizer que “o fundador do Haiti dedicou o país a Exu, daí os terremotos que destruíram o país. Da mesma forma como Louisiana, devastada pelo furacão Katrina, é a central da macumba nos Estados Unidos”. E conclui dizendo que os negros americanos são os mais felizes do mundo porque, em sua maioria, são protestantes... Baianos, fujam já daí que a qualquer momento pode ocorrer um terremoto ou um furacão mais forte do que Ivete Sangalo que vão devastar a Bahia!

Ministério de suspeitos e denúncias contradizem Bolsonaro e chateiam 'bolsominions'

Primeiro escalão do novo governo será comandado por investigados por escândalos, caixa 2 em campanha, omissão de patrimônio e outros indícios de corrupção e fraudes



Por  RBA

São Paulo – O governo de Jair Bolsonaro já tem os seus 22 ministérios desenhados – sete a mais do que os 15 que o então candidato prometia durante a campanha. Mais que isso, algumas escolhas vão na contramão do discurso moralista que rendeu parte dos votos ao presidente eleito e que foi reforçado por seu pronunciamento em dia 31 de outubro. Naquela ocasião, três dias depois de ser eleito, o ex-capitão também prometia a exclusão de corruptos de seus ministérios. A definição dos titulares das pastas porém, traz investigados em denúncias de crimes eleitorais, omissão de patrimônio e fraudes.


O último nome a compor o primeiro escalão do novo governo foi anunciado neste domingo (9): o advogado Ricardo Salles, para o Meio Ambiente. O futuro ministro foi secretário estadual do Meio Ambiente do governo de Geraldo Alckmin (PDB) em São Paulo. Em sua gestão no governo paulista, Salles atuou contra os institutos de pesquisa, operou transações com imóveis estaduais e alterou de maneira irregular o plano de manejo da Várzea do Tietê, área de proteção ambiental, para beneficiar empresários ligados à Fiesp.

Em maio de 2017, o mais novo ministro de Bolsonaro se tornou réu após o Ministério Público Estadual (MPE-SP) ajuizar ação civil pública ambiental e de improbidade contra ele. 

Nomeações como essa pelo futuro presidente resultaram em repercussões negativas entre seus eleitores. Nas redes sociais, a indicação do próprio Ricardo Salles é contestada. "Não era para ser técnico? E ainda um cara investigado por improbidade?", questiona um eleitor, no Twitter, ao lembrar que o presidente prometeu trazer nomes "não políticos" em seu governo.

Os  futuros ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde) também são igualmente questionados pela comunidade bolsonarista. "Não estou acreditando. Fincamos os pés no céu, mas, agora, o senhor nos tirou o ar. Tô muito puta com o senhor!", diz uma eleitora, ao comentar a indicação de Salles.

No Facebook, um grupo de apoiadores de Bolsonaro anunciou o cancelamento de uma excursão que sairia de Castanhal-PA para acompanhar a posse do presidente eleito, no dia 1º de janeiro. "Passada a euforia, muitos se decepcionaram com as alianças políticas e, por fim, essas denúncias de corrupção envolvendo grande parte da família do presidente", diz a publicação, referente à "movimentação atípica" de R$ 1,2 milhão envolvendo o assessor de Flávio Bolsonaro.

Onyx Lorenzoni
As palavras de Bolsonaro de combate à corrupção começaram com a nomeação de Onyx Lorenzoni para assumir a Casa Civil. Em maio de 2017, o então deputado federal do DEM pelo Rio Grande do Sul admitiu publicamente ter recebido R$ 100 mil em fundos secretos do frigorífico JBS, nas eleições de 2014, configurando o crime de caixa 2, o qual o juiz Sérgio Moro considerou perdoável depois de Lorenzoni ter reconhecido o erro e pedido "desculpas".

No último dia 4, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou a abertura de apuração sobre o pagamento de caixa 2 ao futuro Chefe da Casa Civil. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), os delatores da JBS dizem que houveram dois repasses de R$ 100 mil: um em 2014 e outro, em 2012.

O futuro Chefe da Casa Civil já foi investigado por supostamente receber R$ 175 mil em propinas da Odebrecht. Porém, em junho deste ano, o inquérito sobre Lorenzoni foi rejeitado pelo STF.



Paulo Guedes
Chamado de "posto Ipiranga de Bolsonaro", o futuro super-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, também está sob duas investigações separadas por fraudes em fundos de investimento. 

Desde o começo de outubro,Guedes é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por gestão fraudulenta e temerária à frente de fundos de investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a cinco empresas estatais.

As principais suspeitas envolvem os aportes no FIP BR Educacional que, no primeiro ano aplicou todo o dinheiro recebido dos fundos de pensão na HSM Educacional – agora chamada BR Educação Executiva, na qual ele era membro do Conselho de Administração. A HSM Educacional adquiriu uma empresa argentina, fora do negócio, por R$ 16,5 milhões. O negócio não foi bom e ambas as empresas acabaram perdendo dinheiro para os acionistas nos anos seguintes.

A segunda investigação envolvendo o "guru econômico" de Bolsonaro é sobre uma possível fraude de investimento que sua empresa fez na Enesa Participações. Acionistas confiaram no julgamento do economista com R$ 112 milhões. Gerido pela BR Educacional, empresa ligada a Paulo Guedes, o FIP causou perda total aos seus cotistas, entre eles o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica (Funcef), que detinha 20% de suas ações.

Marcos Pontes
O astronauta Marcos Pontes, futuro chefe do novo Departamento de Ciência, Tecnologia e Comunicação, a ser criado, também não possui sua ficha limpa. De acordo com o The Intercept Brasil, o tenente-coronel da Reserva da Força Aérea Brasileira, escondeu ativos por mais de uma década e violou o Código de Conduta Militar.

Pontes foi investigado por supostamente possuir sociedade na empresa Portally Eventos e Produções. O astronauta, no entanto, sempre negou sua associação com a Portally, já que o Código Militar Brasileiro proíbe que militares participem de qualquer atividade comercial enquanto estiverem no serviço ativo. 

Após a investigação contra ele caducar na Justiça, Marcos Pontes, que já estava em regime de reserva naquele momento, tornou-se o principal acionista da empresa, detendo 80% do controle.

Luiz Henrique Mandetta
Escolhido para assumir o Ministério da Saúde em 2019, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) é investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 na implementação de um sistema de informatização da saúde em Campo Grande, capital de seu estado, onde foi secretário.

A denúncia é de que o deputado tenha influenciado na contratação de empresas para o serviço, conhecido como Gestão de Informação da Saúde (Gisa), em troca de favores em campanha eleitoral. De acordo com a Folha de S.Paulo, em uma ação civil pública, na qual Mandetta é alvo, a Justiça do Mato Grosso do Sul mandou bloquear um valor total de R$ 16 milhões de bens dele e dos demais envolvidos.

Augusto Heleno
O chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Bolsonaro será o general Augusto Heleno. O indicado para ser o responsável pela agência federal foi condenado em 2013 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por assinar convênios ilegais de R$ 22 milhões para os Jogos Militares de 2011, sediados no Rio. A condenação foi confirmada em 2016 e ordenou que ele pagasse uma multa de R$ 4 mil.

De acordo com a decisão do Tribunal, os institutos, que deveriam prestar serviços durante os jogos, não poderiam ter sido contratados sem um concurso público, além de não haver provas de que as parcerias beneficiariam o exército.


Tereza Cristina
O primeiro escalão do presidente de Bolsonaro também contará com a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), como ministra da Agricultura. Ela é tratada pelo apelido Musa do Veneno, dado pelos próprios ruralistas quando, em maio, promoveu uma festa para comemorar a aprovação do chamado Pacote do Veneno –projeto que revoga a atual Lei dos Agrotóxicos e flexibiliza as regras para o uso de pesticidas agrícolas, muitos deles proibidos nos Estados Unidos e Europa.

Quando foi Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário e Produção do governo do Mato Grosso do Sul, Tereza concedeu incentivos fiscais à JBS na mesma época em que arrendou propriedade ao grupo, entre 2011 e 2012. Em 2014, ela recebeu mais de R$ 100 mil em doações de campanha do frigorífico. Eleita pela primeira vez em 2014, ela acumulou um aumento de quase 50.000% em seus ativos desde então.

Da transição às amizades
Apesar de até agora não possuírem pastas no futuro governo Bolsonaro, outros nomes que cercam o presidente eleito são questionáveis. Um dos principais exemplos é Julian Lemos, líder do PSL no estado da Paraíba e membro da equipe de transição. 

Em 2011, Lemos foi condenado por fraude ao usar um certificado falso para garantir um contrato entre sua empresa e o estado da Paraíba. Lemos se declarou inocente e recorreu da decisão, e antes do segundo julgamento, o crime foi enquadrado no chamado estatuto de limitações e Lemos não enfrentou nenhuma punição.

Ele também foi acusado de violência doméstica por sua ex-mulher e sua irmã, e foi preso uma vez sob a acusação. Embora as duas mulheres mais tarde tenham recuado seus testemunhos, um exame mostrou diversas feridas no corpo de sua irmã. A investigação está em andamento.

Amigo íntimo do futuro presidente, o senador Magno Malta, que se disse "chateado" por não ser nomeado ministro no novo governo, não possui um bom histórico. Em setembro, um jornal do Espírito Santo revelou que Malta acusou falsamente, em 2009, o cobrador de ônibus Luis Alvez Lima, de estuprar sua própria filha de dois anos. 

O cobrador ficou detido por nove meses. Durante esse período sofreu torturas com espancamentos, choques, asfixia e imersão em água gelada. Sofreu descolamento das retinas devido às agressões e perdeu 80% da capacidade de visão do olho esquerdo. A lesão é irreversível e progressiva. Futuramente, ele deverá ficar cego.

O The Intercept Brasil também revelou, em setembro, que Malta gastou meio milhão de reais de dinheiro dos contribuintes em dois postos de gasolina entre setembro de 2009 e julho passado – o valor corresponde a uma quantidade de combustível que seria suficiente para um carro circular duas vezes na Terra.

Bolsonaro chegou a dizer que Malta, seu "braço direito" poderia ser o chefe do Departamento de Família, no entanto, a má reputação de Malta o manteve fora da administração do futuro governo.

Outro que chegou perto de ser ministro do novo governo foi o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), flagrado em uma conversa telefônica reclamando do baixo valor de uma propina. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou o parlamentar, em setembro, por cobrar propina em contratos de transporte no DF. 

Em um vídeo, Bolsonaro anunciou que Fraga estaria com ele no Palácio do Planalto. "Eu já posso anunciar que Fraga será o único a coordenar a bancada (parlamentar pró-arma) em minha administração", disse em outubro. Após outra repercussão negativa, o presidente eleito voltou atrás na decisão.

Juiz vê cinismo de Moro ante possível lavagem de dinheiro envolvendo Bolsonaro

Para magistrado, denúncias do Coaf configuram crime, enfraquecem o eleito e "encarecem" relação com Congresso. Ele critica ainda manifestação do futuro ministro da Justiça: "É cínico. Deveria pedir exoneração"


Por Cláudia Motta, da RBA

São Paulo – Para o juiz aposentado Marcelo Tadeu Lemos de Oliveira, não foi surpresa a denúncia surgida de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em torno da família Bolsonaro. O órgão, subordinado ao Ministério da Fazenda, apontou movimentação financeira suspeita de um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL/RJ), o policial militar Fabrício José Carlos Queiroz. “A família Bolsonaro foi toda construída dentro da estrutura do Estado”, afirma.

“Toda aquela retórica de anticorrupção nunca existiu. Imagine um parlamentar com 30 anos de legislatura no estado do Rio de Janeiro e todos esses episódios lá e nada disso ele tinha conhecimento? Claro que tinha. Agora está provado e não só sabia como dele se utilizou”, ressalta.

Segundo Oliveira, da forma como está construído o sistema político, todos os partidos utilizaram um caminho que não é formalmente correto. “Ele seria diferente de quê, esse homem puro veio de onde, do Rio de Janeiro? Família Bolsonaro pura, do Rio de Janeiro? Como é possível? Seria um aborto da natureza”, ironiza.

Sobre o R$ 1,2 milhão movimentado pelo assessor e os valores transferidos para a conta de Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama, o ex-juiz acredita que a família não vai ter como justificar. “Um ex-soldado PM, com remuneração de 8 mil contos, como é que vai movimentar isso. Eu, como juiz de direito, passo anos pra ter essa quantia na minha conta”, compara. “As justificativas apresentadas até agora são fraquíssimas, acho até que vão optar em ficar em silêncio porque não vão ter como corrigir o que está lá. Não tem como.”

As consequências da denúncia para o presidente eleito, Jair Bolsonaro, são muito graves, na opinião de Oliveira. “Vai tomar posse já enfraquecido e, se precisar do Congresso para a governabilidade, vai ficar mais caro ainda o apoio, não só para implementar as ideias macabras dele, como para se manter no poder. Qualquer movimento que implique numa fragilidade de apoiamento político, pode levar a uma cassação.”

Para o advogado, Bolsonaro vai tomar posse precisando mais do que nunca do Congresso. E acha, ainda, que o ex-capitão perde força para escolha dos presidentes (da Câmara dos Deputados e do Senado). “Estavam batendo forte na pessoa do senador Renan Calheiros, por exemplo, na disputa à presidência do Senado. Flavio Bolsonaro, que vai tomar posse como senador, que tinha no seu gabinete esse PM lotado e nomeado por ele, dizia que Renan não seria nunca (o presidente do Senado) porque afinal de contas era um homem cheios de processos, com corrupção. E agora, Flavio?”

Nada disso, no entanto, é um acaso, na opinião de Marcelo Tadeu. “Aparecer isso agora é uma resposta, um aviso que está sendo dado à família Bolsonaro. Ou ele se alinha e se ajusta ou dança”, avalia. “Essa é a opinião de quem foi magistrado por 25 anos e já foi candidato a deputado federal, no microssistema político de Alagoas. Bolsonaro entra com a corda no pescoço e o Congresso pode puxar a qualquer momento.”

Moral inabalável?
Agora advogando em Maceió (AL), Recife (PE) e Brasília (DF), Oliveira diz ter “certeza” de que é muito constrangedor para Sergio Moro fazer parte de um governo como esse. “Para quem alardeou para o povo brasileiro que se tratava de um juiz de uma atuação do ponto de vista moral e ético inabalável, está provado que não é”, afirma.

Ele ressalta que o ex-juiz da Lava Jato, e futuro Ministro da Justiça e Segurança de Bolsonaro, decidiu servir a um governo “com problemas mais graves ainda do que aquele que ele tanto perseguiu, que foi o Lula”. E compara: “No caso de Lula é 'parece', 'seria', 'teria'”, diz, em relação às acusações que levaram o ex-presidente à condenação. "Com Bolsonaro não é ‘teria’, mas ‘tem’, não é ‘faria’, é ‘fez’, não é ‘se corromperia’, mas ‘se corrompeu’".

Para o juiz aposentado, Moro deveria ter vergonha e pedir exoneração se quisesse manter a história dele. “Ou a falsa história ou o verniz de verdade. Porque agora ele vai se desmoralizar por completo. Esse juiz Sergio Moro nunca me enganou.”

Nesta segunda-feira (10), após quatro dias das denúncias originadas no relatório do Coaf – que inclusive ficará subordinado à sua pasta, Moro afirmou que os fatos precisam ser “esclarecidos” e que seria “inapropriado”, como futuro ministro da Justiça, comentar. 

“Ele (Moro) só comentava casos do Lula. Minha visão é de que se trata de um magistrado, ou ex-magistrado, que tem o cinismo como ponto de apresentação em sua personalidade. Ele é cínico demais!”, afirma Marcelo Tadeu Lemos de Oliveira.

Moro teria dito ainda a uma emissora de rádio: “Sobre o relatório do Coaf sobre movimentação financeira atípica do sr. Queiroz, o sr. presidente eleito já esclareceu a parte que lhe cabe no episódio. O restante dos fatos deve ser esclarecido pelas demais pessoas envolvidas, especialmente o ex-assessor, ou por apuração”.

As tretas internas do PSL mostram a treta em que o Brasil se enfiou

QUANDO TEM UM CARA muito ruim de bola na pelada, dizemos que ninguém precisa marcá-lo porque “esse a natureza marca”. Ao que parece, a oposição não terá tanto trabalho para marcar os governistas do PSL. O partido reúne todas as condições para se estrepar sozinho. Uma conversa do grupo de WhatsApp “Bancada PSL 2019″, que reúne integrantes do partido, foi vazada para O Globo e mostra que o debate interno lembra muito mais um episódio da Escolinha do Professor Raimundo do que de uma sigla que elegeu o presidente e que representará uma das maiores bancadas da Câmara.

Os celulares pegaram fogo, e o barraco varou a madrugada. Dois grandes duelos se estabeleceram. Começou com Joice Hasselmann x Major Olimpio e descambou para Joice Hasselmann x Eduardo Bolsonaro. Com muitas indiretas e intrigas infanto-juvenis, os embates se deram em torno da escolha da liderança do partido na Câmara, sempre tendo Joice como pivô.

A mulher mais votada do país está tentando impor na marra sua liderança sobre os colegas. Não é a primeira vez. Durante a campanha, Joice anunciou publicamente que seria candidata ao governo de São Paulo sem conversar com ninguém no partido. Nem o presidente estadual do PSL, Major Olimpio, foi consultado. Fulo da vida, o major chegou a gravar um vídeo dizendo que o PSL “não é a casa da Mãe Joana”. As conversas do WhatsApp mostram que o major está redondamente enganado. O PSL é a definição perfeita de Casa da Mãe Joana.

Na sua obsessiva busca por protagonismo, Joice afirmou no grupo que a articulação política do partido estava “abaixo da linha de miséria”. Apesar de ser verdade, a fala não caiu bem entre os correligionários, já que muitos ali estão diretamente envolvidos com a articulação.

Mesmo sem nem ter assumido o mandato, já dá pra saber que atropelar aliados é uma marca de Joice. Quem a acompanha nas redes sociais sabe que ela já se comporta como se fosse a principal liderança do PSL. Boa parte do dia a dia da deputada eleita é transmitido ao vivo. Joice costuma falar para seus milhares de seguidores de dentro de um carro em movimento, contando os bastidores de reuniões feitas com gente muito importante. Sempre faz questão de reforçar sua proximidade com o presidente e é pouco discreta ao falar sobre suas atividades políticas. Joice se comporta muito mais como uma youtuber caçadora de likes do que como uma liderança partidária, uma posição que requer um mínimo de sobriedade e cautela.

O Major Olimpio ficou ofendido com a crítica da companheira. Deu carteirada de veterano militar e retrucou dizendo que o Capitão Jair estava organizando a articulação junto com ele e com o Delegado Waldir. Joice então disse que não iria jogar fora o cacife que construiu “muito antes de ser candidata” e  insinuou que há “disputas de espaço pouco republicanas” na briga pelo comando da articulação.

O barraco estava armado. Os dois continuaram trocando farpas e tentavam encerrar a discussão com um “boa noite” passivo-agressivo. Mas a discussão prosseguia cada vez mais acalorada, até que Eduardo Bolsonaro, com sua autoridade hereditária, chegou com um textão para botar “ordem no galinheiro” — como afirmou um dos integrantes do grupo.

Com a sabedoria que se espera de um homem criado por Jair Bolsonaro, Eduardo tacou fogo no feno ao tentar organizar o galinheiro. Depois de chamar Joice de “sonsa” e comentar sobre sua “fama de louca”, o deputado mais votado da história do país ignorou o clima de briga e trairagem e simplesmente revelou ao grupo uma movimentação nos bastidores que seu pai gostaria de manter em segredo: “O PSL está fora das articulações? Estou fazendo o que com o líder do PR agora? Ocorre que eu não preciso e nem posso ficar falando aos quatro cantos o que ando fazendo por ordem do presidente. Se eu botar a cara publicamente, o Maia pode acelerar as pautas bombas do futuro governo”.

Rodrigo Maia deve ter ficado feliz em saber que Bolsonaro trama pelas costas. O vazamento da conversa aparece justamente no momento em que o presidente da Câmara lidera, junto com líderes de 15 partidos, a criação de um blocão para minar o poder das duas maiores bancadas da casa: PT e PSL. A intenção é enfraquecer o governo na Câmara e aumentar o poder de barganha do blocão. A realpolitik já está se impondo, mas alguns bolsonaristas ainda não saíram do modo treta.

Pensei que Joice ficaria indignada em saber que Bolsonaro fechou aliança com o PR de Valdemar da Costa Neto, condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro no mensalão, mas não. Sua única preocupação era com a ameaça de perder protagonismo no PSL. Joice jogou na cara que o sucesso eleitoral de Eduardo veio por causa do sobrenome e ordenou: “ponha-se no seu lugar”.

Todos os deputados presentes na conversa ficaram do lado de Eduardo, deixando claro o isolamento de Joice. Após a publicação da conversa, a discussão continuou pelas redes sociais e imprensa. O deputado eleito Bibo Nunes, que participava do grupo, disse em entrevista para o Zero Hora que Joice “chegou ontem e já quer sentar na janelinha”, além de ser  “deslumbrada e se achar a rainha do mundo”.

O major Olimpio afirmou que não há nenhum conflito no PSL. Há apenas Joice. Insinuou que provavelmente foi ela quem vazou a conversa. A deputada respondeu xingando muito no Twitter. Insinuou que o major é quem teria vazado a conversa e o chamou de “sindicalista de quartel” e “machão de meia tijela (sic)”.


Faltando poucos dias para o início do governo Bolsonaro, o país assiste a uma briga de quinta série entre a mulher mais bem votada da história da Câmara e o senador mais bem votado do Senado.

Todos os protagonistas dessa discussão foram forjados nas tretas. Tretar é quase um cacoete para eles. Major Olimpio até pouco tempo era um deputado estadual desconhecido que ganhou os holofotes ao discutir aos berros com Geraldo Alckmin em um evento público. Joice tretou com quase todos os seus empregadores recentes, com Reinaldo Azevedo, com Alexandre Frota e se consolidou como youtuber agitando tretas e conspirações a todo momento. A atuação parlamentar de Eduardo Bolsonaro também sempre foi movida por tretas, conseguindo a proeza de arranjar uma com Junior de Sandy & Junior. Não há porque imaginar que essa turma, que não sabe fazer outra coisa a não ser buscar o conflito, se manterá unida a partir do ano que vem.

Mas a Família Bolsonaro se meteu em mais treta durante a semana. Enquanto Eduardo brigava no WhatsApp, Carlos decidiu iniciar um bate-boca com Julian Lemos, vice-presidente nacional do PSL. O vereador afirmou que Lemos “não é e nunca foi coordernador de Bolsonaro no Nordeste”, apesar de se apresentar assim. Julian Lemos, que já foi preso pela Maria da Penha e condenado por estelionato, respondeu com um vídeo no Instagram em que Jair Bolsonaro aparece afirmando que ele é o “nosso coordenador no Nordeste”. Desmascarou mais uma mentira de Carlos. Os dois continuaram discutindo no Instagram. O motivo exato da briga é desconhecido, mas deixa claro a bagunça e o amadorismo na disputa pelo poder dentro do bolsonarismo.

Mas há um lado bom para o PSL nessas brigas. Elas dividiram o noticiário com um assunto muito mais grave para o governo Bolsonaro. Nós, brasileiros, não aguentamos mais notícias sobre corrupção, mas sempre vamos adorar acompanhar um barraco. Um ex-motorista de Flávio Bolsonaro foi pego pelo Coaf movimentando R$ 1,2 milhão de forma suspeita. Ele é ex-policial militar e tinha mulher e filha também empregadas no gabinete de Flávio. O motorista, que é um amigo pessoal do presidente eleito, chegou a fazer dez saques de R$ 49 mil, o que torna tudo ainda mais suspeito, já que é uma forma comum de driblar a fiscalização. Saques acima de R$ 50 mil devem ser explicados ao banco, que repassa as informações da transação ao Coaf.  Um dos cheques teve a futura primeira-dama como favorecida. O capitão disse que o cheque era pagamento de uma dívida que o motorista tinha com ele, e justificou o depósito na conta da esposa alegando não ter tempo de ir ao banco, o que não faz o menor sentido.

O PSL é um partido de aluguel, sem nenhuma capilaridade social. Bolsonaro escolheu a sigla para abrigar sua candidatura e de toda a sua trupe de extrema-direita. É um catadão de reacionários neófitos na política e de veteranos do baixo clero. As brigas internas revelam não apenas disputas de poder, mas o DNA dos seus integrantes, que cresceram na política movidos por moralismos de quermesse. Nunca prestaram serviços relevantes ao país, nunca foram propositivos e só construíram fama turbinados por um antipetismo obsessivo que caiu nas graças de parte considerável da população. Caíram de paraquedas no centro do poder político e tudo leva a crer que irão mais atrapalhar do que ajudar o presidente eleito.

Cansado dos partidos tradicionais, o Brasil entregou a maior fatia do poder para um não-partido que nada tem a oferecer ao país. A máxima de Tiririca, “pior que tá não fica”, foi a maior fake news na qual caiu boa parte dos brasileiros. É claro que fica.

Guerra no WhastApp e suspeitas sobre ex-assessor do filho coroam semana turbulenta de Bolsonaro

Eleito marca reunião do PSL após imprensa divulgar 'ringue virtual' do partido. Ele diz que cheque pago por ex-funcionário de Flávio Bolsonaro a futura primeira-dama foi pagamento de dívida

O presidente eleito Jair Bolsonaro começa a sentir as dores do parto do seu Governo com as notícias indigestas de que parlamentares do PSL guerrearam publicamente esta semana, com o vazamento para a imprensa das trocas de farpas virtuais pelo grupo do WhatsApp do partido nesta quinta. A briga protagonizada pela jornalista e deputada federal eleita Joice Hasselmann e o senador eleito Major Olympio, atualmente deputado federal, foi inflamada com a interferência do filho de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, que tratou de alinhar-se com Olympio, como noticiaram O Globo e a revista Crusoé. O imbróglio teve como pano de fundo a disputa pelo papel de líder do partido no Congresso, que Hasselman reivindica para si, assim como o futuro senador. “Nossa articulação oficial na Câmara e no Senado, repito, está abaixo da linha da miséria”, reclamou ela no grupo. Olympio argumentou que Bolsonaro havia dado a ele e ao delegado Waldir, que também se elegeu pelo PSL, a incumbência de articular a base no Parlamento. Mas a briga descambou com direito a alfinetadas que correram na madrugada de quinta-feira.

Na sequência, foi a vez de Eduardo Bolsonaro entrar no ringue virtual e criticar a postura da jornalista, que foi a deputada mais votada do pleito. “Salta aos olhos a intenção da Joice de ser líder e, assim como já demonstrou na época da campanha, ela atropela qualquer um que esteja à frente de seus objetivos”. Daí para a frente foi ladeira abaixo. Joice chamou Eduardo de "infantil" e pediu a ele para que “cresça”, e Eduardo Bolsonaro retrucou que a futura colega da Câmara era sonsa e tinha fama de louca.

A lavagem de roupa suja no Twitter por si só seria uma dor de cabeça enorme para o presidente eleito se ela não tivesse disputado espaço na imprensa e nas redes sociais com outra revelação incômoda para Bolsonaro. A notícia de que um ex-assessor do senador eleito Flavio Bolsonaro movimentou 1,2 milhão de reais, dinheiro incompatível com a sua renda, fez sobrarem as saias justas para integrantes do seu futuro governo. O juiz Sergio Moro, símbolo da luta anticorrupção, e que deve assumir a pasta da Justiça, preferiu o silêncio quando questionado sobre o assunto na saída do Centro Cultural Banco do Brasil, sede do governo de transição.

Já o deputado Onyx Lorenzoni, que deve assumir a Casa Civil e participava de um evento em São Paulo, aceitou falar com os jornalistas, mas ficou irritado com as perguntas a respeito da movimentação financeira atípica do PM Fabrício Queiroz, incluindo um cheque de 24.000 reais para a futura primeira dama Michele, conforme revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. “A aliança ideológica que se constituiu no Brasil faz com que vocês queiram misturar um governo decente, um governo honesto que está apenas em seu alvorecer, com a lambança que o PT fez aqui”, queixou-se Lorenzoni, que deixou a coletiva abruptamente. O próprio Lorenzoni, no entanto, já havia criado um foco de tensão no núcleo do PSL depois que o Supremo Tribunal Federal aceitou a abertura da investigação sobre os 200.000 reais não declarados que ele recebeu da empresa JBS na eleição de 2014.

No final da sexta, o presidente eleito optou por falar abertamente sobre o caso para ao site O Antagonista. Disse que Fabrício Queiroz é seu amigo dos tempos do Exército, e que emprestou dinheiro a ele algumas vezes. Desses empréstimos, gerou-se uma dívida, mas que ele não lembra os valores exatos. E que os tais 24.000 na conta de Michele se referiam a parte do pagamento da dívida que o ex-assessor tinha com ele. “Emprestei dinheiro a ele em outras oportunidades. Nessa última, ele estava com problemas financeiros e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou”, disse. Queiroz repassou 40.000 e não 24.000 para a futura primeira dama, segundo Bolsonaro. “Eu poderia ter botado na minha conta, mas foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair”, explicou. Flávio Bolsonaro também falou à imprensa: disse ter falado com o ex-assessor que teria lhe dado uma explicação convincente para as movimentações. "Só que quem tem que ser convencido não sou eu, é o Ministério Público", disse.

O imbróglio do amigo e ex-assessor do seu filho e a guerra do WhatsApp colocam um bode na sala do PSL que passou a semana trabalhando para conseguir apoio de partidos para a sua pauta no Congresso buscando um modelo inovador de negociação com o parlamento, viciado na prática de garantir espaço segundo o apoio concedido. As notícias abrem um flanco para os adversários num momento em que o futuro presidente promete aposentar o tal toma lá dá cá para colocar seu plano liberal para a economia enquanto instala uma guerra ao que vê como influência da esquerda na pauta dos costumes.

Com 52 deputados eleitos e quatro senadores, o PSL estreia na nova legislatura como o segundo partido com a maior bancada, depois do PT, e tem o desafio de mostrar-se afinado para dar sustentação aos planos de Bolsonaro. Os petardos desta semana serão levados para a mesa na reunião marcada pelo partido para o próximo dia 12. Mas tanto Joice como o senador Olympio mostraram disposição de estender a pendenga virtual ao longo desta sexta com provocações mútuas no Twitter. A dúvida é quem será capaz de pacificar os ânimos em vez de jogar mais gasolina na fogueira do partido do presidente eleito.

Justiça confirma liminar e manda Econorte liberar cancelas da praça de pedágio de Jacarezinho e reduzir tarifas

Decisão anterior, da 1ª Vara Federal de Jacarezinho, foi suspensa pelo TRF-4 e tarifas foram normalizadas à 0h de quinta-feira (6). No mesmo dia, às 22h05, Juízo da 1ª Vara Federal de Curitiba ratificou ordem inicial.


Por Aline Pavaneli e Cristiane Oya, G1 PR e RPC Londrina

A 1ª Vara Federal de Curitiba confirmou, na noite de quinta-feira (6), a decisão liminar que tinha determinado a liberação das cancelas da praça de pedágio da concessionária Econorte em Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná, e a redução das tarifas, em 26,75%, nas praças de Jataizinho e Sertaneja, na mesma região do estado.

A Econorte disse que ainda não foi notificada da decisão e que, por enquanto, não vai se manifestar.

A liminar, concedida inicialmente pela 1ª Vara Federal de Jacarezinho, em uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), tinha sido suspensa pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), na terça-feira (4).

O TRF-4 entendeu que, como uma ação penal, que apura o pagamento de propina pela Econorte para alterações de contrato de concessão por meio de aditivos, tramita junto à 23ª Vara Criminal de Curitiba, a legitimidade para julgamento da ação civil pública é da 1ª Vara Federal da capital.

Com a decisão da segunda instância, todas as medidas determinadas pelo juiz Rogério Cangussu Dantas Cachichi tinham sido suspensas. À 0h de quinta, a concessionária retomou a cobrança de pedágio na praça de Jacarezinho e o valor integral da tarifa nas outras duas praças.

A juíza substituta Thais Sampaio da Silva Machado, da 1ª Vara Federal de Curitiba, entendeu que a questão da competência foi resolvida, mas ainda não há decisão da segunda instância sobre as outras determinações da liminar.

"Ratifico, por ora, a decisão proferida pelo Juízo de Jacarezinho, sem prejuízo naturalmente de que a questão dos pressupostos da tutela provisória seja examinada em momento oportuno pela Corte Regional", afirma na decisão.

Para a juíza, o desbloqueio de mais de R$ 1 bilhão da concessionária, sem decisão sobre o mérito da questão, pode gerar eventual perda de valores.

"Não há prova, ademais, de que o valor bloqueado corresponda à liquidez imediata das empresas em relação a débitos vencidos e, especialmente, obrigações trabalhistas", destaca Machado.

Relembre a decisão
Além das decisões que afetam diretamente os usuários das praças de pedágio da Econorte, o juiz da 1ª Vara Federal de Jacarezinho, Rogério Cangussu Dantas Cachichi, também determinou a retomada do cronograma de obras da concessão, firmado entre o Governo do Estado e a Triunfo Econorte, incluindo o Contorno Norte de Londrina, no norte do estado, que deve ter as obras iniciadas em 30 dias.

A liminar ainda determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão nas contas do Grupo Triunfo Econorte, que controla a concessionária. O valor soma os prejuízos causados pela empresa e os danos morais coletivos.

A ação civil pública teve como base informações apuradas durante as investigações da Operação Integração I, que identificou um esquema criminoso de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato e peculato na administração das rodovias federais no Paraná.

As irregularidades, conforme os procuradores, começaram no ano de 1999, quando as concessionárias passaram a pagar propinas para manter a “boa vontade” do governo e de agentes públicos na gestão das concessões.

De acordo com o MPF, trata-se de uma das primeiras ações cíveis no país que pede a nulidade de atos administrativos por vício na manifestação de vontade em virtude da corrupção de agentes públicos.

Segundo a ação proposta pelo MPF, a soma dos pagamentos feitos a empresas de fachada, das tarifas abusivas e das obras suprimidas dos contratos ultrapassa R$ 529 milhões. Somente o prejuízo gerado pelas tarifas abusivas, chega a R$ 159 milhões, conforme os cálculos dos procuradores.

O contrato
A concessionária Econorte é responsável, desde 1997, pelos pedágios de Jataizinho, Sertaneja e, inicialmente, Cambará. Mas, em 2002, esta última praça foi desativada e foi instalada uma praça em Jacarezinho.

Nos dias em que as cancelas de Jacarezinho estavam liberadas, a empresa realizou alguns reparos e testes na praça de Cambará para reativá-la.

As tarifas cobradas em Jataizinho e Jacarezinho são as mais caras do estado, são cobrados por carro R$ 22 e R$ 20,30, respectivamente.

Operação no Paraná investiga emissão de RGs falsos

Operação Vucetich foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (7), em três cidades do Paraná: Maringá, Rancho Alegre e Cerro Azul.



A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira (7), uma operação contra a emissão de RGs falsos através de postos conveniados do Instituto de Identificação do Paraná.

Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em três cidades: Maringá e Rancho Alegre do Oeste, no norte paranaense, e em Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba.

Um homem foi preso em flagrante em Maringá por posse de munição.

De acordo com as investigações, em troca de dinheiro, dezenas de documentos de identidade foram fraudados através da inserção de dados falsos no sistema a partir do uso de certidões de nascimentos falsas.

Uma das ordens judiciais é contra um servidor da prefeitura de Cerro Azul que foi cedido para a atuação junto ao posto conveniado pelo Instituto de Identificação.

Outro mandado de busca e apreensão foi cumprido em um escritório de contabilidade.

As falsificações foram descobertas pelo setor de fraudes do Instituto de Identificação, que repassou as informações à Polícia Civil.

O delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato, Rodrigo Souza, diz que os documentos falsificados foram cancelados.

Os investigados podem responder por peculato eletrônico, falsificação de documentos, corrupção passiva e associação criminosa.

Congonhinhas, Japira e Rancho Alegre elegem prefeitos neste domingo (9)

Eleições suplementares acontecem após prefeitos e vices eleitos em 2016 serem impedidos pela Justiça Eleitoral de continuarem nos cargos.


Três municípios da região norte do Paraná vão eleger novos prefeitos neste domingo (9).

As eleições suplementares vão ocorrer em Congonhinhas, Japira e Rancho Alegre depois que prefeitos e vices, eleitos em 2016, foram impedidos pela Justiça Eleitoral de continuarem nos cargos ou foram alvos de cassação pelas Câmaras de Vereadores.

Congonhinhas

Em Congonhinhas, 6.386 eleitores devem escolher o novo prefeito neste domingo, são 21 sessões em cinco locais de votação.

De acordo com a Justiça Eleitoral, o prefeito e vice tiveram o registro da candidatura cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por terem infringido a Lei da Ficha Limpa.

Disputam a vaga o presidente da Câmara de Vereadores e prefeito interino, Valdinei Aparecido de Oliveira (PTB) e o vereador Aparecido Renato Honório (PSDB).

Rancho Alegre

Em Rancho Alegre, a prefeita e o vice eleitos foram cassados por infrações na campanha municipal. A decisão é de janeiro deste ano do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

O município tem 2.971 eleitores e 14 sessões de votação. Devem trabalhar 56 mesários neste pleito.

Disputam o cargo de prefeito o empresário Aparecido Miguel da Silva (PDT), o vereador Edmar Lima (MDB) e o advogado Fernando Coimbra.

Japira

Já em Japira, a nova eleição será realizada porque o prefeito eleito, Walmir Wellington da Silva (DEM), morreu em dezembro de 2017 e o vice-prefeito, que assumiu o cargo depois disso, foi cassado em julho deste ano pela Câmara de Vereadores.

O município tem 3.679 eleitores que votam em 14 urnas distribuídas em cinco locais de votação.

Disputam a vaga o servidor público Angelo Marcos Vilato (PSB) e Nelson Cesare de Oliveira Weisheimer (PSDB).

Nas três cidades, a votação ocorre das 8h às 17h.

Até tu, papa Francisco?

Os sacerdotes homossexuais não representam nenhum escândalo, e eles estão sujeitos, como qualquer outro, a respeitar o compromisso com o celibato. Nada mais


 POR: JUAN ARIAS 
 EL PAÍS

Tanto a Igreja Católica como as confissões evangélicas mantêm um medo atávico da sexualidade, do qual não conseguem se livrar. Até o papa Francisco, que com sua famosa frase aos jornalistas, “Quem sou eu para condenar a um homossexual?”, parecia ter aberto uma porta de esperança e compreensão da Igreja para com os diferentes, agora recuou.

Queixa-se agora Francisco de que a Igreja parece “inundada pela moda da homossexualidade”. E se espanta de que tantos sacerdotes e religiosos “se declarem homossexuais”, e pede que “sejam tomadas medidas para que não escandalizem”.
Não seria difícil responder ao papa Francisco, que nos havia admirado com sua liberdade de espírito e seu desprendimento do poder, que a Igreja deveria se preocupar mais com o pecado e o escândalo dos sacerdotes pedófilos, que abusam da sua condição para seduzir e violentar menores. Os sacerdotes homossexuais não representam nenhum escândalo, e eles estão sujeitos, assim como os heterossexuais, a respeitar o compromisso com o celibato que aceitaram voluntariamente. Nada mais.

Seria mais normal que, a esta altura, a Igreja Católica acabasse abolindo o celibato obrigatório como condição para exercer o sacerdócio. Não se trata de nenhum dogma de fé, e menos ainda de algum ensinamento dos evangelhos. A obrigação do clero secular de professar o celibato nasceu tarde na Igreja, na qual durante séculos não só sacerdotes, mas também bispos e até papas, eram casados e tinham família, começando por são Pedro, cuja sogra Jesus curou.

Todas as confissões cristãs se inspiram nos evangelhos. E é curioso que em nenhum deles exista uma só palavra, recomendação ou condenação da sexualidade nem da homossexualidade. Não se encontra uma só palavra sobre o tema na boca de Jesus, que certamente também era casado. Tão pouco medo tinha da sexualidade que foi acusado de ser “amigo de prostitutas”, sobre as quais chegou a dizer que teriam um lugar preferencial no paraíso.

Nem o exercício da sexualidade nem a homossexualidade são tratados nos evangelhos. Era algo que não preocupava o profeta de Nazaré. Suas prioridades foram sempre, pelo contrário, os marginalizados, os desprezado e os que sofriam os açoites da injustiça social.

Por que então esse medo dos religiosos quanto ao exercício da sexualidade, a força motriz não só dos humanos como também de toda a natureza, já que do seu exercício depende a sobrevivência das espécies?

Talvez esse medo da sexualidade, que a Igreja sempre viu como ameaça e pecado, alheia aos evangelhos, se deva a que a vida tem sido vista mais sob o ângulo da dor e da renúncia que da felicidade e do prazer. A Igreja associou tantas vezes o prazer ao pecado e a dor à virtude.

Renunciar ao exercício da sexualidade é para as Igrejas algo mais digno e agradável a Deus que seu exercício. Durante muito tempo, a Igreja exigia aos casais católicos que no exercício da sexualidade, destinada à procriação, se abstivessem ao máximo de desfrutá-la. Copulava-se só para gerar, durante os dias de fertilidade da mulher, para dar filhos a Deus. O prazer deveria ser eliminado ao máximo.

Entretanto, recordo que no Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, que foi considerado como o da revolução da Igreja, teve lugar uma grande discussão sobre a finalidade da sexualidade humana. Aqueles 3.000 bispos de todo o mundo, reunidos em Roma, vindos dos cinco continentes, pela primeira vez em 20 séculos de história da Igreja defenderam que a sexualidade não era só um meio destinado à procriação, mas também “um instrumento de diálogo” entre os seres humanos. Foi uma revolução copernicana.

Passaram-se mais de 50 anos daquele Concílio que devolveu à sexualidade sua dignidade e sua condição de nova linguagem da comunicação humana. É triste que ainda hoje, com a nova revolução dos gêneros e o maior conhecimento sobre as diversas formas humanas de viver e exercer sua sexualidade, sem distinções racistas ou farisaicas, a Igreja continue com esses medos.

Medo não só da homossexualidade, como se se tratasse de uma peste da qual defender os cristãos, e sim da própria sexualidade como tal. Algo tão perigoso (na Igreja, chegou a falar-se em algo “sujo”) que hoje quer proibir que se fale dela às crianças e jovens nas escolas.

Na verdade, por trás desse medo da sexualidade esconde-se algo mais profundo e perigoso, que é a convicção de tantos religiosos de que esta vida é só uma passagem para a eternidade. Que, aqui, quanto mais se sofra e mais se castre o prazer e a felicidade, mais Deus abençoará.

Alguém estranha que esteja crescendo o número de agnósticos e ateus no Brasil e no mundo? E que a religião, que deveria ser libertadora de medos e tabus, oferta de felicidade e encontro espiritual e corporal, esteja se tornando um perigo de alienação e discriminação?


“Bolsonaro acha que a mudança climática é coisa de ativistas que gritam”

Suzana Kahn e Marina Grossi, acadêmicas e líderes visíveis do setor ambiental brasileiro, dizem que é preciso convencer o novo Governo sobre os benefícios econômicos da produção sustentável



Suzana Kahn é engenheira mecânica, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ocupou o cargo de secretária nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente entre 2008 e 2010, no Governo de Lula. Marina Grossi é economista e, desde 2010, dirige o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Seus currículos são muito mais amplos, e toda essa experiência as transforma, acima de tudo, em duas referências visíveis e poderosas do setor ambiental no Brasil.

Ambas se encontraram na iniciativa Moving For Climate Now, da Rede Espanhola do Pacto Mundial das Nações Unidas e Iberdrola, que reuniu personalidades do setor num percurso de ciclistas até Katowice (Polônia), sede da 24ª Cúpula do Clima da ONU (COP24). O evento foi realizado justamente na semana em que o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, abria mão de organizar a conferência em 2019, como estava previsto, alegando motivos orçamentários. “É certo que tivemos experiências ruins com eventos recentes, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, que envolveram muito dinheiro e corrupção. Mas organizar a COP25 seria uma oportunidade para dizer ao mundo que estamos comprometidos com o meio ambiente, e Bolsonaro não entende isso. Ele acha que a mudança climática é uma coisa de ativistas que gritam”, afirma Kahn.

Essa decisão é paradoxal porque coloca o país numa posição em que poderia perder potencial financeiro, argumenta sua colega economista. “A energia limpa é um assunto importante para o Brasil, e essa era uma chance de mostrar que merecemos continuar recebendo financiamento para avançar porque estamos comprometidos”, diz Grossi. O Brasil, que no passado esteve à frente do desenvolvimento sustentável e dedicou notáveis esforços à redução de seu impacto negativo no planeta, terá como ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que diz que o movimento ambientalista internacional é um “complô” para impedir o crescimento econômico.

Araújo não é o único sinal de alarme do que está por vir com a chegada à Presidência deste ex-capitão que parece não entender muito bem o que é o aquecimento global. Durante sua campanha, jurou que tiraria o Brasil do Acordo de Paris, algo que logo relativizou ante as queixas dos empresários de que perderiam seus certificados de qualidade para poder exportar suas matérias-primas. Também prometeu que não protegeria nem um milímetro da Amazônia que pudesse ser explorado, nem sequer nas terras habitadas pelos indígenas. Já como presidente eleito, ameaçou unir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, algo que muitos analistas chegaram a dizer que transformaria a floresta brasileira em terras de cultivo.

Bolsonaro também já falou de um “ativismo ambiental xiita que quer estender o alarmismo por todo o planeta”. O novo presidente defende que a Amazônia é do Brasil, não um patrimônio mundial. Esse argumento, unido à sua intenção de eliminar a proteção contra o desmatamento, motiva as piores previsões. “Não tenho certeza de que [ele] vá mostrar força contra as grandes companhias. O que penso é que essas empresas vão querer continuar exportando e, para isso, têm que estar dentro da lei. Ter ou não o certificado internacional pode, sim, fazer a diferença”, argumenta a professora.

Entre agosto de 2017 e julho de 2018, o desmatamento na Amazônia aumentou 13,8%, segundo os últimos dados oficiais do Governo.

“É fato que Bolsonaro não é... — hesita alguns segundos — um intelectual”, afirma Kahn. “Por isso, se o fizermos entender que a luta contra a mudança climática não é um assunto ideológico, e que inclusive economicamente pode colocar o Brasil numa melhor posição em âmbito global, teremos uma oportunidade. Embora eu talvez esteja sendo excessivamente otimista.” A antiga secretária de Estado diz que a melhor forma de conseguir algo durante o mandato de Bolsonaro é moderá-lo. “Se conseguirmos fazê-lo entender que reduzir a poluição nas cidades o fará gastar menos em saúde, existe uma possibilidade de avanço.”

O tímido raio de esperança que essas acadêmicas veem é a chegada de um cientista ao Governo. Marcos Pontes, o quinto astronauta latino-americano a ir ao espaço, ocupará o Ministério de Ciência e Tecnologia. Bolsonaro também prometeu mais orçamento para essa pasta. “A principal característica do presidente é o nacionalismo. ‘Brasil acima de tudo’ e todo esse tipo de lemas ao estilo Trump. Provavelmente, considerou que a ciência pode exercer esse papel e nos tornar mais independentes”, diz Kahn. Sua colega traz outro ponto de vista. “No mundo das empresas, estamos fazendo muito mais uso de dados científicos do que antes. Também estão surgindo várias startups no campo das energias renováveis”, diz. “Temos que mudar o discurso e incluir no barco ambiental muita gente que não está a bordo.”

Bolsonaro afirmou que não acredita na reeleição e que deixará o cargo dentro de quatro anos. “Durante esse tempo, podemos aproveitar para nos organizar, fazer trabalhos de bastidores e nos preparar para o próximo [mandato]”, diz Kahn. “Não vou pedir permissão para fazer o que tenho que fazer. Temos uma agenda ambiental que contemplávamos com a eleição de qualquer candidato, e espero diálogo”, completa Grossi.

Ex-assessor de Flavio Bolsonaro movimenta 1,2 milhão e entra na mira das autoridades

Reportagem de ‘O Estado de S.Paulo’ revela transações ‘incompatíveis com patrimônio’ de ex-motorista do filho do presidente eleito; há cheque de 24.000 para a futura primeira-dama



Um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, movimentou 1,2 milhão de reais em uma conta entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017. O montante, considerado atípico, foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de fiscalização ligado ao Ministério da Fazenda, revelou nesta quinta-feira O Estado de S.Paulo.

O ex-assessor, Fabrício José Carlos de Queiroz, é policial militar e trabalhava como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro. De acordo com o jornal, ele estava lotado no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) até 15 de outubro deste ano, quando foi exonerado.

O relatório do Coaf em que aparece o nome de Queiroz faz parte da investigação que originou a operação que, no mês passado, levou à prisão de dez deputados estaduais do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal —diz o jornal— havia pedido ao Coaf um pente fino em todos os funcionários e ex-trabalhadores da Assembleia com transações financeiras suspeitas.

Embora Queiroz seja mencionado no documento, nem ele nem Flávio Bolsonaro foram alvos dessa operação, chamada Furna da Onça. "O Coaf informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são 'incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira' do ex-assessor parlamentar", diz a reportagem do Estadão, que aponta que, na Alerj, Queiroz tinha salário de 8.517 reais. Além do mais, ele também tinha vencimentos da Polícia Militar do Rio, no valor de 12.600 reais mensais.

O Estadão mostra que ainda, entre as movimentações do ex-assessor de Flávio Bolsonaro que foram mapeadas pelo Coaf, há um cheque de 24.000 reais destinado a Michelle Bolsonaro, esposa do presidente eleito e futura primeira-dama do Brasil. Também foram identificados saques em espécie que somam 320.000 reais, sendo que 159.000 foram sacadas em uma agência bancária dentro do prédio da Alerj.

O jornal procurou Queiroz, que disse "não saber nada sobre o assunto". Já a assessoria de Flávio Bolsonaro disse não ter qualquer "informação que desabone" a conduta do ex-colaborador do parlamentar. O presidente eleito não se manifestou até o momento.

Assim operava o maior cartel do mundo, segundo traficante preso no Brasil

O narcotraficante Juan Carlos Abadía relata como estruturou o envios de cocaína aos Estados Unidos.
Preso em 2007 no Brasil, o colombiano colabora no julgamento de Joaquín “El Chapo” Guzmán nos EUA


Por: EL PAÍS
Juan Carlos Ramírez Abadía tem orgulho de sobra. Sempre fala fazendo referências a si mesmo. O sinistro narcotraficante colombiano, conhecido no mundo da droga como Chupeta, espalha aos quatro ventos que sua cocaína era a melhor do mercado. “Ótima qualidade”, disse ele no depoimento que prestou no Tribunal Federal do Brooklyn, que processou o capo mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán. No entanto, para que o produto ilegal chegasse ao consumidor, era preciso contar com uma estrutura perfeitamente afinada de transporte, distribuição e arrecadação dos lucros, na forma do capitalismo mais selvagem e cruel que se possa imaginar.

Basta reparar no rosto de Chupeta, de 55 anos, para entender que ele era um verdadeiro camaleão. O antigo chefe do cartel Norte del Valle tem a cara completamente desfigurada após as múltiplas cirurgias faciais realizadas para fugir da Justiça. Ele submeteu seu negócio a essa mesma transformação vampiresca, a tal ponto que descreveu a indústria do narcotráfico como uma ágil empresa em constante evolução para se adaptar às condições de trabalho.
Segundo ele, a mudança de tática era fundamental para maximizar os lucros e garantir a sobrevivência. Ramírez Abadía foi um dos líderes mais violentos do negócio da droga. Ordenou mais de 150 assassinatos de rivais que estavam em seu caminho, conservando assim o poder. Em menos de duas décadas, saiu do nada para vender mais de 500 toneladas de cocaína nos Estados Unidos. E transportava a droga sobretudo através do cartel mexicano de Sinaloa.

Chupeta começou a trabalhar com “El Chapo” porque era o mais rápido e efetivo da época. “Ele buscava a melhor qualidade”, explicou. Isso foi no início dos anos 90, após um primeiro encontro num hotel da Cidade do México. Ambos levaram dois meses para definir a operação. Em troca, Guzmán pediu uma fatia de 40% pelo transporte da mercadoria até Los Angeles. “Ele era mais caro que os outros”, afirmou, “mas garantia a proteção dos carregamentos e de meus empregados.”

Ramírez Abadía se considerava um verdadeiro empresário e um grande negociador. Entendeu que a segurança tinha um custo a ser pago. Seu primeiro envio chegou em menos de uma semana, quando os demais faziam o trabalho em um mês ou mais. “Não esperava isso”, admitiu, lembrando que 90% do carregamento foi vendido em Nova York. Chupeta explicou como manipulava o mercado para ter maior controle. “Muitas vezes, eu guardava [a droga] para saber o preço e obter maiores ganhos”, disse.

“Invasão”
Chupeta também inovou no transporte para evitar a interceptação de seus envios. Começou mandando aviões da Colômbia até o México. Chegou a enviar até 15 aeronaves carregadas de cocaína numa única noite rumo a pistas clandestinas, onde “El Chapo” tinha uma equipe esperando, com pessoas que descarregavam os narcóticos e tanques de querosene para reabastecer os aviões. A envergadura do transporte cresceu tanto que os funcionários dos traficantes comentavam que aquilo parecia uma “invasão”.

As autoridades norte-americanas e colombianas começaram então a fechar o cerco. Para evitar as apreensões, Chupeta e os capos do cartel de Sinaloa modificaram o método de transporte da droga até o México, usando barcos pequenos pelas águas do Pacífico. “Ninguém tinha utilizado [essa rota] antes”, explicou. “Era uma via completamente nova”. Para mostrar sua confiança na nova estratégia, ele carregou um barco com 10 toneladas de cocaína. Depois estudou fazer o mesmo usando semissubmarinos.

Juan Carlos Ramírez e Joaquín Guzmán entraram em contato graças a Ismael “El Mayo” Zambada, o atual líder do cartel de Sinaloa. Jesús “El Rey” Zambada, seu irmão, também detalhou em depoimento a complexa estrutura logística da empresa. Os criminosos controlavam todos os movimentos de forma minuciosa. Classificavam a cocaína segundo a origem e a qualidade nos armazéns da Cidade do México. E estabeleceram uma contabilidade rigorosa para monitorar os pagamentos, incluindo os dos assassinos que contratavam e os dos jornalistas.

Chegou um momento em que os acordos ilícitos feitos com as autoridades colombianas e mexicanas deixaram de funcionar, o que aumentou o risco para o negócio. “As apreensões são a maior tragédia para um traficante”, confessou. Chupeta já era “super-rico”, diz ele, quando as forças de segurança estavam em seu encalço. Assim, prevendo sua detenção, ele decidiu mudar de tática novamente. E desmontou toda a estrutura de distribuição nos EUA.

Nos bastidores
Em vez de enviar a droga ao mercado norte-americano, Chupeta pensou que poderia fugir da Justiça vendendo diretamente para o cartel de Sinaloa em alto-mar. “Eu queria agir nos bastidores”, disse ele. “Ganharia menos dinheiro, mas achei que assim teria menos problemas com as autoridades dos EUA.”

Chupeta acabou abandonado na Colômbia. Operou na Venezuela e depois no Brasil, onde foi preso em 2007 e extraditado no ano seguinte. O FBI estima que 60% da cocaína nos EUA chegou a ser dele. Hoje, o traficante integra um programa de proteção de testemunhas nos EUA, onde reside, e é um dos principais colaboradores no processo penal contra “El Chapo”. As autoridades colombianas confiscaram bens de Chupeta avaliados em mais de um bilhão de dólares (3,8 bilhões de reais), incluindo quadros de Botero. Com seu depoimento, o traficante confirmou a descrição feita também por Miguel Ángel Martínez, conhecido como “El Gordo”, sobre a estrutura do cartel mexicano, do qual foi gestor.

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