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Com discurso de combate à corrupção, Bolsonaro posa com corruptos

No primeiro dia como presidente, militar diz que prioridade será combate à corrupção, mas “esquece” que montou ministério com nomes cheios de problemas na Justiça


O discurso segue o mesmo: mentiras, ódio contra a esquerda e adversários políticos, promessas infundadas e pouca ou quase nenhuma proposta concreta (ou que valorize o povo) para tirar o Brasil da crise. O que se viu na posse do presidente Jair Bolsonaro foi a repetição de tudo o que já havia dito durante a campanha eleitoral, com o suposto combate à corrupção sendo repetido à exaustão pelo militar.

Acontece que o próprio militar já desmentiu a si mesmo antes e volta enganar a população ao manter – sem dar qualquer explicação aos eleitores – em seu corpo ministerial ao menos nove ministros com problemas na Justiça. Muitos deles, como Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, com lugar de destaque ao lado de Bolsonaro em seu primeiro dia de governo.

Se quiser, portanto, começar a combater a corrupção, o radical da extrema-direita deve começar pelo seu próprio time e tirar do cargo todos os nomes com ficha suja. Além de Onyx, caixa 2 confesso e que usou dinheiro público para fazer campanha para Bolsonaro, Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tereza Cristina (Agricultura), General Heleno (Segurança Institucional), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Paulo Guedes (Economia), Marcelo Álvaro Antonio (Turismo) têm algum tipo de problema na justiça.

Campanha barata? Fake news
Bolsonaro disse ainda durante o discurso de posse que fez a “campanha mais barata da história”. A informação poderia ser verdade caso o escândalo das fake news não tivesse vindo à tona durante o processo eleitoral. Embora ainda os culpados estejam impunes mesmo diante de tantas evidências, uma série de denúncias indicam que o capitão teve ajuda financeira milionária de apoiadores por meio de caixa 2 utilizado para financiar a produção de notícias falsas.

“O uso do WhatsApp para disseminação de notícias falsas no Brasil é um fenômeno sem precedentes no mundo”, disse na época Laura Chinchilla, chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que esteve no Brasil para observar das eleições.

Armas de fogo
Quando disse em seu discurso que o brasileiro voltará a ter o direito à legítima defesa, Bolsonaro cometeu dois grandes erros: o primeiro foi ignorar o desejo da própria população. De acordo com pesquisa do Datafolha publicada no dia 31 de dezembro, 61% dos brasileiros são contrários à liberação da posse de armas pois “representa ameaça à vida das pessoas”.

Em segundo, mesmo após prometer respeitar a Constituição em juramento, Bolsonaro não leva em conta que a proposta de alterar a lei do desarmamento por decreto para dar posse de arma a todos os cidadãos sem antecendentes criminais e tornar o registro definitivo é ilegal.

De acordo com técnicos jurídicos ouvidos pela reportagem  da Folha de S. Paulo, a medida seria ilegal já que um decreto não pode alterar uma lei. E a do desarmamento é clara: em seu artigo 5º, ela diz que os requisitos para manter uma arma em casa devem ser comprovados periodicamente.

Patriotismo?
Logo após a cerimônia de posse, Bolsonaro agradeceu o presidente Donald Trump pelo apoio transmitido via redes sociais. Mais do que mera diplomacia, a troca de afagos escancara a relação de submissão do Brasil perante os EUA que se dará a partir de agora. No discurso de posse, por exemplo, o capitão voltou a dizer que umas de suas grandes prioridades será diminuir o tamanho do estado brasileiro.

Não é preciso ser cientista político para entender o que ele quis dizer: seu governo tentará colocar à venda todas as grandes empresas nacionais nos mesmos moldes da política entreguista do golpista Michel Temer. Em suma, Bolsonaro mente mais uma vez ao tentar se fazer acreditar com o lema “Brasil acima de tudo”. Na verdade, está claro que quem está acima é o governo ultraliberal de Trump.