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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Maduro promete “arrebentar os dentes” de Bolsonaro

Nicolás Maduro prometeu “arrebentar os dentes” de Jair Bolsonaro.

Em discurso para os milicianos chavistas, ele disse:

"Conheço os planos imperiais, conheço em detalhes os planos da oligarquia colombiana e de Jair Bolsonaro. Se eles se atreverem a atacar, vamos arrebentar seus dentes para que aprendam a respeitar a Força Armada Nacional Bolivariana e o povo de Bolívar.”

Ele disse também:

“Um grupo de terroristas,

mercenários, desertores, traidores apoiados, financiado e amparado pelos governos de Jair Bolsonaro do Brasil e Iván Duque da Colômbia assaltaram um quartel no estado de Bolívar. Roubaram fuzis, lançadores de morteiros e mísseis estratégicos.

Em uma sanha assassina, mataram um jovem soldado de nossa Força Armada Nacional Bolivariana, que conseguiu capturar a maioria dos terroristas e recuperar 95% das armas roubadas. O resto foi levado para o Brasil, amparados pelo governo fascista de extrema-direita de Jair Bolsonaro.”


Fonte: Antagonista

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Governo transfere R$11,7 bi em recursos da cessão onerosa para Estados, municípios e DF

SÃO PAULO (Reuters) - O governo informou nesta terça-feira a transferência a Estados, municípios e ao Distrito Federal de um total de 11,73 bilhões de reais em recursos provenientes do direito de exploração do excedente da cessão onerosa de duas áreas de produção de petróleo e gás na Bacia de Campos (Búzios e Itapu).

As informações constam em nota nota enviada pela assessoria de imprensa do Ministério da Economia nesta terça-feira.

O secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse que os recursos transferidos aos entes subnacionais terão que ser utilizados em despesas previdenciárias e para a realização de investimentos, conforme a nota enviada à imprensa.

Waldery classificou a medida como um “passo inicial decisivo” para a materialização do Pacto Federativo proposto pelo governo federal.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo muda a distribuição de recursos entre União, Estados e municípios e foi entregue pelo Executivo ao Senado em novembro como parte de um pacote de três PECs com objetivo de reformar o Estado.

A parcela de recursos da cessão onerosa a ser transferida aos entes subnacionais compõe um total de 69,96 bilhões de reais referente ao bônus de assinatura do leilão do volume excedente da cessão onerosa, realizado em 6 de novembro passado, no Rio de Janeiro, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Um outra fatia de 23,69 bilhões de reais ficou para a União e mais 34,42 bilhões de reais para a Petrobras.

Governo reajusta salário mínimo para R$1.039 em 2020

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira Medida Provisória que estabelece o salário mínimo em 1.039,00 reais para 2020, após cálculos que consideraram inflação mais alta decorrente do salto nos preços das carnes no fim de 2019.

O valor ficou acima dos 1.031,00 reais fixados em mensagem modificativa —enviada pela equipe econômica no fim de novembro— do Projeto de Lei Orçamentária de 2020 (PLOA-2020).

Segundo nota enviada à imprensa nesta terça-feira pelo Ministério da Economia, o número de 1.031 reais considerava um Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais baixo, mas as projeções para o índice em dezembro ficaram mais pressionadas devido ao aumento nos preços das carnes.

Foi feito ainda um ajuste que levou em conta a diferença entre a estimativa de inflação de dezembro de 2018 —critério que foi utilizado para estabelecer os 998 reais para o salário mínimo de 2019— e a variação efetiva do INPC, divulgada somente dia 11 de janeiro de 2019 e que veio mais alta que a previsão. Por fim, o governo arredondou para cima o número para evitar casas decimais (centavos).

“Como o valor anunciado ficou acima do patamar anteriormente estimado, será necessária a realização de ajustes orçamentários posteriores, a fim de não comprometer o cumprimento da meta de resultado primário e do teto de gastos”, disse o Secretário Especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Junior.

O governo estima que para cada aumento de 1,00 real no salário mínimo as despesas com benefícios da Previdência, abono e seguro desemprego e benefícios de prestação continuada da Lei Orgânica de Assistência Social e da Renda Mensal Vitalícia se elevam em 2020 em aproximadamente 355,5 milhões de reais.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Feriados prolongados nacionais de 2020: veja o calendário de feriadões

2020 terá quase o dobro de feriados prolongados que 2019, além de festas estaduais e pontos facultativos




O ano de 2020 proporcionará ao brasileiro quase o dobro de feriadões. Enquanto em 2019 só foi possível esticar a folga em cinco ocasiões (incluindo o Carnaval e Corpus Christi, que são pontos facultativos), em 2020 há sete feriados prolongados e dois pontos facultativos nacionais que caem perto do fim de semana, possibilitando ao brasileiro nove chances de descansar um pouco mais.

Somente um feriado nacional cai num domingo no novo ano: 15 de Novembro, quando o Brasil celebra a Proclamação da República. Já para as mais de 1.000 cidades do país que consideram o Dia da Consciência Negra um feriado, há mais uma chance de prolongar a folga: 20 de novembro cairá numa sexta-feira em 2020.


Os únicos meses sem feriadões nacionais em 2020 são Março e Julho —embora os paulistas tenham neste mês mais uma possibilidade de esticar o fim de semana: o Dia da Revolução Constitucionalista de 1932, celebrado em 9 de Julho (válido no Estado de São Paulo) será uma quinta-feira.

Veja as datas comemorativas celebradas nacionalmente no país

JANEIRO

1º de Janeiro - Ano Novo (Quarta-feira)

FEVEREIRO

25 de Fevereiro - Carnaval (Terça-feira): a segunda-feira, 24 de fevereiro, é ponto facultativo, bem como a quarta-feira de Cinzas (ponto facultativo até as 14h).

ABRIL

10 de Abril - Paixão de Cristo ou Sexta-Feira Santa

12 de Abril - Páscoa (Domingo)

21 de Abril - Tiradentes (Terça-Feira)

MAIO

1º de Maio - Dia Mundial do Trabalho (Sexta-feira)

JUNHO

11 de Junho - Corpus Christi (Quinta-feira)

SETEMBRO

7 de Setembro - Independência do Brasil (Segunda-feira)

OUTUBRO

12 de Outubro - Nossa Senhora Aparecida (Segunda-feira)

NOVEMBRO

2 de Novembro - Finados (Segunda-feira)

15 de Novembro - Proclamação da República (Domingo)

DEZEMBRO

25 de Dezembro - Natal (Sexta-feira)

Ponto facultativo

24 de Fevereiro: segunda-feira de Carnaval é ponto facultativo.

26 de Fevereiro: quarta-feira de Cinzas é ponto facultativo até as 14h.

11 de junho (quinta-feira): Corpus Christi, embora seja feriado em várias cidades brasileiras.

28 de outubro (quarta-feira): Dia do Servidor Público.

20 de novembro (quarta-feira): Dia da Consciência Negra, feriado em ao menos 1.045 municípios do Brasil.

Moradores das favelas sonham com casa e negócio próprios em 2020, mas sem otimismo por segurança

Estudo do Data Favela mostra que moradores desses conglomerados estão otimistas de que realizarão, por conta própria, os principais sonhos pessoais e profissionais. Mas creem que os votos coletivos, como o de menos violência, não se concretizarão


Imagem da comunidade da Chatuba, no Rio de Janeiro, em julho deste ano.RICARDO MORAES (REUTERS)

Enquanto o país tenta lidar com a crise econômica, nas favelas brasileiras, onde a crise sempre existiu, é o otimismo que prevalece para o ano que começa: oito de cada dez moradores acreditam que a vida em 2020 será melhor, seja com respeito às finanças, à saúde ou às relações familiares. Mas a sorte não depende de Governos para 64% deles: ela virá, principalmente, do esforço próprio. Tornar-se um empreendedor é a principal expectativa profissional, ao lado da conquista da casa própria no âmbito pessoal. Os dados fazem parte da maior pesquisa desenvolvida até hoje no Brasil sobre favelas, onde moram 13,6 milhões de brasileiros —pouco mais de 6% da população do país. E os números mostram que se a esperança de realização dos desejos pessoais e profissionais é alta, a de conquistar um sonho coletivo para a comunidade, como mais segurança para os moradores, é baixa. Apenas 28% das pessoas têm certeza que os sonhos para a comunidade serão alcançados.

O levantamento foi realizado em dezembro deste ano em mais de 60 favelas de todos os Estados do país pelos institutos Data Favela e Locomotiva, em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA) e a Comunidade Door. Moradores das próprias comunidades foram treinados para a realização da pesquisa, contribuindo com a elaboração das perguntas, a coleta de informações por meio de 2.006 entrevistas e a interpretação dos dados. “A favela continua otimista com relação ao futuro, como já apontavam pesquisas anteriores. Isso tem a ver com o fato de que a crise é regra na favela, não exceção. O otimismo tem muito mais a ver com a confiança no seu esforço do que com uma solução mágica vinda de fora”, explica Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Mas se, em 2013, 94% dos moradores davam nota de 8 a 10 para sua felicidade, neste ano de 2019 o percentual caiu para 74%.

No Brasil, as favelas estão concentradas principalmente nas capitais e regiões metropolitanas. A vida ali não é fácil. Somente dois a cada dez moradores desses territórios conseguem ter alguma reserva financeira, por exemplo. E 29% têm conseguido alguma renda graças aos serviços prestados por meio de aplicativos, um símbolo da precarização do trabalho. Nesse cenário, há nas favelas brasileiras cerca de 4,2 milhões de pessoas querendo empreender, mais da metade delas (58%) dentro da própria favela. É este, aliás, o maior desejo profissional dos moradores para 2020: 35% dos entrevistados sonham em ter seu próprio negócio.

“Isso não quer dizer que cresceu um pensamento liberal na favela. É algo que tem a ver com necessidade”, alerta Renato Meirelles. A lógica é outra. Celso Athayde, do Data Favela, explica que, nas comunidades mais pobres as pessoas aprendem desde cedo a se virar, seja fazendo um bico ou algum trabalho para fora. E que, num território onde as oportunidades ainda são tão reduzidas, empreender significa uma renda a mais e quase nunca uma atividade que vem sozinha. “É natural para uma mulher que é faxineira e também faz trabalho de cabeleireira em casa sonhe em ter seu próprio salão”, exemplifica.

Mas o maior sonho pessoal do morador da favela é ter a casa própria. Ao todo, 52% dos entrevistados têm certeza que conseguirão realizar seu maior sonho até 2020 e apenas 1% acredita que jamais conseguirá concretizá-los. “Crise é algo recorrente na vida das pessoas que nasceram nesses territórios. Elas não sonham muito alto. A favela é um espaço físico onde domina a resiliência, e a superação é um norte. Vivemos no Brasil uma crise moral e política, e as favelas percebem isso também. Mas nos territórios se consegue acreditar na felicidade e que o futuro vai ser melhor porque elas não têm muitas alternativas e caminhos. É uma coisa quase cultural”, diz Athayde.

Neste lugar onde os governos já falharam tantas vezes em garantir o básico, as mulheres chefiam 49% dos lares. Elas estão ainda mais otimistas que os homens para o ano que vem: 55% acreditam que realizarão seus sonhos até 2020, enquanto só 44% dos homens têm essa mesma confiança. O principal empecilho apontado pelos entrevistados para alcançar seus desejos é o dinheiro (67%), seguido da disciplina (32%), do tempo (25%) e da sorte (16%).

Mas quando o assunto é o sonho coletivo para a favela, a expectativa geral diminui. “O grande sonho da favela é a segurança. E quando a gente fala em segurança estamos falando de sair de casa sem achar que você pode morrer por uma bala perdida dentro do território”, afirma Renato Meirelles. Ao todo, 30% dos entrevistados colocaram a segurança para os moradores com o principal desejo para o território onde moram. Outros 17% sonham com mais infraestrutura e 12% com melhor acesso à saúde. No entanto, apenas 28% acreditam de fato que podem alcançar seu desejo para a comunidade.

Ano de queda da balança comercial, à espera de boas notícias do exterior

Crise na Argentina interfere na balança brasileira. CNI estima que déficit em transações correntes deve chegar a 3% do PIB


Xi e Bolsonaro em encontro no Itamaraty, em novembro.ADRIANO MACHADO (REUTERS)


A balança comercial brasileira registrou até o fim de novembro uma queda de 4,7% entre os meses de janeiro e novembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. Dados do Ministério da Economia mostram que o país exportou e esta,6 bilhões de dólares em produtos no ano de 2019, contra 388,2 bilhões de dólares no ano passado. Quando se separa exportação de importação, nota-se que houve uma queda de 6,8% nas vendas ao exterior e de 2,1% nas compras.

Na avaliação de economistas e da Confederação Nacional da Indústria, a redução é uma tendência mundial, principalmente por causa do conflito comercial entre os Estados Unidos e a China. Além disso, crises políticas ou econômicas de parceiros regionais do Brasil interferiram nessa queda da balança. “A Argentina está em crise econômica. O Chile enfrenta uma instabilidade política forte. E a Venezuela está há quatro anos numa crise profunda. Uma hora essa conta chegaria ao Brasil”, afirmou o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB).

As vendas para a Argentina entre janeiro e novembro caíram de 14,2 bilhões de dólares em 2018 para 9 bilhões de reais no mesmo período deste ano. As importações, por sua vez, ficaram em 9,6 bilhões, contra 10 bilhões em 2018. Assim, passamos de um saldo comercial com os argentinos no ano passado, para um déficit. A Argentina também caiu de terceiro para quarto parceiro comercial este ano. Em dois anos, houve uma perda de 50% nas vendas para o país vizinho.

Os chineses, por sua vez, seguem sendo os principais parceiros comerciais do Brasil. Eles movimentaram 370,6 bilhões de dólares neste ano. Parte disso, contudo deve se reduzir nos próximos meses, em cerca de 10 bilhões de dólares, pelo menos. A projeção foi feita pela Universidade Insper, e leva em conta os principais produtos agrícolas brasileiros que deixariam de ser vendidos para a China caso seja cumprido o acordo entre chineses e americanos. Uma das medidas anunciadas pelos dois governos foi o de que a China deveria elevar a importação do agronegócio americano. O impacto ao Brasil seria direto.

Analisando a redução dos valores das importações, surgem duas hipóteses, na avaliação de Oreiro. A primeira é que o câmbio desfavorável tem feito com que os compradores substituam produtos importados por nacionais equivalentes. O dólar sofreu uma brusca variação no Brasil. Começou o ano valendo R$ 3,80 e agora terminou novembro custando R$ 4,24. A segunda hipótese, que ele aponta ser menos provável, é que o Brasil pode ter conseguido fazer melhores negócios, comprando a mesma quantidade de produtos com preços mais baixos.

Os dados oficiais demonstram que os negócios caíram com oito dos dez principais parceiros comerciais brasileiros. Só houve um aumento nos negócios com os Estados Unidos, que cresceu 4,3% e com o Japão, elevação de 7,2%. No caso dos japoneses, o resultado se deve principalmente a um aumento de 18% nas exportações. Já com relação aos americanos, seu segundo principal parceiro, Brasil passou a importar 5,9% a mais neste ano. “Quando o governo Jair Bolsonaro se aliou ao de Donald Trump, esperava-se que houvesse uma elevação considerável dos negócios entre os países, mas isso não aconteceu e nem vai acontecer. A preocupação de Trump é a China”, avaliou Oreiro.

Nesse cenário, o informe conjuntural da CNI publicado na semana passada chegou à seguinte conclusão: “O fraco desempenho da balança comercial ao longo do ano comprometeu as contas do balanço de pagamento e acentuou o déficit em conta corrente. O déficit em transações correntes deve alcançar 55 bilhões de dólares, aproximadamente 3% do PIB”. O déficit corrente é a diferença entre o que o país gastou e recebeu em suas transações internacionais (relativos ao comércio exterior, renda e transferências/empréstimos internacionais).

Assim, o ano deve fechar com os piores dados desde dezembro de 2015, quando o déficit era de 3,03% do PIB, conforme dados do Banco Central . Ou seja, há quatro anos, o Brasil não registrava dados tão negativos nas importações e exportações de bens e serviços. Os dados são tabulados pelo BC desde o ano de 2009.

Inércia em 2020, futuro promissor

José Augusto Castro, presidente da Associação Brasileira das Empresas Exportadoras (AEB) projeta que em 2020 o país vai manter essa inércia, com queda nas importações e exportações. “Temos de buscar outros mercados para este momento, ainda mais com a Argentina em crise”, diz Castro. Apesar do momento de baixa, o presidente da AEB está otimista com o longo prazo. Para ele, o acordo da União Europeia e Mercosul, firmado em maio, traz uma perspectiva decisiva para mudar o padrão do comércio internacional do Brasil. Ele ainda precisa ser ratificado para que entre em vigor e o Brasil tenha acesso aos 200 milhões de consumidores do Velho Continente. Além disso, o Governo está de olho em novos acordos que poderiam dar fôlego às exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que a facilitação das importações de outros países vai obrigar as companhias nacionais a se reinventarem para os novos desafios. (Colaborou Carla Jiménez)

Do bolsonarismo ao integralismo, como a extrema direita se organiza na Internet

O pesquisador David Nemer explica que, em 2019, os ultraconservadores se dividiram na Internet em três subgrupos. Em um deles estão os encapuzados que reivindicaram o ataque ao Porta dos Fundos


Bolsonaristas promovem manifestação na avenida Paulista, em São Paulo.FERNANDO BIZERRA (EFE)

Jair Bolsonaro está prestes a completar um ano no cargo de presidente da República. Ao longo deste período, o território virtual que abriga o bolsonarismo, e que foi engrenagem essencial de sua campanha para chegar ao poder, sofreu algumas mudanças e se dividiu. A ideologia de extrema direita continua lá, intacta e até mais radical. Mas a união conseguida por Bolsonaro naquelas eleições se desfez. Os extremistas estão agora divididos em ao menos três subgrupos, segundo explica David Nemer, especialista em Antropologia da Informática. Em um deles, que ele nomeia de insurgentes, estão pessoas com o mesmo perfil dos homens encapuzados que reivindicaram o ataque com coquetel molotov à sede da produtora Porta dos Fundos, na madrugada de 24 de dezembro. Eles se identificam com o integralismo, o movimento fascista que surgiu nos anos 1930 e que, na era da Internet, ganha novo vigor.

“Os insurgentes são mais militaristas e acabaram virando oposição, porque acham que Bolsonaro cedeu ao establishment e não é radical o suficiente. Acreditam que a única forma de salvar o país é fazendo uma insurgência armada para fechar o Congresso e o STF, e começar do zero. Eles falam muito de insurgência armada”, explica Nemer, que desde 2018 está presente em grupos de WhatsApp da extrema direita para monitorar seu comportamento.

Em vídeo que circula nas redes sociais desde a última quarta-feira, os encapuzados que assumiram o ataque ao Porta dos Fundos dizem ser parte do Comando de Insurgência Popular Nacional, recorda Nemer. Já a Frente Integralista Brasileira (FIB) soltou uma negando qualquer relação com os homens que assumiram o atentado. Ainda que não seja possível dizer que aquelas pessoas específicas formem parte dos grupos de WhatsApp que monitora ou que oficialmente estejam ligados aos integralistas, o pesquisador explica que “o tom nacionalista cristão e as ideias de atentar contra as universidades e as instituições” são as mesmas. Ele ainda lembra que o mesmo grupo que diz ter atacado a produtora invadiu a UniRio em 2018 e queimou bandeiras antifascistas, conforme também publicou a Ponte Jornalismo. Esses radicais atuam em fóruns da darkweb, mas também recrutam novas pessoas pelo WhatsApp e pelo Youtube. “Não consegui identificar um só canal no Youtube, porque eles são constantemente banidos ou colocados em quarentena. Então existe uma rotatividade”, completa o pesquisador.

O núcleo de propaganda é outro subgrupo que Nemer identificou após as eleições. Formado por bolsonaristas que apoiam o presidente incondicionalmente, tornou-se uma espécie de cão de guarda do Governo, atuando de acordo com a agenda política diária. Nas redes, essas pessoas defendem a gestão Bolsonaro em situações delicadas ― por exemplo, em momentos nos quais mede força com o Congresso ― ou quando se vê acuado ― como durante a crise internacional desatada pelos incêndios na Amazônia. “Bolsonaro precisa de um inimigo para alimentar a retórica do eles contra nós. E essas pessoas nas redes precisam de um inimigo para trabalhar. Nesse sentido, os peronistas se tornaram inimigos, Macron se tornou inimigo e até pessoas do PSL se tornaram inimigas. Agem como milícia virtual e até pessoas como Alexandre Frota e Joice Hasselmann se tornaram alvos”, explica Nemer, mencionando os dois deputados que romperam com Bolsonaro depois de se elegerem fazendo campanha para ele.

Por fim, o pesquisador também identificou o subgrupo que ele classifica como supremacistas sociais, que estão mais ligados aos evangélicos e podem ser tão radicais quanto os insurgentes. “Os supremacistas sociais não estão muito ligados à política do dia a dia, mas eles capitalizam em cima do discurso do presidente e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Compartilham conteúdo neonazista, racista, anti-LGBT, anti-Nordeste...”, explica Nemer. “Afinal, se o filho do presidente usa uma retórica parecida e não acontece nada com ele, então essas pessoas, que estão no anonimato, se sentem mais livres para compartilhar esses conteúdos. O Governo Bolsonaro valida muito esse pensamento racista que eles têm”.

Por que o bolsonarismo se dividiu em três subgrupos? O pesquisador aponta para a própria natureza das últimas eleições. “Bolsonaro abarca várias linhas de pensamento: a liberal na economia, a evangélica, a militar... Essas linhas são conflitantes, não andam de mãos dadas, como pudemos ver durante a briga entre os seguidores de Olavo de Carvalho e os militares”, argumenta. “Esses grupos estavam todos alinhados numa mensagem de eleger Bolsonaro, mas começaram a entrar em conflito. Umas pessoas queriam mais militarismo, outras queriam mais olavistas, outras mais evangélicos. É um reflexo do que Bolsonaro está fazendo na vida real: se ele demitia um militar, então os militaristas ficavam indignados...”, prossegue. Assim, as pessoas foram deixando os grupos de WhatsApp montados durante a campanha e criando outros mais de acordo com a linha que eles queriam que o presidente seguisse.

O método de sua pesquisa
Professor titular e pesquisador no Departamento de Estudos de Mídia na Universidade da Virgínia, Nemer realiza seu trabalho de campo em ambiente virtual, para averiguar como as pessoas se comportam e interagem entre si. No ano passado, identificou que as conversas dos grupos de família estavam mudando e adquirindo um tom mais político conforme as eleições se aproximavam. Algo aparentemente normal, mas que ganhou força com a difusão de conteúdos feitos de forma caseira ― isto é, pouco profissional ― com informações falsas ou distorcidas. Também foi um dos que identificou o comportamento de milícias virtuais que agem para perseguir determinadas figuras públicas e destruir reputações. Ele mesmo se tornou neste mês de dezembro um dos alvos dessas milícias virtuais. Ao publicar suas análises, conta ter recebido e-mails com ameaças e até mesmo uma foto sua andando em um local de São Paulo.

Com as eleições se aproximando em 2018, Nemer entrou em quatro grupos de WhatsApp bolsonaristas para monitorá-los. Ele identificou na ocasião uma forma de agir hierarquizada. No topo da pirâmide estavam algumas poucas pessoas anônimas que ele classifica como influencers, responsáveis por criar desinformações e distribuí-las nesses grupos. No meio da pirâmide estavam o que chama de exército voluntário, isto é, bolsonaristas que ficavam responsáveis por espalhar esses conteúdos pelas redes e grupos família. Na base estavam os brasileiros comuns, pessoas que conheceram Bolsonaro e impulsionaram sua candidatura. “Eram pessoas que não tinham espaço para debater e eram bombardeadas com conteúdos. Pela repetição, não havia espaço para dúvidas”.

Com a eleição de Bolsonaro, muitos desses brasileiros e brasileiras comuns foram deixando os grupos, que acabaram desinflando. Permaneceram os mais radicais, que se dividiram nos subgrupos explicados acima. Hoje, Nemer monitora cerca de uma dezena de grupos de WhatsApp e já colheu relatos de pessoas que dizem ter recebido quantias de dinheiro para impulsionar conteúdo falso nas redes.

“É uma minoria, uma coisa menor do que era antes, mas é uma minoria extrema e radical. Temos que prestar atenção porque esses espaços obscuros, escondidos, promovem uma radicalização. A pessoa passa a não ter mais senso crítico”, explica. Essa minoria hoje trabalha a partir da política do medo, tentando criar um passado mítico, que não aconteceu, para motivar as pessoas a saírem para votar ou protestar, segundo explica. “A desinformação não quer só puxar uma agenda política. Ela aliena você da verdade e tira todo o seu pensamento crítico”, completa.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Parceria entre Governo e Klabin assegura R$ 450 milhões para infraestrutura

O Governo do Estado e a Klabin anunciaram nesta terça-feira (17) um investimento de R$ 450 milhões da empresa para obras de infraestrutura. O recurso é parte dos R$ 9,1 bilhões que estão sendo investidos pela companhia na ampliação da planta de Ortigueira, nos Campos Gerais.


Foto: RODRIGO FELIX LEAL

Um dos maiores investimentos privados da América Latina, o Projeto Puma II foi incluído no programa de incentivos do Governo do Estado e deve gerar 9 mil empregos diretos e indiretos na fase de implantação, além de mil postos de trabalho durante a operação.

O protocolo de intenções que formalizou o investimento, que prevê melhorias nas malhas viárias existentes na região de influência do projeto, foi assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, pelo diretor-geral da Klabin, Cristiano Cardoso Teixeira; o diretor de Projetos da empresa, Francisco Razzolini; e pelos secretários Renê Garcia (Fazenda), Valdemar Bernardo Jorge (Planejamento e Projetos Estruturantes) e Sandro Alex (Infraestrutura e Logística).

O empreendimento da Klabin, afirmou o governador, ajuda a consolidar o ambiente industrial do Estado e traz uma transformação a toda a região dos Campos Gerais. “Além de gerar empregos e ampliar o desenvolvimento econômico e social da região, a confirmação desse investimento é um atestado do bom ambiente do Estado, um grande cartão de visitas”, disse. “Quando consolidamos este projeto, outras grandes empresas passaram a olhar o Paraná com bons olhos”, ressaltou.

“O compromisso assumido pela Klabin demonstra que nossos esforços estão orientados para o crescimento integrado e responsável. Assim como nossa indústria, os projetos que serão aprovados para esse investimento estarão guiados pela inovação, tecnologia e sustentabilidade, o que beneficia as comunidades do entorno de nossas operações”, afirmou o diretor-geral da Klabin, Cristiano Teixeira.

OBRAS – Durante o primeiro trimestre de 2020, a Klabin e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística trabalharão no planejamento e detalhamento das obras e cronogramas. A empresa deverá executar as construções no período 2020 a 2024.

“As obras serão definidas em conjunto com a fábrica, atendendo às suas demandas e também a da população que vive na região”, afirmou o secretário Sandro Alex. “O importante é que todos serão beneficiados com estradas melhores, adequações e ampliação de capacidade que vão dar mais segurança para todos”, ressaltou.

Em contrapartida aos investimentos em infraestrutura que serão realizados pela Klabin, o Estado do Paraná concederá crédito presumido de ICMS, limitado ao valor efetivamente investido.

O protocolo também prevê contrapartidas do Estado para a região de influência do Projeto Puma II, como complementação de efetivos do batalhão da Polícia Militar, Corpo de Bombeiro e Polícia Civil; a implantação de Instituto Médico Legal (IML), Delegacia Cidadã e Centros de Socioeducação (CENSE); e o funcionamento do Hospital Regional de Telêmaco Borba.

BONS ÍNDICES – Ratinho Junior afirmou que o Estado deve fechar 2019 com R$ 23 bilhões em investimentos privados, número que se reflete nos índices econômicos. A produção industrial do Paraná é a maior do País, com crescimento de 6,9% até outubro. Também está entre os estados que mais gerou empregos no ano, com quase 67 mil vagas criadas no período.

“Tudo isso é motivado pelo bom trabalho do poder público, em criar um ambiente jurídico com credibilidade e oferecer soluções para quem produz, e também pela confiança do setor privado. A ideia é continuar nesse mesmo ritmo no ano que vem, com a economia muito mais aquecida”, afirmou Ratinho Junior.

“A consolidação do empreendimento da Klabin é a demonstração de que o Paraná é um estado seguro para se investir, que dá uma boa rentabilidade para quem investe e, acima de tudo, fortalece nossa vocação de ser uma terra de gente que trabalha”, salientou o governador.

PROJETO PUMA II – Presente no Estado desde 1930, a Klabin instalou em 2016 uma unidade de produção de celulose em Ortigueira, com capacidade de produzir 1,5 milhão de toneladas por ano. O Projeto Puma recebeu investimentos de R$ 8 bilhões, com incentivos do governo. O empreendimento era, até então, o maior investimento privado já feito no Paraná.

Em maio deste ano, a empresa anunciou R$ 9,1 bilhões para a expansão da planta, que ampliará a capacidade de anual de produção da fábrica para 2,5 milhões de toneladas de celulose, com a produção integrada de 920 mil toneladas de papel por ano.

O Projeto Puma II compreende a instalação de duas máquinas de papel para embalagens (kraftliner), com produção de celulose integrada. A primeira etapa consiste na construção de uma linha de fibras principal para a produção de celulose não branqueada integrada a uma máquina de papel kraftliner, com capacidade de 450 mil toneladas por ano. A segunda contempla a construção de uma linha de fibras complementar integrada a outra máquina de papel kraftliner, com capacidade de 470 mil toneladas anuais.

Francisco Razzolini, diretor de Projetos, Tecnologia Industrial, Inovação, Sustentabilidade e Negócio de Celulose da Klabin, destacou este projeto consolida um novo passo da história da empresa no Estado. “A Klabin vem com um ciclo grande de investimentos no Estado desde 2016, o que significou um aumento de capacidade da empresa, ampliação na produção de celulose e de exportação pelo Porto de Paranaguá, que cresce a cada ano”, disse.

“Com este novo ciclo, estamos lançando um produto único no mundo: um papel para embalagem feito exclusivamente de eucalipto, desenvolvido ao longo dos últimos 25 anos. É uma inovação que a Klabin traz para o mercado”, explicou Razzolini. “Graças às terras produtivas do Paraná, temos a maior produtividade florestal do mundo e conseguimos consolidar esse projeto em tempo recorde, o que é muito importante para o nosso ciclo de crescimento”, afirmou.

PRESENÇAS – Participaram da solenidade o presidente do Conselho de Administração da Klabin, Armando Klabin; o consultor jurídico da empresa, Joaquim Miró; os diretores Arthur Canhisares (Industrial de Papel); Fabio Medeiros (Jurídico e Integridade); José Totti (Florestal) e Sandro Ávila (Planejamento Operacional, Logística e Suprimentos); os deputados estaduais Alexandre Curi e Tercílio Turini e o prefeito de Telêmaco Borba, Marcio de Matos.