Haddad reduz diferença para favorito Bolsonaro e eletriza reta final da campanha - JORNAL DE IBAITI

Haddad reduz diferença para favorito Bolsonaro e eletriza reta final da campanha

Nos votos válidos, diferença é de dez pontos no Datafolha e de oito pontos no Ibope








Fernando Haddad (PT) segue em tendência de alta e reduziu a diferença para o favorito Jair Bolsonaro (PSL), eletrizando a reta final da campanha presidencial brasileira na véspera da votação. Nos votos válidos, a diferença é de dez pontos no Datafolha (55% x 45%) e de oito pontos no Ibope (54% x 46%),  de acordo com os levantamentos divulgados na noite deste sábado pelos institutos. Em uma disputa fortemente polarizada e com os analistas ainda projetando que uma virada é difícil, a campanha do PT parece, com os números, colher um momentum nos últimos dias e no próprio sábado, ao angariar apoios e mobilizar uma –até recentemente inusual– militância de rua. A dúvida é se o movimento neste domingo de eleição seguirá e em qual intensidade.

Considerando os votos totais, o Datafolha mostra que o candidato de extrema direita do PSL tem 47% contra 39% de Haddad. Há ainda 8% de brancos e nulos e 5% de indecisos. No Ibope, o placar é 47% x 41%, com 10% de brancos e nulos e 2% de indecisos. Foi nesse contingente que ainda não escolheu nenhuma opção que a campanha petista e apoiadores de rua miraram suas energias nos últimos dias. É nesse público também que Haddad espera que os apoios recebidos de véspera possam ajudar.
Ainda que o terceiro colocado na disputa Ciro Gomes (PDT) tenha decepcionado as expectativas de Haddad ao evitar um endosso à candidatura do PT neste sábado, Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e algoz do partido no caso do Mensalão, declarou apoio ao petista "por medo" de Bolsonaro –e ainda confrontou o candidato do PSL no Twitter. O mesmo fez o ex-procurador-geral, Rodrigo Janot, símbolo da Operação Lava Jato, que colocou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atrás das grades. "Por exclusão, voto em Haddad", escreveu Janot. Em outra frente, mais pop, mas não exatamente desprezível em uma campanha marcada pelas redes sociais, o vloger Felipe Neto, com canal com mais de 26 milhões de seguidores, declarou apoio ao petista.

Bolsonaro faz nova transmissão do Facebook
Enquanto isso, Bolsonaro, ainda se recuperando de um atentado a faca e recluso em sua casa no Rio, apostou mais uma vez em sua fortaleza: as redes sociais. Numa aparição no Facebook de pouco mais de meia hora, pediu que ninguém desse por vencida a batalha em nome de construir um "país feliz" para todos. Com um histórico de declarações racistas, Bolsonaro fez a transmissão ao lado do deputado estadual eleito pelo Rio Hélio Lopes (PSL), o Hélio Negão ou Hélio Bolsonaro, nome que o subtenente da reserva usou na urna. "Queremos acabar com essa história entre brancos e negros. Ele não vai ser branco nunca, eu não vou ser negro nunca. Vamos ser felizes!", disse.

O candidato de extrema direita chega ao dia da votação oscilando momentos de extrema virulência, como as promessas de "varrer os bandidos vermelhos" ou de prejudicar o jornal Folha de S. Paulo, e tentando suavizar algumas propostas mais controversas ventiladas por ele ou por sua equipe, como a decisão de acabar com a pasta do Meio Ambiente ou sair do Acordo de Paris. 

Ainda que tenha uma vantagem confortável, a situação de Bolsonaro não deixa de ser sui generis dada sua alta taxa de rejeição, de 46% no eleitorado total e 50% entre as mulheres. São os homens, aliás, que sustentam sua dianteira. Nesse seguimento, ele aparece com 55% contra 37% de Haddad. Já entre as mulheres, há empate técnico, com o petista na frente (42% contra 41%).

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