Jornal de Ibaiti

INTERNACIONAL

MANCHETES

PF pede bloqueio de bens de Temer e a prisão do Coronel Lima

quarta-feira, outubro 17, 2018

Presidente foi indiciado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no inquérito dos portos. Além de Temer, a PF indiciou outras dez pessoas






Na conclusão das investigações do inquérito dos portos entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal pediu o indiciamento e o sequestro e bloqueio de bens do presidente Michel Temer, a filha dele Maristela Temer, do ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures e de outros oito investigados, conforme despacho do relator do caso na corte, Luís Roberto Barroso, a que a Reuters teve acesso.

No relatório final, a PF também solicitou ao Supremo a prisão preventiva do coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, da arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel, e outras duas pessoas. Em despacho desta terça, Barroso disse que vai aguardar a manifestação da Procuradoria-Geral da República a respeito dos pedidos feitos pela PF antes de decidir. A PGR poderá oferecer denúncia contra Temer.

Se isso ocorrer, seria a terceira contra o atual chefe do Poder Executivo —as outras duas ele conseguiu barrar o prosseguimento na Câmara dos Deputados, que não deu aval para o STF julgar as acusações criminais e que ficaram suspensas até ele deixar o cargo.

Ainda assim, de antemão Barroso decidiu proibir os investigados que tiveram a prisão preventiva requerida pela PF de deixarem o Brasil.

“Aguardarei a manifestação do Ministério Público quanto aos requerimentos de sequestro e bloqueio de bens, assim como do pedido de prisão preventiva. Determino, no entanto, desde logo, a proibição de se ausentarem do país aos investigados que tiveram sua prisão processual solicitada pela autoridade policial”, disse Barroso.

Segundo o ministro do STF, a PF decidiu apontar o indiciamento dos investigados pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O ministro cita que essa organização está “dividida em quatro núcleos: político, administrativo, empresarial (ou econômico) e operacional (ou financeiro)”.

Na lista de indiciados estão Antônio Celso Grecco, ex-presidente da Rodrimar, Ricardo Conrado Mesquita, ex-diretor da Rodrimar, sócio do grupo Libras, Gonçalo Borges Torrealba.

“De acordo com o relatório, foram produzidas, no âmbito do inquérito, provas de naturezas diversas, que incluíram colaborações premiadas, depoimentos, informações bancárias, fiscais, telemáticas e extratos de telefone, laudos periciais, informações e pronunciamentos do Tribunal de Contas da União, bem como foram apurados fatos envolvendo propinas em espécie, propinas dissimuladas em doações eleitorais, pagamentos de despesas pessoais por interpostas pessoas —físicas e jurídicas—, atuação de empresas de fachada e contratos fictícios de prestação de serviços, em meio a outros”, informa Barroso, citando o relatório da PF.

O inquérito dos portos foi aberto em setembro do ano passado, diante da suspeita de que Temer teria recebido propina, por meio do então assessor especial Rodrigo Rocha Loures, para editar um decreto que beneficiou a Rodrimar em alterações legais para o setor. Mas, no curso das apurações, outros crimes foram sendo investigados.

A defesa de Temer informou à Reuters na noite desta terça que ainda não tinha tido acesso ao relatório final da apuração e que vai se manifestar na quarta-feira.

Chile destitui coronel por saudação a genocida da ditadura Pinochet em ato

quarta-feira, outubro 17, 2018

Coronel Germán Villarroel, diretor da Escola Militar, permitiu homenagem a brigadeiro da reserva Miguel Krassnoff, condenado por 71 crimes cometidos durante o regime militar




O Exército chileno passou compulsoriamente à reserva o coronel Germán Villarroel, que até esta segunda-feira dirigia a Escola Militar do país, por sua “responsabilidade de comando” na homenagem feita nas dependências da instituição ao genocida Miguel Krassnoff Martchenko, que cumpre pena por 71 crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Em meio à premiação de uma competição esportiva na Escola Militar, onde são formados os oficiais do país, em 6 de outubro, o filho do genocida, coronel Miguel Krassnoff Bassa, tomou a palavra para agradecer publicamente “o carinho, a lealdade e a dignidade do diretor da Escola Militar, com o subdiretor e todo o seu pessoal, (…), de poder recordar o soldado, porque nem todos se lembram”. “Para nós, é super importante que nossos pais, que deram a cara e a vida pelo Chile e suas famílias, estejam sempre presentes no coração de todos vocês”, disse Krassnoff Bassa. “Coube a eles combater, e deram o ar que respiramos em nossa querida pátria”, acrescentou.

A decisão do Exército foi motivada pelo repúdio generalizado à homenagem, que se tornou pública em um vídeo divulgado neste domingo. O ministro da Defesa, Alberto Espina, do governo conservador de Sebastian Piñera, considerou o fato “inaceitável” e deu 24 horas para que uma investigação apontasse as responsabilidades. Enquanto isso, dirigentes da oposição de esquerda opositora e entidades de defesa dos direitos humanos pediam a demissão de Villarroel. A diretora do Instituto de Direitos Humanos, Consuelo Contreras, havia declarado que “atos como este, realizados nas dependências de uma instituição do Estado, constituem uma nova afronta à dignidade das vítimas, com ações de caráter negacionista contrárias ao direito internacional”.

Junto com a ordem de aposentadoria do diretor da Escola Militar, o Exército removeu o coronel Krassnoff Bassa, que era diretor da Escola de Idiomas. Como estava próximo de passar à reserva, como havia solicitado antes mesmo da homenagem, foi convidado “a entregar imediatamente” a direção da escola. Para o Exército, os dois militares provocaram “um gravíssimo dano” à instituição, como declarou o general Miguel Alfonso Bellet, comandante de Educação e Doutrina, que leu uma declaração pública na tarde desta segunda. “Nossa instituição é e sempre será respeitosa com as resoluções da Justiça”, disse o general.

Ferida aberta, Ustra e Mourão
O Golpe de Estado de 1973 é uma ferida aberta no Chile, e, a propósito de diversas efemérides, novamente se acendeu o debate sobre o passado recente do país. Em 11 de setembro completaram-se 45 anos da ruptura democrática, em 5 de outubro se festejaram os 30 anos do plebiscito de 1988 – em que triunfou o não a Pinochet –, e nesta terça-feira se comemoram as duas décadas da detenção do ditador em Londres, de 16 de outubro de 1998. Em agosto passado, as críticas ao Museu da Memória e Direitos Humanos de Santiago – que relata o golpe de Estado de 1973 e a ditadura através da experiência das vítimas –, custaram o cargo ao historiador Mauricio Rojas, que havia assumido o ministério da Cultura apenas quatro dias antes.

O brigadeiro reformado Miguel Krassnoff Martchenko, que cumpre penas de 668 anos de prisão na penitenciária de Punta Peuco, é filho e neto de cossacos que em 1947 foram fuzilados no pátio da prisão de Lefortovo após serem condenados pelo tribunal supremo da União Soviética por crimes de guerra, traição à pátria e colaboração com o inimigo. No golpe de Estado de 1973, o militar chileno dirigiu o ataque à casa do presidente Salvador Allende. Depois foi lotado na Direção Inteligência Nacional (DINA), o órgão repressivo da ditadura, onde se tornou um dos mais ferozes torturadores. Suas vítimas recordam que era um dos poucos que não se importavam em dizer seu nome real.

O panorama contrasta com o brasileiro. Além de não ter punido os criminosos do regime militar brasileiro (1964-1985), no Brasil não há resposta institucional a oficiais que enalteçam o período ditatorial e seus agentes apontados como violadores pelo relatório oficial da Comissão Nacional da Verdade (CNV). O general da reserva, Hamilton Mourão, agora candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, se despediu do serviço militar em fevereiro em uma concorrida cerimônia no Salão de Honras do Comando Militar do Exército, em Brasília. No discurso, chamou de "herói" o coronel Carlos Brilhante Ustra (1932-2015), também evocado por Bolsonaro. Ustra foi chefe de um importante centro da repressão durante a ditadura militar e reconhecido como torturador pela Justiça brasileira, além do relatório CNV. Mourão foi elogiado no mesmo dia pelo comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, como "exemplo".

DiadosProfessores - FGV

quarta-feira, outubro 17, 2018
Educar é um ato de resistência. Estimular a criatividade, a busca pelo conhecimento e formar cidadãos é uma missão nobre. Condutor das transformações sociais, o professor é o elo indispensável entre tecnologia e aprendizado. Neste dia, nossos alunos possuem apenas um pedido: “professores, continuem transformando a vida das pessoas”. 
👩‍🏫 #DiadosProfessores #FGV

Facebook avisará usuários para que monitorem mensagens suspeitas depois da invasão por ‘hackers’

terça-feira, outubro 16, 2018

FBI pediu para a empresa não falar sobre quem pode estar por trás do ataque e suas intenções







O Facebook deu novos dados sobre a invasão de sua rede por hackers anunciada há duas semanas. A empresa afirmou que nos próximos dias enviará mensagens personalizadas aos usuários atingidos para que monitorem sms, e-mails e chamadas suspeitas que possam receber, como anunciou o vice-presidente de produto, Guy Rosen, em uma entrevista coletiva por telefone a partir da sede da empresa em Menlo Park (Califórnia).

Os dados roubados podem ser usados por hackers para passarem por amigos de possíveis novas vítimas. Os atacantes retiraram dos perfis pirateados informações sobre nome, sexo, estado civil, religião, data de aniversário, cidade atual, tipos de dispositivos usados para acessar o Facebook, trabalho, os últimos 10 locais de onde acessaram a rede social e suas 15 buscas mais recentes. Esse nível de especificidade dá muitas opções aos hackers para tentarem passar pelos usuários atingidos junto a outros amigos e obter informações não apenas no Facebook, mas também por e-mail ou telefone.

A diretora executiva assistente do FBI, Amy Hess, disse na sexta-feira em uma cerimônia em Washington, à margem do anúncio do Facebook, que o roubo de dados pessoais é uma tendência cibercriminosa crescente: “Vemos uma ameaça combinada: Estados-nação que estão usando hackers que cometem crimes para fazer cumprir suas ordens e também atores de organizações criminosas cujo objetivo é a segurança nacional, especialmente através do roubo de informações pessoais identificáveis”, explicou. Essa informação se refere especialmente aos 14 milhões de usuários do Facebook que foram mais afetados pelo ataque.

Rosen repetiu uma e outra vez que não podem ser fornecidos detalhes sobre a origem geográfica e as intenções dos hackers porque o FBI o pediu expressamente. O vice-presidente de produto admitiu que a origem das vítimas é “bastante ampla”, mas não foi mais longe por advertência das autoridades federais norte-americanas. A empresa também está colaborando com a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda. A perda de dados de usuários da União Europeia poderia implicar em uma multa para a rede social.

O Facebook não tem indícios, por enquanto, de que os dados roubados foram usados ou compartilhados na Internet: “Nós não vimos nenhuma evidência de que esses dados tenham sido utilizados”, disse Rosen.

O Facebook reduziu o número total de atingidos dos 50 milhões iniciais para 29. O erro se deve, de acordo com Rosen, à “extrema rapidez” com a qual deram a informação inicial. Os 29 milhões estão divididos em três grupos. Um primeiro grupo de 400.000 usuários cujas contas os hackers “já controlavam”, segundo Rosen. Isso deveria ter permitido que o Facebook e o FBI delimitassem a origem dos invasores. Os outros dois grupos estão divididos quase igualmente entre 15 e 14 milhões e sua única diferença é a profundidade dos dados de perfil aos quais os hackers tiveram acesso.

A empresa insistiu que suas outras marcas –Instagram, WhatsApp e Messenger– não foram afetadas. O Facebook também não tem evidências de que os atacantes usaram o acesso a contas do Facebook para entrar em outros aplicativos que podem ser acessados com o login da rede, como o Spotify e o Tinder.

As informações sobre cartões de crédito não foram afetadas, disse Rosen, embora tenham sido comprometidos os últimos quatro números no caso de alguns usuários. Esse tipo de detalhe pode dar credibilidade a uma mensagem de phishing, na qual um hacker se passa por um banco e tenta conseguir que alguém lhe dê informações –basicamente uma senha– de maneira voluntária.

Rosen pediu novamente desculpas pela perda de dados particulares de pessoas que os tinham confiado à empresa, mas também admitiu que é impossível que os dados sejam completamente seguros: “Sempre haverá problemas. Procuramos agir cada vez mais rápido”, explicou.

Arábia Saudita estaria disposta a admitir que jornalista morreu durante o interrogatório, diz imprensa dos EUA

terça-feira, outubro 16, 2018

As autoridades pretendem culpar os membros dos serviços de inteligência por agirem sozinhos e, assim, salvaguardar o príncipe Mohamed Bin Salmán





A Arábia Saudita está disposta a admitir que o jornalista Jamal Khashoggi morreu em um interrogatório depois de entrar no consulado de seu país em Istambul, na Turquia, de acordo com veículos de comunicação dos Estados Unidos, como CNN, The New York Times e The Wall Street Journal. O canal de televisão fala de "duas fontes" que asseguram que "os sauditas estão preparando um relatório reconhecendo que a morte de Jamal Khashoggi foi resultado de um interrogatório que deu errado". Segundo uma das fontes da CNN, os sauditas supostamente informarão que a operação foi realizada "sem autorização e transparência" e que os envolvidos "serão acusados".

Questionado durante uma visita ao Estado da Geórgia sobre um desses relatos da mídia, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que "ninguém sabe" se isso é oficial, segundo a agência Reuters. Horas antes, Trump especulou que os assassinos do jornalista poderiam ter agido livremente. Segundo o Times e o Journal, a confissão de culpa "abre uma janela" à monarquia saudita para defender que a morte não teria nada a ver com os líderes do reino, "uma teoria defendida por uma pessoa familiarizada com os planos sauditas de colocar a culpa em um funcionário dos serviços de inteligência e, assim, proteger o príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman".

O rastro do jornalista, crítico do atual governo de seu país e especialmente do príncipe herdeiro, foi perdido no último dia 2 de outubro, quando ele entrou no consulado saudita em Istambul para realizar um procedimento para seu casamento. Khashoggi, de 59 anos, fugiu no ano passado para os Estados Unidos, temendo pela sua segurança no país árabe.

Buscas
Policiais e legistas turcos entraram nesta segunda-feira, 15, no consulado da Arábia Saudita em Istambul em busca de pistas sobre o desaparecimento de Khashoggi. A operação ocorre quase duas semanas após o desaparecimento do jornalista e uma semana depois de Ancara solicitar às autoridades de Riad que concedessem uma permissão especial para a entrada de seus agentes na legação, protegida pela Convenção de Viena para as Relações Diplomáticas.

Finalmente, chegou-se a um acordo depois de uma conversa telefônica na noite de domingo entre o rei Salman bin Abdulaziz, pai de MBS, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Uma fonte presidencial turca citada pela agência oficial Anadolu relatou que eles salientaram a importância da equipe de trabalho conjunta estabelecida para investigar o caso Khashoggi. Nesta segunda-feira, esse grupo manteve sua primeira reunião, de duas horas, na sede da Direção Geral de Segurança de Istambul.

O rei Salman determinou ao Ministério Público saudita que abra uma “investigação interna” sobre o desaparecimento de Khashoggi, com base na informação a ser obtida pela equipe enviada a Istambul, disse uma fonte do Governo saudita à agência Reuters. “Falei com o rei da Arábia Saudita, que nega qualquer conhecimento do ocorrido com o ‘nosso cidadão saudita’. Diz que está trabalhando estreitamente com a Turquia para achar respostas”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, pelo Twitter.

A aparente mudança de postura saudita – anteriormente dizia que Khashoggi saiu por conta própria do consulado após fazer um trâmite no dia 2 – contrasta com o fato de que na manhã desta segunda-feira faxineiras foram vistas entrando no edifício consular, bem como uma equipe de investigadores sauditas à tarde, poucas horas antes da chegada dos investigadores turcos.

De acordo com o jornal turco Sabah, um dos motivos que causaram a demora na operação de buscas no consulado foi o empenho dos sauditas em que se tratasse apenas de uma inspeção ocular, enquanto a polícia científica turca insistia em poder colher amostras e utilizar produtos químicos em busca de traços de DNA e sangue de Khashoggi, além de fazer testes para o uso de ácidos. Uma das novas hipóteses da investigação é que Kashoggi não só foi torturado e assassinado – algo que algumas fontes turcas dizem estar provado com gravações de áudio – como também que seu corpo foi dissolvido em ácido.

Turan Kislakçi, amigo da vítima e presidente da Associação da Imprensa Turco-Árabe, antecipou essa versão dos fatos, e o jornal Habertürk afirma em sua edição desta segunda-feira que tanto a polícia como o serviço secreto turco estão “investigando seriamente” tal possibilidade. Uma fonte de segurança confirmou ao EL PAÍS que desde os primeiros dias da investigação os agentes turcos examinam as tubulações e redes de esgoto nos arredores do consulado em busca de rastros de ácido e material humano.

Pressão diplomática e empresarial
Soner Çagaptay, diretor do programa de estudos turcos no think tank The Washington Institute for Near East Policy, opinou no Twitter que Erdogan procura oferecer uma saída honrosa para o rei Salman, permitindo-o atribuir o assassinato a “elementos radicais” dentro do regime saudita, para “evitar uma ruptura das relações” entre Ancara e Riad num momento em que a economia turca passa por dificuldades. “Mas se o plano a não funcionar, o plano B de Erdogan é pressionar os sauditas. É aqui que necessita do apoio de Trump”, concluiu.

A pressão sobre a Arábia Saudita está dando certos resultados, porque atingiu o Reino do Deserto onde mais lhe dói: sua imagem de paraíso para os negócios. Empresas importantes, como Uber, Viacom, Ford e Virgin, se retiraram de um fórum econômico marcado para o final do mês em Riad ou cancelaram seus negócios com a monarquia árabe. A este protesto se somaram nas últimas horas gigantes financeiros como JP Morgan, BlackRock e Blackstone, o que colocou em dúvida a viabilidade do chamado Davos do deserto.

Também as chancelarias ocidentais intensificaram a pressão. Em nota conjunta enviada às autoridades sauditas, os ministros de Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha exigiram “uma investigação confiável” e que “os responsáveis pelo desaparecimento de Jamal Khashoggi sejam identificados e responsabilizados”. Também a Espanha, através da porta-voz do Governo, Isabel Celaá, manifestou nesta segunda-feira sua “preocupação” e exigiu uma “investigação urgente e transparente”.

Mas o maior golpe veio do próprio Trump, que durante o fim de semana mudou de postura – anteriormente considerava que os negócios armamentistas com a Arábia Saudita eram muito importantes para impor sanções – e prometeu “um severo castigo” se ficar provado que os sauditas assassinaram Khashoggi, colaborador do jornal norte-americano The Washington Post e exilado nos EUA desde 2017. Nesta segunda-feira, entretanto, sugeriu que um grupo de capangas poderia tê-lo assassinado. O secretário de Estado Mike Pompeo foi enviado a Riad para discutir o assunto diretamente com o rei saudita.

As palavras iniciais de Trump levaram a um desabamento da Bolsa saudita, que chegou a cair até 8,4% durante sua jornada de domingo (dia útil no país), embora tenha se recuperado nesta segunda. “O reino rejeita completamente qualquer tipo de ameaça ou tentativa de miná-lo mediante a ameaça de sanções econômicas ou pelo uso de pressão política”, afirmou uma fonte do Governo do Riad citada pela agência de notícias estatal SPA. A mesma fonte alertou que a Arábia Saudita “desempenha um importante papel na economia mundial” graças ao seu petróleo e responderia a qualquer ação contra si “com outra maior”. A emissora local Al Arabiya informou sobre “mais de 30 medidas” que a monarquia árabe poderia tomar, entre elas convidar os russos a estabelecerem uma base militar ou provocar uma considerável alta do preço do petróleo.

Ibope: Bolsonaro alcança 52% nos votos totais, contra 37% de Haddad

terça-feira, outubro 16, 2018

É a primeira pesquisa do instituto no segundo turno. Nos votos válidos, candidato de extrema direita tem 59% contra 41%





A preferência pelo candidato de extrema direita do PSL, Jair Bolsonaro, ultrapassou pela primeira vez a marca de mais de metade do eleitorado em uma pesquisa. De acordo com o Ibope, o deputado federal alcançou 52% das intenções de voto no primeiro levantamento do instituto para o segundo turno, que acontece em 28 de outubro. O petista Fernando Haddad chega a 37% no mesmo levantamento, enquanto 9% estão dispostos a anular o voto ou votar em branco. Um percentual de 2% não quis ou não soube responder. Nos votos válidos, Bolsonaro bate 59%, contra 41% de Haddad, uma vantagem ainda maior que a medida pelo Datafolha na semana passada, que foi de 16 pontos percentuais. 

A pesquisa Ibope, que tem margem de erro de dois pontos percentuais, trouxe ainda outra má notícia para Haddad. A rejeição do petista chega a 47% dos eleitores, ultrapassando o índice do capitão reformado do Exército, que aparece com 35%, pela primeira vez. Nas pesquisas feitas antes do primeiro turno, o deputado federal do PSL era sempre campeão no quesito rechaço do eleitor. As entrevistas foram feitas entre 13 e 14 de outubro, com 2.506 eleitores em todo o Brasil.

Dificuldades de Haddad
Os números, em especial o da rejeição, injetam ainda mais pressão sobre o petista, no momento em que Bolsonaro segue fazendo campanha com rígido controle da mensagem e recusa, até agora, a participar de debates. Enquanto isso, Haddad segue com dificuldades para ampliar seu arco de alianças. Nesta segunda-feira ocorreu em Brasília uma reunião de dirigentes do PT, PSB, PCdoB, PROS e PSOL, aliados do PT. O PDT, partido de Ciro Gomes, não enviou representante, num dos sinais dos problemas dos petistas para atrair o terceiro colocado no primeiro turno para o palanque de Haddad. "Fica muito difícil que, no momento em que nunca cederam em nada, eles [PT] só queiram que nós nos reunamos em torno deles sendo protagonistas", disse o presidente do PDT, Carlos Lupi, ao repórter do EL PAÍS Ricardo Della Coletta. Lupi estava em São Paulo para declarar apoio ao candidato do PSB ao Governo de São Paulo, Márcio França.

Em situação oposta está o candidato ultradireitista. Ele já convence mais de 50% do eleitorado brasileiro martelando uma mensagem de que tirará o PT do poder e sem ter que sequer fazer acenos ao centro, pedir desculpas por ofensas já feitas a minorias ou muitas novas promessas. O militar da reserva disse nesta segunda-feira, por exemplo, que nunca viu "mulher reclamando que ganha menos do que homem". A declaração foi feita a uma rádio de Barretos, em entrevista citada pela Folha de S. Paulo.

Pobres contra pobres

terça-feira, outubro 16, 2018

É o que pretende Bolsonaro, última versão do capitão do mato, com o beneplácito de Donald Trump e a bênção do deus mercado





Por: Mino Carta 

Espanta-me o fato de que sejam tão poucos os cidadãos capazes de entender a unicidade do Brasil no confronto com quaisquer países há muitos séculos saídos da Idade Média.

Aqui, casa-grande e senzala continuam de pé. Conservo a esperança de que Bolsonaro não confirme o assombroso resultado do primeiro turno, prova implacável da nossa medievalidade.

Consta que os fiéis do deus mercado estão em festa, o que não há de surpreender. Não nos força a espremer as meninges perceber que o capitão cabe no papel de capataz da casa-grande.

Teria de derrubar o queixo do observador isento, isto sim, a incapacidade do povo brasileiro de se enxergar como vítima de 518 anos de prepotência, predação e hipocrisia.

Sosseguem, não derruba. Trata-se apenas de uma razão da nossa infeliz peculiaridade: a casa-grande foi muito eficaz ao manter a maioria na senzala em um dos países mais desiguais do mundo.

Um dos aspectos mais lancinantes da tragédia que todos vivemos, cientes ou não da desgraça, é a atitude de quem ainda traz no lombo a marca da chibata e vota na derradeira versão do capitão do mato. Condenados a viver na Idade Média, e não sabem.

Sempre, desde a mocidade, me perguntei a quem atribuir a responsabilidade por tamanha insensibilidade, tamanha ignorância, tamanho encanto diante das miçangas do mais reles populismo. Pelé disse que a culpa é do próprio povo, que não sabe votar.

Faltam provas a respeito, pelo contrário avultam as culpas de quem haveria de levar os pobres à consciência da cidadania e não quis, ou não pôde, ou não soube, quando não se entregou à mais modorrenta indiferença.

O povo brasileiro é perfeitamente adequado às circunstâncias impostas por quantos mandaram, os senhores da situação, desinteressados da pátria que polui seus discursos, sequiosos somente pelos privilégios e benesses do poder.

Não imaginemos, contudo, que os donos do poder, como escreveu Raymundo Faoro, possuíssem algum gênero de sabedoria, ferozes com os desvalidos, e tão toscos e primitivos igual aos que espezinhavam.

Por isso, somos o que somos, um país de potencialidades infindas, e cada vez mais atrasado e insignificante pela malignidade, ganância e incompetência de quem o comandou.

Quando, ainda em 1979, nasceu a ideia do Partido dos Trabalhadores nas dependências do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, fiquei empolgado diante da perspectiva do surgimento de um partido de esquerda autêntico, na minha visão indispensável à modernização do País, como se deu em diversos países europeus.

Ao longo dos anos, o PT, atento aos acontecimentos mundiais, abrandou algumas posições mais intransigentes, mas sempre se constituiu em uma oposição firme e democrática. A eleição de Lula, em 2002, pareceu-me justo desfecho de uma bela história.

Não repetirei o que já escrevi a respeito do PT no poder, sem deixar de sublinhar que o governo Lula foi ótimo de muitos pontos de vista: deu passos inéditos e importantes no campo social, praticou uma política exterior exemplar, pagou a dívida externa e encheu as burras do Estado.

Certas cautelosas premissas demonstraram, porém, a crença na famigerada conciliação, possível somente entre as chamadas elites, expostas a desavenças entre si a serem rapidamente compostas. A casa-grande jamais abrirá suas portas para o PT. É natural, mas os petistas receio que não tenham entendido, e esta é falha grave.

O resultado de 7 de outubro ressalta pela enésima vez a impossibilidade do acordo com os insufladores da revolta dos pobres contra os pobres. Uma emocionante lição de civilidade e discernimento vem do Nordeste, enquanto os hunos invadem o resto do País, onde mora a demência reacionária.

Da Bahia para cima, terra de emigrantes, entre eles um menino chamado Luiz Inácio, apelidado de Lula. Vinham na boleia de caminhões e, ao lembrar meus tempos de juventude, eram recebidos com desconfiança e animosidade, às vezes traduzida em chacota.

São Paulo rica ria-se dos nordestinos pobres. O tempora, o mores... Não direi que a aula que o Nordeste ministra me surpreende. A região foi muito bem administrada por seus governantes, voltados aos interesses da terra e do povo.

Às vezes, e não me refiro ao que disse acima, encontra-se a civilidade onde em princípio não estava prevista. Na semana passada, quinta-feira 4, Fernando Morais e eu fomos visitar o nosso querido amigo Lula, encarcerado na sede da Polícia Federal de Curitiba.

Estávamos munidos da devida autorização, subitamente revogada por um juiz local. Visitantes jornalistas não poderiam ter contato com o ex-presidente condenado sem prova e preso sem crime, depois de definitiva e irrecorrível decisão do presidente do STF, um certo Toffoli, de negar-lhe a possibilidade de dar entrevistas. E não adiantava afirmar que não era esta a nossa intenção.

Em compensação, descobrimos três simpáticos, atenciosos cavalheiros, o superintendente Mauricio Valleixo, seu braço direito, Reinaldo de Almeida Cesar (aliás, velho e caro amigo) e Jorge Chastalo Filho, encarregado de cuidar de Lula.

No gabinete do superintendente conversamos longamente com eles, a nos explicarem, constrangidos, como e por que cumpriam ordens. Foi um papo entre amigos. Já me dissera do impecável comportamento destes policiais Massimo D’Alema, que esteve em São Paulo faz pouco tempo para participar de um seminário organizado pela Fundação Perseu Abramo, a partir de uma ideia de Celso Amorim e Dominique de Villepin. Antes do início dos trabalhos, o ex-premier italiano visitou Lula.

A esta altura, CartaCapital reforça seu apoio a Fernando Haddad e Manuela D’Ávila e seus apelos pela unidade do bloco progressista. Gostaria muito que Lula chamasse Ciro Gomes para compor de vez uma desavença que prejudica o País.

A formação de uma Frente Democrática, aberta a todos os brasileiros achegados à razão, é a nossa esperança. Não excluiria golpistas arrependidos, eleitores tucanos e emedebistas, e aqueles do governador França, chamado a enfrentar em segundo turno o engomado rei dos oportunistas, João Doria.

O Brasil nunca enfrentou um risco tão imponente, incluída a demoníaca constatação da desorientação de tantos que neste momento endossam o ideário de Bolsonaro. O qual, permito-me insistir, não é fascista. Ele representa um fenômeno exclusivamente brasileiro. Se uma vaga semelhança existisse, seria mais com os preconceitos nazistas.

Mas o capitão, de verdade, é típico do país em que ir à rua é arriscado. Bolsonaro é bolsonarista, inserido na unicidade e medievalidade brasileiras. O meu empenho em definir a personalidade do capitão e de quantos o sufragam está longe de ser semântica. Batalha perdida, eu sei, como outra a favor do substantivo copo que por aqui foi batizado como aquilo que não é, taça.

Há casos em que poderíamos falar em cálice a bem da precisão, mas taça, como Bolsonaro, é representativa da unicidade nativa, na pretensão de um refinamento tão falso quanto ridículo.

Haddad diz que, se depender dele, porta com FHC será aberta em nome da democracia

segunda-feira, outubro 15, 2018



O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, declarou neste domingo que, se depender dele, a porta citada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um possível apoio ao candidato petista será aberta em nome da democracia.

“Se depender de mim, essa porta será aberta em nome da democracia”, afirmou Haddad, referindo-se à entrevista do tucano publicada pelo jornal O Estado de São Paulo neste domingo, na qual diz que o que separa ele de Haddad é uma porta, enquanto ele e o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, estão separados por um muro.

Na entrevista, Fernando Henrique descartou votar em Bolsonaro no segundo turno, mas declarou que quer ouvir o que Haddad tem a dizer antes de definir seu voto.

“Independentemente do PSDB ser situação ou oposição no próximo governo, se eu for eleito, o mais importante hoje é garantir as liberdades democráticas que estão em risco nesse país, como ele mesmo reconhece”, acrescentou Haddad em coletiva de imprensa após participar de evento em São Paulo.

O petista, no entanto, não elaborou sobre como pretende abrir esta porta. Ao ser questionado se irá procurar o ex-presidente, Haddad não respondeu diretamente.

Fernando Henrique também rejeitou a pressão moral para adesão automática à candidatura petista e disse que gostaria de ouvir quais são as propostas do partido para o país.

“Repito o que eu disse. Se existe uma porta que precisa ser aberta em nome da democracia, como chefe de Estado, como chefe do Executivo, todo mundo tem a obrigação de abrir essa porta para que as forças democráticas se imponham à violência”, disse Haddad.

Segundo ele, uma porta não pode ser um impedimento “para defender o país da ditadura, da tortura, da cultura do estupro”.

Haddad fez um apelo à imprensa para que verifique e questione declarações do seu adversário, o candidato Jair Bolsonaro. Segundo ele, estão ocorrendo muitas ofensas desnecessárias e se “a imprensa não ajudar, essa campanha não vai terminar bem”.

“Não se ganha uma eleição dessa maneira, é ruim para o Brasil. Vamos debater propostas. E tem uma razão para ele não participar de debates, ele não vai poder dizer isso na minha cara. Não vai poder afirmar nada o que afirma pela internet frente a frente e não vai conseguir sustentar”, declarou Haddad.

 
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