Jornal de Ibaiti

BRASIL

MANCHETES

Datafolha: metade dos eleitores veem possibilidade de nova ditadura

sábado, outubro 20, 2018

Instituto também mediu que parcela "linha dura" da sociedade cresceu nos últimos quatro anos



O instituto Datafolha divulgou novos dados da pesquisa realizada entre a quarta-feira 17 e a quinta 18 que mostram um expectativa alta dos brasileiros sobre a possibilidade de uma nova ditadura no País. 

De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados declaram haver essa possibilidade. Em fevereiro de 2014, a porcentagem era de 39%. 

Esse horizonte é rechaçado por 42% dos eleitores. Antes, eram 51%. Entre os eleitores de Haddad, 75% dizem haver essa possibilidade. Entre os que votam em Bolsonaro, 65% descartam essa hipótese. 

O instituto também revela que há ma grande parcela adepta de opiniões antidemocráticas. Entre os entrevistados, 41% defendem uma "intervenção em sindicatos". Outros 32% concordam com a prisão de suspeitos de crimes sem autorização da Justiça. 

Embora 61% dos eleitores se declarem contra da extinção de algum partido, 33% acham a medida coerente. Além disso, 23% defendem cesura a jornais, rádios e TV imposta pelo governo.

O Executivo também deve ter o poder de fechar o Congresso Nacional para 21% da população. Outros 16% concordam com a tortura. Por fim, 43% acreditam que o governo brasileiro tenha o direito de controlar o conteúdo nas redes sociais. 

TSE e PF vão investigar se empresas bancaram esquema ilegal pró-Bolsonaro no WhatsApp

sábado, outubro 20, 2018

Ministério Público cita reportagem da ‘Folha de S.Paulo’, segundo a qual apoiadores do candidato do PSL compraram pacotes de disparo massivo contra o PT






O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai investigar se empresas bancaram ilegalmente o envio de milhares de mensagens por WhatsApp para favorecer a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), conforme publicado em reportagem da Folha de S. Paulo. O ministro Jorge Mussi aceitou o pedido feito pelo oponente de Bolsonaro na corrida, Fernando Haddad. A decisão acontece no mesmo dia em que os controladores do aplicativo, que pertence ao Facebook e tem 120 milhões de brasileiros como usuários, anunciaram ter tomado "medidas legais imediatas" para impedir empresas de enviar mensagens em massa. "Já banimos contas associadas a essas empresas”, disse o WhatsApp em nota.

Não há prazo para desfecho na ação aberta pelo TSE, mas um ex-integrante da corte e especialistas consultados pelo EL PAÍS descartam que algum desdobramento de peso ocorra antes de 28 de outubro, data do segundo turno para o qual Bolsonaro é franco favorito. Seja como for, a investigação dá mais combustível aos críticos do deputado de extrema direita na reta final da campanha. Provoca ruído em sua mensagem de que se trata de uma campanha austera e baseada apenas na adesão de voluntários. O capitão reformado do Exército tem negado as acusações, mas também tem dito que não tem como controlar o que fazem seus apoiadores. Reportagem do EL PAÍS mostrou, em agosto, que empresário Luciano Hang, dono da rede de varejo Havan, pagou para turbinar alcance de um vídeo pró-Bolsonaro no Facebook, o que é ilegal –as autoridades eleitorais mandaram retirar a peça e multaram Hang.

O movimento do TSE não foi a única frente que tenta avançar na apuração sobre a participação de empresas na campanha, o que é vetado pela lei eleitoral brasileira. Além do âmbito eleitoral,  a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, decidiu fazer também uma investigação no âmbito penal. Dodge pediu em um ofício que a Polícia Federal investigue "se empresas de tecnologia da informação têm disseminado, de forma estruturada, mensagens em redes sociais referentes aos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições para presidente da República". "Este quadro de possível interferência, por meios tecnológicos, na formação da opinião de eleitores sobre os candidatos, com base em possíveis falsas informações ou mensagens ofensivas à honra e à imagem dos dois candidatos, afronta a integridade do processo eleitoral e é uma nova realidade mundial", afirma Dodge.

No ofício, a chefe do Ministério Público cita reportagens que trataram do tema, entre elas a publicada nesta quinta-feira pela Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, há uma rede de empresários simpáticos a Bolsonaro que está contratando agências de marketing digital para disparar pacotes massivos de mensagens negativas sobre o presidenciável petista, Fernando Haddad. Se comprovado, a operação milionária pró-Bolsonaro poderia configurar doação empresarial para a sua campanha, o que está proibido no Brasil.

Empresas afetadas
A reportagem não abre crise apenas na campanha brasileira. Dois anos após a eleição de Donald Trump, na qual ainda se discute a papel das redes sociais e do Facebook em particular, agora é um aplicativo da companhia que passa por escrutínio. Na nota divulgada nesta sexta, o WhatsApp informou, por meio de sua assessoria, que notificou extrajudicialmente as empresas citadas pela Folha para que parem de fazer disparos massivos de conteúdo através do aplicativo. A ação do aplicativo engloba as agências Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, mas também há outras empresas sendo notificadas ao longo do dia de hoje. “O WhatsApp baniu proativamente centenas de milhares de contas durante o período das eleições no Brasil. Temos tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal para que não possam ser usadas para espalhar spam ou desinformação", disse a rede social.

Na reportagem publicada nesta quinta-feira, o jornal também afirma que as agências que venderam os pacotes de envio massivo de mensagens via WhatsApp utilizaram bases de usuários de terceiros, o que também é ilegal. Por último, a Folha diz que as agências de marketing digital que oferecem esse tipo de serviço estariam com um grande volume de disparos contratados para o fim de semana anterior ao segundo turno.

Outras frentes na Justiça eleitoral
O caso desencadeou reações não apenas em Haddad, mas também do PDT, partido de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na eleição presidencial. Os pedetistas entraram com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual pedem a anulação da eleição presidencial, por abuso de poder econômico por parte de Bolsonaro.

Já a campanha de Haddad protocolou ontem uma representação na qual pede a investigação do caso e a cassação do registro de Bolsonaro. Além do mais, os advogados do presidenciável do PT solicitaram uma série de medidas cautelares, como a busca e apreensão em endereços de Luciano Hang, dono da rede varejista Havan, um dos empresários que estaria envolvido no esquema. Hang nega. Também solicitam a quebra dos sigilos telefônico e bancário dos representantes das agências digitais citadas na reportagem da Folha. A peça protocolada pela campanha do PT também diz que a Justiça deve determinar que o WhatsApp apresenta um "plano de contingência" contra o envio de mensagens em massa. O ministro responsável pelo julgamento inicial da ação, Jorge Mussi, negou os pedidos cautelares feitos pelo PT.

A própria presidenta do TSE, Rosa Weber, evitou comentar as denúncias nesta sexta-feira. A princípio, estava prevista uma manifestação da ministra nesta tarde A jornalistas. No entanto, a coletiva de imprensa foi adiada e reagendada para este domingo, quando ela deverá fazer um balanço sobre a atuação da Corte eleitoral até o momento.

Haddad sobre Bolsonaro: ‘Não fez nada a vida inteira, é obrigado a atacar com calúnias'

sábado, outubro 20, 2018
O candidato à Presidência, Fernando Haddad (PT), esteve nesta sexta-feira (19) no Rio de Janeiro e participou de um debate no Clube de Engenharia. Logo após foi às ruas do centro da cidade, onde e discursou em meio aos militantes do partido ao lado de Marcelo Freixo (PSOL).

Durante o evento no Clube de Engenharia, Haddad subiu o tom contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro (PSL), reafirmando que tem sofrido ataques à sua honra e que o projeto de desenvolvimento do Brasil foi interrompido por um golpe. Ele se referiu a Bolsonaro como "despreparado e omisso", criticou a ausência do candidato em debates e comentou as denúncias de abuso de poder econômico que podem envolver a campanha do candidato do PSL em um esquema massivo de divulgação de notícias contra o PT dentro do WhatsApp.

"Como ele não fez nada a vida inteira, ele é obrigado a atacar com calúnias", disse Fernando Haddad sobre Jair Bolsonaro.

Haddad criticou Bolsonaro por criar uma imagem próxima ao regime militar, com o qual, afirmou, ele compartilha apenas a violência.

"A única herança que ele [Bolsonaro] tem do regime militar é a truculência com quem pensa diferente", disse. Ele também afirmou que Bolsonaro é entreguista e que mesmo os militares tinham traços liberalizantes, os quais o candidato do PSL, segundo Haddad, abre mão.

O ex-prefeito de São Paulo também criticou o fato de Bolsonaro não estar indo a debates e o acusou de não discutir ideias. Ele afirmou que Bolsonaro tem "um projeto covarde que não se apresenta" e que capitão reformado do Exército seria um presidente "despreparado e omisso".

"Ele simplesmente não se apresenta, não é possível para ele se comprometer com questões tão objetivas quanto essas", afirmou, em referência aos compromissos que assumiu durante o evento em torno do "resgate da soberania nacional e da soberania popular", propostas de cientistas e engenheiros presentes.

"Estamos desconstituindo direitos a ponto de esse processo de desconstrução remontar aos anos 1950", disse Haddad sobre as propostas de Bolsonaro e as reformas aplicadas pelo presidente Michel Temer.

Denúncia de caixa 2 de Bolsonaro e "Justiça analógica"

O candidato Fernando Haddad não deixou de comentar as denúncias sobre um possível esquema de abuso de poder econômico envolvendo a campanha de Jair Bolsonaro (PSL). A denúncia foi publicada na quinta-feira (18) pelo jornal Folha de São Paulo e movimentou a campanha e o noticiário nacional.

Haddad lembrou que a jornalista Patrícia Campos Mello, que fez a denúncia, está sofrendo ataques na internet. Ele ironizou a reação da campanha de Bolsonaro e afirmou que: "meu adversário não convive bem com jornalismo livre. E nós nem temos jornalismo livre", disse.
O ex-ministro da Educação falou novamente da necessidade de uma mídia plural, afirmando que o Brasil é refém da opinião de poucas famílias donas dos principais meios de comunicação.

Aproveitando o gancho, ele criticou a cobertura feita pelo Jornal Nacional das denúncias da Folha de São Paulo, afirmando que o principal telejornal da Rede Globo o teria feito parecer o autor das denúncias.

Haddad também afirmou que a Justiça precisa mudar a abordagem para acompanhar a velocidade de questões virtuais como as denunciadas.

"A Justiça é analógica para lidar com problemas virtuais. Uma ação ilegal assim pode impedir a trajetória de reversão dos votos. Se tomarem providências podem diminuir o desequilíbrio", disse Haddad.

O candidato do PT à Presidência também falou sobre a ausência de Bolsonaro nos debates presidenciais de segundo turno. Ele rebateu um jornalista que comparou a situação atual com eleições passadas e lembrou que essa seria a primeira vez que um candidato falta a todos os debates do segundo turno.

Fernando Haddad reafirmou que se dispõe a debater com Bolsonaro, inclusive em uma enfermaria, e disse que o candidato já foi liberado pelos médicos que acompanham o deputado federal desde seu esfaqueamento durante ato de campanha no dia 6.

"Para a Bandeirantes, Record, SBT e Globo, fica aqui esta proposição: abre o microfone para quem for, e quem não for fica com a cadeira vazia", afirmou o petista.

Soberania Nacional e política de educação foram exigidas

Além de Haddad, falaram também o presidente do clube, Pedro Celestino da Silva Pereira Filho, e também o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, que apresentaram demandas ao candidato por mais investimentos na Ciência e pela garantia da soberania nacional.

Sentaram-se à mesa com Fernando Haddad, além de sua esposa, Ana Estela Haddad, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Felipe Coutinho, o reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Reinaldo Centoducatte, o vice-presidente do Clube de Engenharia, Sebastião Soares, além do reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Jefferson Azevedo.


Reinaldo alertou o público e o candidato de que sua Universidade estaria com apenas 20% do orçamento que tinha em 2014.

Já Jefferson Azevedo afirmou: "Me parece que hoje as pessoas não reconhecem o poder transformador da educação pública neste país".
Felipe Coutinho usou sua fala para defender o desenvolvimento do país com soberania. "Não abrimos mao do compromisso com a verdade e do desenvolvimento soberano do Brasil", disse.

Estavam também no palco as deputadas federais Jandira Feghali e Benedita da Silva. Entre os presentes, estavam o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Roberto Leher.

Bolsonaro quer o Brasil de 50 anos atrás, Isso seria um desastre

sábado, outubro 20, 2018
É FÁCIL E CLARO saber o que o candidato Jair Bolsonaro é contra. O Brasil que o deputado quer, porém, é bem mais turvo. O seu plano de governo é simplista e Bolsonaro contradiz propostas de aliados constantemente – isso quando elas vão além dos clichês e palavras de ordem. A única chance de entender quais são nas raras entrevistas e em seus monólogos transmitidos no Facebook.

Ontem, Bolsonaro falou o seguinte a uma rádio AM de Barretos, interior de São Paulo: “nós queremos um Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás. Pode ter certeza que juntos chegaremos lá.”

Voltando o meio século proposto por Bolsonaro, caímos em 1967 – no começo da ditadura militar, um ano antes do AI-5. Não há novidades na defesa de posições retrógradas por Bolsonaro – e muito menos da ditadura. O candidato já deixou muito claro seu apreço pelo regime totalitário e por práticas como a tortura, por exemplo.

Mas a defesa explícita do Brasil de 1967 chama a atenção porque o Brasil de 50 anos atrás era pior. É difícil saber o que Bolsonaro quer resgatar daquele Brasil, e talvez nem o próprio saiba exatamente.

O Brasil melhorou em diversos aspectos. É inegável que o nosso arremedo de social-democracia, consolidado a duras penas em 1988, trouxe avanços consideráveis em pontos como saúde e educação. Para ajudar a refrescar a memória – e deixar claro o quanto a democracia tornou o Brasil um lugar melhor para se viver – resolvemos relembrar como era o Brasil de 50 anos atrás.

1. O atendimento à saúde era ruim e restrito
Ainda não havia o Sistema Único de Saúde, o SUS. Foi só em 1988 que o Brasil deu a todos o direito de um atendimento gratuito de saúde – ainda que muitas vezes ele deixe a desejar.

Antes disso, a maioria da população não tinha acesso a qualquer tipo de serviço. A cobertura de saúde era garantida apenas à parcela da população empregada formalmente, que era contribuinte da Previdência.

Os principais índices de saúde melhoraram constantemente nos últimos 50 anos. A mortalidade infantil despencou de 124 para 14 mortes a cada mil nascimentos. Enquanto isso, a expectativa de vida aumentou de 46 para 76 anos.

O candidato pretende manter os gastos em saúde pública como estão, ainda que a população aumente. Ainda antes da campanha, o candidato falou: “não adianta um pré-candidato dizer por aí: ‘a, eu vou aumentar o recursos para o SUS. Não é por aí”.

2. Mais de um terço da população era analfabeta
Ninguém em sã consciência defenderia a qualidade da educação pública brasileira, especialmente da mais básica. Mas, em comparação com o seu passado, o Brasil deu um salto que teve consequências brutais na vida de dezenas de milhões de brasileiros.

Há cinquenta anos, mais de um terço da população brasileira com mais de quinze anos era analfabeta – 39,7% em 1960. Hoje, 7% da população com mais de quinze anos não sabe ler e escrever.

As propostas para a área tem se resumido a uma valorização do ensino a distância, inclusive para o fundamental (crianças a partir de 11 anos). Mas nesse ponto, o seu vice, General Mourão, já deixou claro que pretende retomar as aulas “patrióticas” da época da ditadura – aulas de educação moral e cívica e organização social e política brasileira.

3. O trabalhador rural não tinha previdência
O trabalhador rural era um cidadão de segunda classe. Não tinha planos de aposentadoria e, na prática, qualquer direito trabalhista. Sem registro e organização formal, a situação deles há 50 anos lembrava mais o século 19 do que o 20.

Com o Estatuto do Trabalhador Rural, em 1963, o país tentou levar os direitos trabalhistas ao trabalhador do campo. Mas fracassou, e o estatuto foi letra morta. Os trabalhadores rurais só tiveram direito à Previdência com a criação do Funrural, em 1971.

Uma das medidas mais bem sucedidas para a redução da pobreza que o país já teve, a previdência rural agora está em risco – a reforma de Temer, por exemplo, acabava com seu caráter redistributivo. Bolsonaro ainda não deixou claro se deve ou não manter essa política.

4. Empregadas domésticas não tinham direitos
Há meio século, empregadas domésticas e autônomos estavam excluídos da Previdência. Eles só foram incorporados no começo dos anos 1970. Foi o general Médici, o mais linha dura da ditadura, o responsável pela medida.

Na prática, as empregadas domésticas não eram formalizadas, e ficaram sem direitos até a promulgação da PEC das Domésticas, que finalmente obrigou a formalização delas. Bolsonaro já se orgulhou de ser o único a votar contra essa proposta.

5. Somente dois partidos eram permitidos
Acuado por derrotas eleitorais em diversos estados, os militares acabaram com todos os partidos do país há cinquenta e dois anos. No dia 27 de outubro de 1965, o sistema partidário que vigorava desde a década de 1940 foi substituído por um novo onde só cabiam dois: a Arena, partido dos militares, e o MDB, onde estava a oposição consentida.

Se hoje nosso problema é que temos mais de trinta partidos, pior seria como estávamos há cinquenta anos. O próprio Bolsonaro já passou por nove partidos, e tomou proveito dessa situação ao se filiar a um partido nanico somente para se candidatar à Presidência.

Fonte: The Intercept

ELE ESTÁ POR TRÁS DA MAIOR ‘OPERAÇÃO ANTIFRAUDE’ DAS URNAS. MAS FRAUDA O PRÓPRIO CURRÍCULO.

sexta-feira, outubro 19, 2018


Brasil
FORAM DIAS de espera até que, na manhã desta terça-feira, um homem de cabelos brancos e colete anunciasse, em tom robótico, no YouTube, o que eleitores de Jair Bolsonaro gostariam de ouvir: há grandes chances das urnas brasileiras terem sido fraudadas em 2018.

Figura carimbada nos eventos patrocinados pela direita, o protagonista do vídeo é Hugo César Hoeschl, um ex-procurador da Fazenda Nacional que posa na internet de respeitado acadêmico e de bastião da luta pela verdade. Seu discurso, repetido desde 2014 em palestras, é que há exatos 73,14% de probabilidade das eleições de quatro anos atrás, vencida por Dilma contra Aécio, terem sido manipuladas.

Sua mais recente empreitada foi provar que o mesmo ocorreria em 2018. No discurso, gravado pelo grupo Brasil Paralelo, uma espécie de Netflix de conteúdos conspiracionistas, Hoeschl afirma que, para comprovar a fraude das urnas eletrônicas, montou uma rede de computadores com alto poder de processamento nos EUA. Ninguém sabe onde, nem mesmo se é nos EUA de fato. Essas máquinas, diz, estariam configuradas para capturar, processar e analisar o banco de dados do TSE e mostrar o baixo índice de confiabilidade das eleições. Hoje, com cinco dias de atraso e no mesmo cenário escuro e com computadores ao fundo, ele anunciou o resultado: 77,68% de chances de fraude.



Seu método, explicado genericamente por palestras de grupos de direita como o Conclave de São Paulo, é baseado num conceito chamado Lei de Newcomb-Benford. Trata-se de uma constatação de que, em séries numéricas geradas naturalmente, há sempre uma tendência de o número 1 aparecer mais vezes (30,1% do total), seguido pelo número 2, depois pelo número 3 e por aí vai. Por outro lado, nas séries numéricas que sofressem fraude humana, teria muito mais números altos, a exemplo de 7, 8 e 9.

O modelo criado pelo físico Frank Benford (1883-1946) se provou eficaz para verificar alguns tipos de fraudes em relatórios contábeis e bancários: muitos fraudadores, afinal, costumam usar números 9 para não usar números redondos e não causar suspeita — preferem usar 9.999 em vez de 10.000 para burlar limites de transferência, por exemplo. Quanto às eleições, porém, a ferramenta forense está longe de ser confiável. De uns anos para cá, muitos teóricos de universidades renomadas aplicaram a metodologia e não conseguiram provar a validade do recurso.

Um deles é Michelle Brown, da Universidade de Georgetown, que, ao aplicar a ferramenta nos dados de votos de uma assembleia nos EUA, descobriu que a Lei de Newcomb-Benford não é confiável para analisar eleições. Outro estudo, feito por professores da Universidade de Oregon e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, reforçou as descobertas de Brown: o conceito é inútil para cenários eleitorais.

No Brasil, pesquisadores também refutam a tese de Hoeschl. Pelo menos quatro pesquisadores nacionais atestaram que o modelo não pode ser usado como prova para fraude em eleições pois, nesses casos, as distribuições de números são mais complexas. Outro fator que destrói a tese de Hoeschl é que sua pesquisa sobre as eleições de 2014 não foi verificada por nenhum órgão científico. O tal número de 73,14% não foi confirmado por ninguém.

“Fica meio evidente que ele está aplicando um método que alega ser consenso científico, quando não é bem verdade”, diz o cientista da computação Diego Aranha, um ex-professor da Unicamp que já encontrou problemas de segurança – nada relacionados à teoria de Hoeschl – nas urnas eletrônicas. Mesmo ciente das vulnerabilidades, Aranha, que hoje dá aulas na Universidade da Aahrus, na Dinamarca, não se convenceu com a análise de Hoesch. E nem a comunidade científica, já que seus resultados sequer foram revisados.

O mundo paralelo de Hoeschl
No vídeo em que anuncia a Operação Antifraude, Hoeschl se apresenta como alguém que trabalhou como “delegado de polícia, promotor e procurador na área federal”. Os títulos, porém, não são todos verdadeiros. Hoeschl nunca foi delegado; o máximo que conseguiu foi ser aprovado em concurso da Polícia Civil do Paraná, em 1991, mas, de acordo com a instituição, nunca chegou a fazer parte do quadro de servidores. Ele de fato chegou a exercer as funções de promotor e procurador, mas omite ressalvas importantes. No primeiro cargo, no Ministério Público do Paraná, ficou apenas entre outubro de 1991 e maio de 1993. Já como procurador da Fazenda Nacional, foi demitido em junho de 2017 por, entre outros motivos, “improbidade administrativa”, “frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente” e “lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional”.

Seu currículo lattes, que ostenta com orgulho, também não é 100% honesto. Ele se apresenta como “professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)”. A instituição nega. Em nota, a universidade diz que ele não é docente, tampouco integra o quadro de servidores públicos. Sua atuação na UFSC se resumiu a estudante, pesquisador e orientador (de apenas uma tese) entre 1996, quando entrou no mestrado em Direito, e 2013, ano em que orientou dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção. “Não procede a informação de que é professor desta universidade e, portanto, suas opiniões não refletem as posições da instituição, uma vez que não compõe o quadro efetivo da UFSC”, ressaltou a assessoria da faculdade.

Além de ter aumentado ou mentido seus títulos, Hoeschl também se envolveu em questões que botam sua integridade em xeque. Em 2013, Hugo Hoeschl se tornou alvo de processo disciplinar na Advocacia-Geral da União. Entre as acusações estão a emissão de um parecer favorável a uma universidade em que ele dava aulas e ter usado organizações da sociedade civil como fachada para fazer contratos com o poder público sem licitação. Hoeschl foi acusado de atuar em uma organização que vendeu – e nunca entregou – um software no valor de R$ 38 milhões ao Ministério da Previdência.

Seus interesses políticos também são nebulosos. Hoeschl costuma falar que não tem partido. Diz orgulhoso que vota nulo. Ainda assim, deixa claro quem ocupa o topo de sua lista de desafetos. Durante palestra sobre fraude eleitoral em 2014, ele interrompe o raciocínio para que uma desanimada plateia se vire para o fundo e aplauda um boneco que imita Dilma Rousseff com roupa de detenta. “Olha a Bandilma”, aponta. A seguir, sem propósito, afirma: “Jamais votei para o PT. Para nada!”

Meses depois, em 2015, ele militou contra uma suposta candidatura de Lula para o Prêmio Nobel da Paz. Além de criar petições online, Hoeschl pediu, ao lado do ativista de direita Dalmo Accorsini, doações via crowdfunding para que fossem até a sede do comitê do prêmio, em Oslo, na Noruega, e argumentassem que o político petista não mereceria o título. Eles conseguiram R$ 47.865, dinheiro que bancou a viagem entre junho e julho daquele ano. “Não fazemos ataque”, declarou em um dos vídeos, de óculos escuros, em poltrona de avião. “O que fazemos é mostrar a realidade do Brasil, que existe requisitos técnicos para o Prêmio Nobel, e que esses requisitos não estão presentes na candidatura de Lula.”

Accorsini, o parceiro de Hoeschl, foi um dos primeiros a espalhar teorias mirabolantes sobre fraude eleitorais. Seu argumento é ainda menos exato que o do amigo. Ele afirmou, em 2015, que a empresa venezuelana Smartmatic fabricava urnas na Bolívia, em El Salvador, no Equador, na Nicarágua e no Brasil. Para ele, seria claro indício de eleição corrompida pela esquerda.

O boato cresceu entre colunistas de direita e, em 2017, depois que Rodrigo Constantino publicou um texto no site do jornal Gazeta do Povo no qual alarmava sobre manipulação das urnas em 2018, o TSE se viu obrigado a vir a público para esclarecer que a companhia não era fornecedora das urnas do Brasil. O que ocorrera, informou o órgão, foi a contratação da companhia para o preparo e a manutenção das urnas. Mesmo assim, o fato da Smartmatic ter sede no país de Nícolas Maduro e protagonizar alguns casos polêmicos, como ter denunciado manipulação nos resultados eleitorais venezuelanos em 2017, fez com que a teoria de Accorsini crescesse na ala que não crê na imprensa nem no sistema eleitoral.

Hoeschl anda próximo a outras figuras da direita. Nos eventos em que atua, circulam figuras como o filósofo Olavo de Carvalho, o monarquista Luiz Phelippe de Orleans e Bragança, recém-eleito deputado federal pelo PSL, militantes antipetistas como Marcello Reis, do Revoltados On-Line e, claro, o deputado federal Jair Bolsonaro. Em 2016, em um evento chamado Conclave de Brasília, é possível ver a mesma apresentação genérica de Hoeschl sobre as fraudes das eleições 2014 sendo apresentada para Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O movimento ensaiado com Bolsonaro
Na noite do domingo do primeiro turno das eleições de 2018, numa sala apertada, o presidenciável Jair Bolsonaro não escondia sua decepção em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook. Com tom monocórdico, o rosto combalido, expunha, ao lado do economista Paulo Guedes e sua mulher, sua indignação por ter recebido 46,04% dos votos. A vitória, disse, em frente à câmera, deveria ter vindo no primeiro turno. Só não havia ocorrido por causa de um sério motivo: falhas nas urnas eletrônicas.

A fala repetia um roteiro antigo. Ao longo das semanas que antecederam o pleito, o deputado falara repetidas vezes que não reconheceria a derrota caso os resultados premiassem outro candidato. Segundo ele, era nítido que, pelas ruas e pela internet, a gigantesca maioria do povo brasileiro o apoiava. “Se esses problemas não tivessem ocorrido, e tivéssemos confiança no voto eletrônico, já teríamos o nome do futuro presidente da República decidido hoje”, disse.

Seus eleitores e partidários acompanharam a onda de conspiração. No dia da eleição, Flavio Bolsonaro, filho do político e senador eleito pelo Rio de Janeiro, compartilhou pela manhã um vídeo em que pessoas tentavam votar no número 17, do PSL, mas, ao apertar 1, o voto ia automaticamente para o 13, do PT. A mensagem foi replicada pelo menos 844 mil vezes em grupos de WhatsApp, Twitter e Instagram. Horas depois, a Justiça Eleitoral desmentiu a montagem. Não foi suficiente para acalmar os ânimos de eleitores da extrema-direita.

Pelos dias seguintes, as histórias de fraudes eleitorais continuaram a se espalhar por simpatizantes a Bolsonaro. Joice Hasselman, a ex-jornalista conhecida por plagiar textos dos colegas e recém-eleita deputada federal pelo PSL, foi uma das que encabeçou o movimento. Mesmo com 1.064.047 de votos computados pelo país, ela defende que houve esquema para beneficiar Fernando Haddad, do PT, o segundo colocado das eleições para a Presidência com 29% dos votos.

Para endossar sua reclamação, usou imagens de queixas de pessoas em relação à urna – de acordo como o TSE, 2,4 mil urnas ou 0,54% do total apresentaram defeito e foram substituídas, número inferior ao de 2014, quando quebraram 0,75% do total. O pastor Silas Malafaia, também apoiador do candidato do PSL, engrossou o coro. No dia da apuração, cerca de 40 eleitores de Bolsonaro se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o resultado e queimar uma réplica da urna.

Semear o caos e desacreditar as instituições é parte da estratégia da campanha de Bolsonaro. Só causa estranheza que um político que está perto de ser eleito questione o sistema que poderá levá-lo ao Planalto. Para o cientista social e antropólogo Piero Leirner, professor da Universidade Federal de São Carlos, que estuda táticas militares de comunicação há três décadas, trata-se de uma tentativa de se apropriar de uma bandeira do PT (a de que está sendo sabotado) e esvaziar a pauta — o que chama de “false flag invertida”.

“O PT caiu no jogo porque, mesmo sendo claramente sabotado pelo poder Judiciário, tomou posição a favor do TSE”, diz. Desta forma, o PT perde margem para questionar eventuais anormalidades nas eleições. “O PT perdeu a janela de ouro de reafirmar a mensagem de Bolsonaro e tensionar o Judiciário,” me disse Leirner.

A tática parece surtir efeito. No canal do Brasil Paralelo (cujo líder usa, no Facebook, avatar de apoio a Bolsonaro), os vídeos sobre a operação somam mais de 2,5 milhões de visualizações e são replicados à exaustão via WhatsApp. Os comentaristas apreciam a tese antipetista e antiestabilishment de Hoeschl, ainda que os argumentos não se sustentem. Numa eleição marcada por táticas agressivas e subterrâneas de fake news, afinal, o que menos importa é a verdade. Resta saber se Bolsonaro vai questionar o resultado das eleições caso seja eleito. O mais provável é que diga que deveria ter vencido com ainda mais votos.

Tentamos contato com Hugo Hoeschl por e-mail, telefone, Facebook e pelo Brasil Paralelo, por vários dias, mas não obtivemos retorno.

Como falha na distribuição de água acabou com a maior cidade do mundo?

sexta-feira, outubro 19, 2018



No ano de 1200, a maior cidade do mundo, com uma área de 1.000 km², era considerada Angkor, onde hoje se localiza o território do Camboja.

Durante cem anos, o povoado construiu e expandiu suas redes de canais, diques, barragens, poços e outras estruturas importantes para a administração da água. Porém, no século XV, misteriosamente muitos plebeus e o rei de Angkor abandonaram a cidade.

Especialistas atribuem o fato a uma possível guerra com um reino vizinho, localizado na atual Tailândia, além de uma provável substituição do hinduísmo pelo budismo.
Outra hipótese sugere que o desaparecimento esteja ligado a inesperadas inundações, seguidas por décadas de chuvas escassas, que acabaram desencadeando uma série de falhas no maior sistema aquífero do mundo pré-industrial, de acordo com a revista Science Advances.

O coautor da pesquisa e geofísico da Universidade de Sidney (Austrália), Dan Penny, desenvolveu junto com outros cientistas um modelo computadorizado de como a mudança rápida nos períodos de chuvas poderia ter afetado o sistema de distribuição de água da cidade.

Com a ajuda de várias simulações, descobriu-se que os canais começaram a se corroer e se alargar devido ao volume do fluxo d'água.
Por causa disso, a água foi desviada de forma desigual pelas intersecções da rede, reabastecendo apenas alguns canais. A distribuição irregular foi ainda mais afetada devido aos sedimentos que foram se acumulando nos canais. 

Como resultado destes diversos fenômenos, ocorreu uma falha total da rede de água, contribuindo para o desaparecimento de Angkor, de acordo com pesquisadores.

Jornalista que denunciou possível 'Caixa 2 de Bolsonaro' sofre ataques na Internet

sexta-feira, outubro 19, 2018



A jornalista Patrícia Campo Mello está sofrendo ataques através de redes sociais devido à publicação de uma reportagem em que denuncia um suposto esquema de empresários e contratos milionários para publicações de notícias contra o PT via WhatsApp.

A reportagem foi publicada na manhã desta quinta-feira (18) pelo jornal Folha de São Paulo.

A denúncia de ilegalidade caiu como uma bomba sobre a campanha eleitoral de 2018, que já se encaminha para os finalmentes com a aproximação do segundo turno, em 28 de outubro.

Ao longo do dia, diversas notícias a esse respeito circularam na mídia, incluindo a possibilidade de que a chapa de Bolsonaro seja cassada durante o pleito de 2018 ou depois das eleições. O PDT avalia a possibilidade de pedir a anulação das eleições deste ano.
A jornalista que assina a matéria da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, no entanto, passou a receber ataques de apoiadores de Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Entre as mensagens mais agressivas, diversas citavam tags ofensivas com palavrões e um vídeo editado de 7 segundos usando um trecho de uma entrevista com a jornalista.

O correspondente internacional da Globo News Guga Chacra saiu em defesa da jornalista, que denunciou os ataques que vem sofrendo:


"Obrigada, Guga. Muito obrigada. Está circulando um vídeo fake news sobre mim, com uma edição desonesta, que corta na metade uma frase que eu disse. Eh bom ter profissionais como você defendendo o jornalismo", escreveu Patricia.

Durante toda a quinta-feira (18), a hashtag #Caixa2deBolsonaro foi o assunto mais comentado no mundo dentro do Twitter. O termo repercute a reportagem da Folha de São Paulo e a possibilidade de caracterização de crime de Caixa 2.

Ao final da tarde, a hashtag #MarqueteirosdoJair também figurou entre os assuntos mais citados da rede social, repercutindo reação de apoiadores de Bolsonaro.

Mauro Paulino, diretor do DataFolha, cujas pesquisas eleitorais estão entre as mais repercutidas e respeitadas no Brasil, chegou a comentar o assunto, relacionando as diferenças entre as últimas pesquisas eleitorais e o resultado das urnas durante o primeiro turno.


Tanto Bolsonaro quanto Haddad se manifestaram sobre a denúncia. O candidato do PSL chegou a falar em "apoio voluntário" em suas redes sociais na tentativa de negar as acusações.


Já Fernando Haddad (PT) deu diversas entrevistas durante o dia afirmando que levará o caso adiante e apresentará uma denúncia à Polícia Federal. O candidato afirmou que há uma tentativa de fraude eleitoral:

Ex-ministro de FHC diz que só Bolsonaro o convenceu a votar no PT

sexta-feira, outubro 19, 2018


Em evento de juristas pela democracia, José Carlos Dias sentou a mesa junto com Haddad, mas não quis tomar a palavra



CartaCapital
No encontro de juristas pela Democracia, personalidades do direito brasileiro se reuniram nesta quinta-feira 18 no hotel Matsubara, zona sul de São Paulo, para declarar apoio à candidatura do petista Fernando Haddad à Presidência da República.
Apresentado com deferência, José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça no governo de FHC e coordenador da Comissão da Verdade, compôs a mesa ao lado com de outras figuras, como Paulo Sérgio Pinheiro, Paulo Sérgio Pinheiro e Antônio Cláudio Mariz, todos juntos com Haddad.
Ao contrário dos colegas que tomaram a palavra para defender Haddad, Dias preferiu não se pronunciar. Na saída do encontro, porém, comentou que não falou para não ofender parte dos presentes. “Só o Bolsonaro foi capaz de me fazer votar no PT. Eu pedi para não falar porque era tanta gente falando e eu ia dizer isso. Não quis ofender ninguém”, afirmou.
Defensor de presos políticos da Ditadura Militar, Dias afirmou que Bolsonaro é um “perigo imenso para o Brasil”. “Esse homem é um crápula. Aquilo que ele fez apoiando o Ustra, as violências que ele disse e que ameaça o Brasil”, declarou.
Sobre a falta de uma aliança entre Hadadd e FHC, ele criticou o partido petista. “O PT não exerceu a humildade, como aliás faz parte da sua história. Em vez de ir a Curitiba, pedir a benção do Lula, tinha que ter procurado as alianças de outros partidos, inclusive o Fernando Henrique, fazendo uma autocrítica e pedindo o apoio. Acho que seria possível ter feito isso”.
O encontro reuniu outros tucanos, como Rubens Naves e Belisário dos Santos Júnior.
Compuseram a mesa com Haddad também Silvia Pimentel, Dora Cavalcante, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e Magda Biavaski.

Descoberto em Jerusalém um lugar de decapitação que revela período sangrento da história

sexta-feira, outubro 19, 2018

O achado, do século I a.C., põe em destaque os textos históricos sobre o reinado dos asmoneus. Na vala comum há restos de homens, mulheres, crianças e fetos




A macabra descoberta de uma vala comum no centro de Jerusalém, com dezenas de corpos decapitados, mais uma vez demonstra que a dinastia dos asmoneus – descendentes diretos dos macabeus – governou com mão de ferro o reino judeu que seus ancestrais conseguiram tornar independente dos selêucidas.

Na parte traseira do edifício do município de Jerusalém, em pleno centro da Cidade Santa, no bairro chamado de Complexo Russo, os arqueólogos encontraram durante as escavações de uma antiga cisterna os corpos de dezenas de vítimas do rei asmoneu Alexander Janeo (103-76 aC). "Retiramos da vala mais de 20 vértebras de pescoços cortados por uma espada", diz Yossi Nagar, antropólogo da Autoridade de Antiguidades de Israel. "Descobrimos na fossa corpos e partes de corpos de crianças e adultos, mulheres e homens, que provavelmente foram vítimas de um massacre brutal", disse Nagar ao jornal local The Times of Israel.


Não era novidade para os especialistas que o reinado de Alexandre Janeo se caracterizou por episódios sangrentos. Nos escritos de Josefo, historiador judeu do século primeiro, já está registrado o uso da política de conversão forçada e de destruição pela dinastia asmoneia, posta em prática pelo pai de Janeo, Jõao Hircano (134-103 a.C.). Também conhecido como Hircano I, designou a si mesmo como sumo sacerdote –apesar de nunca se proclamar rei –, libertou a Judeia da influência síria e expandiu seu reino para o norte, incluindo a Samaria, partes da Galileia e um vasto território a leste do rio Jordão.

Seu filho Aristóbulo continuou com essas campanhas militares, mas a morte o surpreendeu quando estava havia um ano no poder. O sucessor foi seu irmão Alejandro Janeo. O novo governante rompeu com a tradição e se proclamou sumo sacerdote e rei. Esmagou a rebelião dos fariseus em uma sangrenta guerra civil que, de acordo com Josefo, custou a vida de cerca de 50.000 judeus. As crônicas da época, compiladas em alguns dos textos encontrados nas cavernas de Qumran – conhecidos como os manuscritos do Mar Morto – também falam sobre como Janeo, após a revolta dos fariseus, mandou crucificar 800 rebeldes diante dos quais sacrificou suas mulheres e filhos, enquanto participava de um banquete com suas concubinas.

De acordo com os arqueólogos e estudiosos que apresentaram nos últimos dias a macabra descoberta da vala comum em Jerusalém, entre os restos encontrados também há ossos de fetos, o que sugere que algumas das vítimas enterradas eram mulheres grávidas. Além dos esqueletos que indicam que uma grande parte dos mortos foi decapitada, os estudiosos afirmam que há evidências de que alguns dos corpos também foram esquartejados.

Para os especialistas é um achado que deixa patente a veracidade das fontes históricas que descrevem o sangrento reinado de Janeo, o rei com quem os asmoneus atingiram seu maior esplendor e cuja morte deu lugar ao início do fim da dinastia. Por desejo expresso de Janeo, seu sucessor no trono foi sua mulher, Salomé Alexandra, mas, com a morte dela, começaram as disputas de seus descendentes pelo poder, que terminaram com o idumeu Herodes, o Grande, reconhecido pelo Senado Romano como rei de Judeia.

Bolsonaro é uma ameaça ao planeta

quinta-feira, outubro 18, 2018

O candidato de extrema direita já anunciou medidas que vão abrir a Amazônia ao desmatamento








Jair Bolsonaro, chamado nas redes sociais de “o coiso”, não é uma ameaça apenas ao Brasil, mas ao planeta. O candidato de extrema direita, que liderou o primeiro turno das eleições no Brasil, com o voto de quase 50 milhões de brasileiros, pode vencer no segundo turno, em 28 de outubro. Se ele se tornar presidente do Brasil, já avisou que pretende seguir Donald Trump e anunciar a retirada do Brasil do Acordo de Paris. Ele e seus apoiadores também já anunciaram várias medidas que abrirão a Amazônia ao desmatamento. A floresta, que já teve 20% de sua cobertura vegetal destruída, está perigosamente perto do ponto de virada. A partir dele, a maior floresta tropical do mundo se tornará uma região com vegetação esparsa e baixa biodiversidade. E o combate ao aquecimento global se tornará quase impossível.

O ultradireitista que flerta com o fascismo já anunciou que pretende fundir o ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura e que o ministro desta aberração será “definido pelo setor produtivo”. O que Bolsonaro chama de “setor produtivo” é tanto o agronegócio quanto os grileiros, criminosos que se apropriam de terras públicas na base da pistolagem. No Brasil, parte do agronegócio se confunde com a grilagem e é representado no Congresso pelo que se chama de “bancada do boi”.

Essa frente, que reúne parlamentares de diferentes partidos conservadores, tem atuado fortemente nos últimos anos para avançar sobre as áreas protegidas da Amazônia. Querem transformar terras indígenas e áreas de conservação, hoje as principais barreiras contra a devastação da floresta, em pasto para boi, latifúndio de soja e mineração. Nesta eleição, anunciaram seu apoio a Jair Bolsonaro. O Partido Social Liberal (PSL) de Bolsonaro, que deverá engordar a “bancada do boi”, passou de um para 52 deputados, tornando-se o segundo maior partido da Câmara a partir de 2019.

Bolsonaro já garantiu aos grandes fazendeiros e grileiros que vai “segurar as multas ambientais”. "Não vai ter um canalha de fiscal metendo a caneta em vocês!”, discursou em julho. “Direitos humanos é a pipoca, pô!” Também já disse que não haverá “nem um centímetro a mais para terras indígenas” e defendeu que as já demarcadas possam ser vendidas. Entusiasta da ditadura que controlou o Brasil entre 1964 e 1985, ele também já declarou que vai “colocar um ponto final no ativismo xiita ambiental”. O candidato, que exalta a tortura, afirma que “as minorias têm que se curvar à maioria” ou “simplesmente desaparecer”.

Apenas a possibilidade de ser eleito tem funcionado como uma espécie de autorização para desmatar a floresta e matar aqueles que a protegem. Vários casos de violência contra lideranças e assentamentos de camponeses ocorreram na Amazônia nesta eleição. O Brasil já é o país mais letal para defensores do meio ambiente. Com Bolsonaro, os conflitos devem explodir.

Em 8 de outubro, autores do relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertaram que o aquecimento global não pode ultrapassar 1,5°C. Meio grau a mais multiplicaria os riscos de seca, inundações, calor extremo e pobreza para centenas de milhões de pessoas. Alertaram também que só há 12 anos para reverter esse processo. Doze anos. A floresta amazônica é essencial para controlar o aquecimento global. E Bolsonaro já anunciou medidas que vão colocá-la abaixo.

Como o debate foi sequestrado no Brasil, o maior risco quase não é mencionado ou é simplesmente ignorado. Dentro do país. E também fora, onde o silêncio de governos e parlamentos da maioria dos países sobre a ameaça que assombra o Brasil é uma vergonha de dimensões globais.

Se não for por posicionamento humanitário, representado pelo risco de um defensor da ditadura, da tortura e do extermínio dos diferentes se tornar o presidente do maior país da América do Sul, que pelo menos seja por cálculo: o Brasil pode estar se tornando um país cada vez mais periférico em vários sentidos, mas a Amazônia é central no debate mais importante deste momento histórico e que atravessa todos os outros temas: o climático.

Quem acredita que a possibilidade de o Brasil ser governado por um homem declaradamente racista, misógino e homofóbico é apenas mais uma bizarrice da América Latina não compreendeu que, em tempos de aquecimento global, a ameaça alcança a sua porta.

Ativistas pedem destruição de "varanda de Hitler" em Viena

quinta-feira, outubro 18, 2018






Sacada na prefeitura foi construída para um discurso do ditador nazista em abril de 1938, pouco depois da anexação da Áustria. Autoridades preferem mantê-la para preservar memória.

Ativistas da iniciativa Memory Gaps exigiram a remoção de uma sacada no edifício da prefeitura de Viena, por ter sido de lá que Adolf Hitler fez um discurso à população em 1938.

Hitler fez o discurso em 9 de abril de 1938, a partir de uma varanda improvisada de madeira especialmente construída na imponente torre principal no centro da fachada neogótica do edifício. Posteriormente, a sacada de madeira foi substituída por uma sacada permanente de pedra.

Com o passar dos anos, a origem da construção da varanda desapareceu em grande parte de memória coletiva, mas o grupo de ativistas entrou com um pedido pela sua destruição. Os ativistas argumentaram que, além de toda a bagagem histórica, a varanda viola a linha arquitetônica da torre principal.

"Como alternativa, esta varanda historicamente contaminada poderia ser usada pela última vez para um discurso de paz e de despedida reconciliatória em 12 de novembro, quando é celebrado o 100º aniversário da fundação da República da Áustria", sugeriram os ativistas. O ano de 2018 marca também os 80 anos da anexação da Áustria pela Alemanha nazista.

As autoridades de Viena, aparentemente, foram pegas de surpresa pela proposta. A mais alta funcionária cultural da capital austríaca, Veronica Kaup-Hasler, disse que felicita o debate e o fato de ter chamado a atenção para um detalhe esquecido da história da prefeitura. Mas afirma que prefere a manutenção da varanda, acompanhada de uma explicação mais clara sobre sua história.

A diretora da comissão responsável por pesquisar e devolver bens roubados pelos nazistas, Eva Blimlinger, concordou. "Como tudo o que resultou do nacional-socialismo, essa varanda faz parte de nossa história", disse ela em entrevista ao diário local Kurier.

A anexação de 1938 foi bem recebida por uma ampla faixa da população austríaca. Pouco tempo depois, Hitler realizou outro discurso famoso na sacada do Palácio Imperial de Hofburg, também em Viena, em 15 de março, três dias após a anexação.

A relação da Áustria com o seu passado nazista continua sendo uma questão difícil – e não somente porque a legenda de extrema direita Partido da Liberdade (FPÖ) assumiu o governo no ano passado.

No início deste mês, o vice-chanceler federal da Áustria e líder do FPÖ, Hein-Christian Strache, causou controvérsia quando desvelou um monumento às mulheres que removeram das ruas destroços durante a Segunda Guerra. Críticos acusaram Strache de tentar reabilitar a reputação de algumas mulheres simpatizantes do nazismo.

PV/afp/ots

"Washington Post" publica última coluna de Jamal Khashoggi

quinta-feira, outubro 18, 2018



Texto de jornalista saudita desaparecido faz apelo em favor da liberdade de imprensa e denuncia silenciamento da mídia no mundo árabe. Autoridades turcas afirmam que Khashoggi foi assassinado em Istambul.

O jornal americano Washington Post publicou a última coluna do jornalista saudita Jamal Khashoggi, desaparecido desde que entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, em 2 de outubro. As autoridades turcas alegam que Khashoggi foi assassinado.

Em sua coluna, Khashoggi faz um apelo em favor da liberdade de imprensa em todo o mundo árabe e adverte que os governos do Oriente Médio vêm silenciando a mídia.

No texto, intitulado "Liberdade de expressão é do que o mundo árabe mais precisa", o jornalista relata a prisão de um proeminente escritor que discursou contra o establishment saudita, e cita um jornal sobre o qual o governo egípcio assumiu o controle.

"Essas ações não mais carregam a consequência de uma reação da comunidade internacional. Em vez disso, essas ações podem desencadear condenações rapidamente seguidas de silêncio", escreveu Khashoggi. "Como resultado, os governos árabes receberam rédea livre para continuar silenciando a mídia a um ritmo crescente."

Na coluna, Khashoggi também discute a prática de governos do Oriente Médio de bloquear o acesso à internet para controlar rigidamente as informações que seus cidadãos podem ver.

"O mundo árabe está enfrentando sua própria versão de uma Cortina de Ferro, imposta não por atores externos, mas por forças domésticas que disputam o poder", afirmou.

Khashoggi elogia o Washington Post por traduzir muitas de suas colunas do inglês para o árabe e afirma que é importante que cidadãos do Oriente Médio possam ler sobre a democracia no Ocidente. Ele também afirma ser fundamental que as vozes árabes tenham uma plataforma para serem ouvidas.

"Sofremos com pobreza, má administração e educação precária", escreveu. "Através da criação de um fórum internacional independente, isolado da influência dos governos nacionalistas que espalham o ódio por meio da propaganda, as pessoas comuns do mundo árabe seriam capazes de lidar com os problemas estruturais que suas sociedades enfrentam."

Em uma nota no topo da coluna, a editora para opiniões globais do Washington Post, Karen Attiah, disse que recebeu o texto da coluna do tradutor e assistente de Khashoggi um dia depois que ele foi dado como desaparecido.

O Washington Post inicialmente suspendeu a publicação da coluna em meio à esperança de que Khashoggi reaparecesse e pudesse participar do processo de edição ao lado de Attiah. Mas o diário comunicou que decidiu publicar o texto, nesta quarta-feira (17/10), depois de aceitar que isso não vai acontecer.

"Esta coluna capta perfeitamente seu compromisso e paixão pela liberdade no mundo árabe. Uma liberdade pela qual ele aparentemente deu sua vida. Eu serei eternamente grata por ele ter escolhido o Washington Post como sua última casa jornalística, há um ano, e nos ter dado a chance de trabalharmos juntos", escreveu a editora.

Devido às críticas à família real e ao príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, Kashoggi temia ser preso e se mudou para os Estados Unidos em 2017. Ele começou a escrever para a seção de opinião do Washington Post em setembro do ano passado. 

Relatos alegam que um grupo de homens – alguns próximos ao príncipe herdeiro – esteve em Istambul no dia do incidente. O governo saudita e Bin Salman negam qualquer envolvimento.

PV/ap/ots
 
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