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MANCHETES

Só existe uma decisão vital que realmente afeta nossa felicidade


Neurocientista dos EUA diz que devemos deixar que as pessoas mais próximas tomem as decisões do nosso cotidiano para evitar o gasto de energia


EL PAÍS
É melhor colocar açúcar ou adoçante no café? Devo aceitar uma oferta de trabalho que me agrada ou outra que me convém? Costumamos nos debater com decisões desse tipo, mas o que realmente vai determinar se seremos mais ou menos felizes será a companhia que escolhemos em cada um desses dilemas. Essa é a opinião do neurocientista Moran Cerf, professor da Kellogg School of Management e da Northwestern University (Estados Unidos). Segundo ele, alcançar a felicidade não é algo que dependa (ao menos, não totalmente) das experiências vividas ou dos bens adquiridos. Tampouco dos objetivos pessoais ou profissionais realizados. O mais importante é a escolha das pessoas que nos acompanham.

Sua energia é limitada; você prefere gastá-la em quê?
A teoria de Cerf parte da ideia de que o processo decisório é uma tarefa que pode ser esgotadora, pois requer o consumo de uma grande quantidade de energia – que é limitada. Isso significa que tomar muitas pequenas decisões nos deixa sem recursos para focar adequadamente na escolha das coisas que realmente importam. Aquelas que mudam o rumo de nossas vidas.

Faz sentido, “sobretudo quando você tem que chegar a um acordo com outra pessoa”, concorda Marta Romo, pedagoga especializada em neurociência e autora do livro Entrena Tu Cérebro (Treine o seu cérebro). Ela considera que a força de vontade se enfraquece com a tomada de decisões. “O problema é que esse desgaste nos prejudica: quanto mais cansados estivermos para decidir, menos capazes seremos de nos autorregular e esforçar para conseguir nossos propósitos”, diz Romo. “E isso não leva à felicidade.”

Para economizar em nossa “conta pessoal de decisões”, Cerf propõe deixar que outra pessoa decida por nós em questões menores, como o restaurante onde vamos jantar ou o filme que veremos no cinema. Mas não vale deixar esses assuntos na mão de qualquer um. O neurocientista aconselha delegar a decisão somente àquelas pessoas que sabemos que têm gostos parecidos com os nossos. Ou seja: os amigos ou familiares com quem você passa tanto tempo que têm preferências e até mesmo personalidades semelhantes às suas.

Neurônios-espelho, eis o motivo que nos faz parecer com quem nos rodeia
A sabedoria popular já sabe: as pessoas que dormem no mesmo colchão acabam tendo atitudes e modos de pensar similares. E a ciência explica isso através dos chamados neurônios-espelho. Segundo a psicóloga clínica Laura García Agustín, autora de Entrena Tus Fortalezas (Treine suas fortalezas), essas células são a base da empatia. “Tendemos a ser o que mais repetimos em relação a formas de pensar, sentir e agir. Emoções, atitudes e pensamentos são contagiosos porque nos oferecem um modelo de comportamento que podemos imitar. Os seres humanos aprendem por imitação direta ou indireta, e a conduta é formada por três sistemas de reposta: o que pensamos, o que sentimos e o que fazemos”, diz ela.

Apliquemos então essa exposição teórica à prática diária. “Se convivemos com pessoas com uma determinada forma de fazer as coisas, o mais provável é acabarmos mimetizando”, diz a psicóloga. Ela lembra, contudo, que “a imitação é um processo bidirecional, no qual todos têm influência sobre todos”.

Para explicar esse mimetismo, a neurocientista cita os impulsos elétricos que nós mesmos produzimos. “As ondas cerebrais tendem a sincronizar quando passamos tempo com alguém. Os estudos sobre sincronização cerebral indicam que isso também acontece, em grande medida, devido à capacidade de antecipação de nosso cérebro.” E completa: “Somos especialistas em prever; precisamos disso, nos dá segurança. Portanto, quando conhecemos melhor uma pessoa, somos capazes de antecipar seus possíveis pensamentos, respostas, ações. E isso nos dá muita segurança.”

Delegar decisões poderia limitar nossa liberdade
Mas essa teoria tem um problema. “Para serem felizes, as pessoas precisam não apenas tomar decisões – sejam grandes, médias ou pequenas –, mas também da sensação que isso gera”, diz García Agustín. Portanto, se deixarmos todas as pequenas decisões nas mãos de outros, poderíamos limitar nossa liberdade. E “abrir mão da liberdade, mesmo que seja em questões menores, como diz Cerf, poderia prejudicar nossa autoestima e gerar dependência emocional”, acrescenta a psicóloga.

“As grandes decisões são importantes para nosso bem-estar subjetivo, mas não são determinantes para o nível de felicidade total, porque se complementam com centenas de escolhas mais frequentes, mais cotidianas e de menor envergadura que fazem parte da nossa rotina”, afirma. Segundo García Agustín, são justamente as decisões de caráter inferior que “dão sabor e sentido à vida, que alimentam nossas atitudes e nossa forma de agir, que nos ajudam a quantificar se estamos onde queremos estar e com quem queremos, e se vamos aonde desejamos.”

Chaves para tomar a decisão adequada
“Nossas decisões têm consequências. No entanto, mais do que os efeitos – por exemplo, de um divórcio após anos de casamento –, é o sentido que damos às decisões que contribui de forma poderosa para a nossa felicidade”, afirma Romo. “Ou seja, como unimos os pontos e formamos uma história completa sobre um conjunto de decisões.” Para saber se uma decisão do passado foi adequada, basta dar uma olhada em nossa consciência. As decisões adequadas, diz Romo, são aquelas que tomamos “de forma coerente com nossos valores, crenças e ideais, ainda que o resultado não seja o ideal. Mesmo quando tais decisões parecem erradas no curto prazo, com o tempo percebemos que aquilo foi o melhor”.

García Agustín concorda, lembrando que também devemos considerar a relação entre custos e benefícios. Se os custos são maiores, infelizmente não teremos feito a escolha mais adequada. “Sempre vamos ganhar e perder coisas. A chave é tentar que a retribuição seja maior do que a perda.”

A apreensão de municípios com a saída de cubanos: “vamos perder 16 dos nossos 18 médicos”

Decisão de Cuba de retirar profissionais do Mais Médicos após exigências de Bolsonaro pode desmontar redes de saúde inteiras em pequenas cidades



No começo, até o idioma parecia um empecilho para que os médicos estrangeiros recém-chegados ao Brasil conseguissem se comunicar com a população das periferias e das cidades mais isoladas do país. Mas a exigência do período de três anos para atuar na mesma localidade incluída no convênio firmado com Cuba levaram esses profissionais a criarem vínculos com as comunidades, que, segundo gestores municipais, repercutiram também em uma melhoria dos indicadores de saúde. Cidades que até então tinham cobertura praticamente nula na atenção básica —aquela considerada mais preventiva, pois faz o primeiro atendimento— passaram a multiplicar equipes e desafogar os atendimentos especializados e em hospitais, economizando verba pública. Segundo o Ministério da Saúde, o programa Mais Médicos, criado em 2013, viabilizou que 700 cidades tivessem médicos pela primeira vez. A presença desses profissionais em mais localidades ampliou o acesso à saúde, as consultas e pré-natais e reduziu até índices de mortalidade infantil.

Em Embu-Guaçu, a 47 quilômetros de São Paulo, a rede de atenção básica era praticamente inexistente antes de 2013, quando chegaram os primeiros médicos cubanos em missão ao país. A secretária de saúde Maria Dalva dos Santos conta que eram escassas as inscrições de médicos brasileiros interessados em atuar na cidade de 67.000 habitantes. “A gente fazia os concursos, mas pouca gente participava”, diz. Segundo ela, o Mais Médicos foi fundamental para que o município pudesse estruturar toda a rede de atenção básica. “Nossa rede virou realidade pelo programa. De 2016 pra 2017, nós tivemos uma redução de mortalidade infantil de 14% para 6%”, afirma.

Na última quarta-feira, Cuba decidiu retirar seus médicos do Brasil, mantidos por um convênio por meio da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS), em que 70% da remuneração dos médicos cubanos vai para o Governo da ilha, o que suscita polêmica desde o início da iniciativa. A saída desses médicos tem causado grande apreensão em diversos municípios, entre eles Embu-Guaçu. Todo o atendimento da rede básica da cidade é feita por médicos do programa federal. São 18 médicos, no total, apenas dois deles brasileiros, formados no exterior. Os outros 16 são cubanos e todos eles retornarão à Cuba, seis já em 25 de novembro. 

“Vamos perder quase 100% dos nossos médicos”, diz a secretária. “Estamos muito inseguros por não saber como vai ser. Ficaremos totalmente descobertos na atenção básica.” Inconformada com a posição do Governo brasileiro em não tentar reverter a decisão de Havana, ela teme um grande retrocesso na assistência prestada na cidade caso o Ministério da Saúde não consiga preencher as 8.300 vagas ociosas pelo fim do convênio e atender aos 24 milhões de brasileiros que dependem desses profissionais. “A gente está muito preocupado porque não conseguimos candidatos em todas as nossas tentativas anteriores de contratar médicos. A gente espera que o Ministério tome uma atitude fidedigna e consiga repor essas vagas”, afirma.

A 53 quilômetros de Embu-Guaçu, também no Estado de São Paulo, o município de Mauá deve perder 33 dos 46 médicos que atuam no programa. A pesquisadora Melissa Spröesser Alonso (Sanitarista e Mestra em Estado, Governo e Políticas Públicas pela FLACSO) acompanhou a implantação do programa na cidade que, se antes tinha dificuldade de contratar profissionais para a periferia, chegou a duplicar as equipes de saúde nos últimos anos e reduzir os índices de mortalidade infantil com o acompanhamento eficiente do pré-natal.



"O médico formado no Brasil, com o CRM do país, normalmente quer estar mais perto de um grande centro, onde pode também ir pra iniciativa privada com propostas melhores", explica ela. Segundo dados da Democracia Médica no Brasil 2018, uma pesquisa do professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, Mário Scheffer, 84% dos recém-formados em medicina têm nas condições de trabalho o principal fator determinante para fixação em uma instituição ou cidade após a graduação ou residência. A segunda condição mais apontada foi a qualidade de vida, seguida pela remuneração. Por isso, as vagas em locais mais distantes do país ou municípios menores, geralmente com estrutura mais precária, costumam interessar menos estes profissionais.

Antes da chegada dos médicos cubanos, Mauá tinha 40 equipes de saúde da família, mas havia uma dificuldade de fixar esses médicos na cidade e de garantir que tivessem a formação em saúde comunitária. De acordo com o Departamento de Planejamento e Regulação da Provisão de Profissionais de Saúde (Depreps), do Ministério da Saúde, os médicos cubanos têm 62% de permanência no programa enquanto os brasileiros têm 21% e os estrangeiros 17%. “Essa era a dificuldade de muitos municípios desde a criação do SUS. O Mais Médicos tinha esta característica de o profissional permanecer um tempo mínimo no local, o que permite o vínculo com a comunidade”, explica Melissa.

Em 2010 e 2011, a pesquisadora diz que Mauá chegou a oferecer salários mais altos aos médicos que os oferecidos pela capital São Paulo, mas ainda assim não conseguiu suprir a cobertura. “Com o Mais Médicos, conseguimos avançar até o final de 2016 para 85 equipes. Os médicos enfim ficaram nessas regiões onde o médico brasileiro ainda não chegava ou não se fixava. Mauá colocou médicos nas unidades que tinha e ainda ampliou as equipes. Com isso, conseguiu uma cobertura da atenção básica estratégica”, avalia.

Com os casos resolvidos diretamente na atenção básica, as internações hospitalares desnecessárias foram reduzidas. As consultas de urgência, por exemplo, caíram de 76.633 em 2013 para 29.547 em Mauá, em 2017. O aumento no número de consultas na unidade básica e da realização de pré-natal também repercutiu na redução da mortalidade infantil no município: caiu cinco pontos percentuais em três anos (16% para 11%). A cobertura na atenção primária que era de 60,49% em 2012 chegou a 75% no ano passado com o reforço dos especialistas cubanos. “Quando as equipes foram ampliadas, Mauá mudou o perfil do médico. Não se trata só de conseguir médicos com o programa, mas também da formação desse médico. Eles [cubanos] são focados na atenção básica. O fato de a formação deles já ser em saúde da família fez a diferença”, analisa a pesquisadora.

Crise médica
O Governo cubano decidiu retirar o Mais Médicos do Brasil depois de Jair Bolsonaro questionar a preparação profissional dos médicos que integram o convênio e condicionar a manutenção do programa à realização de contrato individual com os profissionais, que também deveriam, para exercer a medicina no país, se submeter ao Revalida (teste que valida o diploma estrangeiro no Brasil). Havana considerou as condições "inaceitáveis" e determinou o retorno dos médicos cubanos. O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira que lançará o edital para cobrir as 8.332 mil vagas na próxima segunda-feira, mas não se pronunciou sobre as 1.600 cidades que já estão com vagas de médicos ociosas há seis meses. “A seleção de profissionais brasileiros em primeira chamada do edital será realizada ainda no mês de novembro e o comparecimento aos municípios, imediatamente após a seleção”, informou em nota.


O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, lamentou que a decisão de Cuba seja irreversível e reiterou que a grande dificuldade dos prefeitos será conseguir fixar o médico brasileiro em regiões vulneráveis e garantir o avanço que havia sido alcançado na saúde pública com o programa. A pesquisadora Melissa Spröesser Alonso, que também já foi gestora de saúde, avalia que será complicado garantir a reposição dos médicos. “Em cinco anos do programa, nenhum edital de contratação conseguiu mais de 3.000 médicos. A partir de 2015 a gente começou a ter vagas repostas por brasileiros, nas as zonas mais vulneráveis e com difícil acesso ainda tinha uma ocupação muito baixa. Ainda que se contrate, como garantiremos a permanência?”, questiona. Para ela, o Brasil corre o risco de uma falta de assistência desastrosa. “Vínhamos gradativamente conquistando uma saúde com mais democratização de acesso com a presença de médicos”, completa.

40 DIAS PARA RETORNAR À CUBA
A decisão do governo cubano em levar os 8.300 médicos em missão no Brasil deixou esses profissionais “muito abatidos”, segundo dois médicos cubanos que pediram para não serem identificados por medo de represálias. Os profissionais receberam instruções de Havana sobre como proceder para retornar ao país. Eles deverão voltar entre os dias 25 de novembro e 25 de dezembro, de forma escalonada. Cada um receberá seu bilhete de voo por e-mail no momento oportuno. Terão pagamentos salariais antecipados para encerrar os contratos de aluguel e as pendências financeiras que tenham no Brasil. O chamado “plano de retorno à pátria” determina que cada profissional informe aos gestores municipais que seguirão trabalhando até receberem os bilhetes aéreos do governo cubano, evitando que se afete a agenda de trabalho já estabelecida para atender aos pacientes. O comunicado também pede que os profissionais mantenham a disciplina e evitem provocações. Alguns coordenadores têm orientado os médicos cubanos a não se pronunciarem sobre o caso ou dar entrevistas. Os médicos casados com brasileiros e que tenham finalizado o tempo de missão poderão permanecer no Brasil, segundo o informe enviado pela Coordenação Nacional da Brigada Médica Cubana.
Há um ano fora do Mais Médicos após o encerramento do seu tempo de missão, um médico cubano que também pediu para não ser identificado diz que vai se preparar para fazer o exame Revalida e conseguir exercer sua profissão no Brasil. No período da missão, ele casou com uma brasileira e teve duas filhas, o que lhe garante residência no País. Agora, só tem contato com a sua família em Cuba pela internet. “Contato com eles via email e agora está liberado na ilha o whatsapp”, diz. Como não regressou a Cuba quando finalizou a missão, no ano passado, é considerado um desertor e não poderá voltar ao país em oito anos. O presidente Jair Bolsonaro, que já manifestou críticas à recepção de imigrantes venezuelanos, chegou a afirmar em entrevista que daria asilo aos médicos cubanos que desejassem permanecer no Brasil.

Após críticas, Sergio Moro pede exoneração e deixará a magistratura

Juiz estrela da Lava Jato entregou seu pedido de exoneração no TRF-4. A partir de segunda, ele se dedicará exclusivamente à transição do Governo Bolsonaro


A partir da próxima segunda-feira, Sergio Moro, o juiz símbolo da operação Lava Jato, deixará a magistratura. Ele entregou nesta sexta seu pedido de exoneração ao desembargador Thompson Flores, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A partir de janeiro, Moro será ministro da Justiça e Segurança Pública no Governo do ultradireitista Jair Bolsonaro (PSL). A exoneração de Moro foi assinada pelo desembargador horas depois de entregue.

O futuro ministro estava afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba desde o início deste mês, quando aceitou o convite do presidente eleito para ingressar em seu Governo. Em princípio, ele gozaria de férias até janeiro e só depois pediria seu desligamento do cargo, que ocupa há 22 anos.
Mesmo estando em período de férias, Moro participou das reuniões da equipe de transição de Bolsonaro, em Brasília, na semana passada. Como não estava desligado de sua função, recebeu críticas por estar atuando concomitantemente em dois poderes, Executivo e Judiciário. “Houve quem reclamasse que eu, mesmo em férias, afastado da jurisdição e sem assumir cargo Executivo, não poderia sequer participar do planejamento de ações do futuro governo”, afirmou Moro. Ele chamou essas queixas de “controvérsias artificiais”.

Na justificativa de seu pedido de exoneração, o ainda juiz justificou que não havia solicitado a demissão porque gostaria de manter a “cobertura previdenciária” de seus familiares até que pudesse assumir o ministério. Na prática, ele queria que seus dependentes recebessem pensão caso ele viesse a sofrer algum acidente ou morrer antes de assumir o ministério. No documento, ele cita que é alvo de ameaças.

Em 22 anos de carreira, Moro se destacou no combate a crimes financeiros. Primeiro, entre 2003 e 2007 quando tocou o caso Banestado. Depois, a partir de 2013, quando foi o responsável por julgar as ações em primeira instância da operação Lava Jato. Era a assinatura dele que constava das condenações de uma série de políticos, doleiros e empreiteiros envolvidos no esquema de desvio de recursos públicos.

Entre as estrelas retiradas do cenário político por Moro estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) e o ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB). Todos condenados por ele nos últimos anos. Foi por conta de uma decisão do juiz que Lula foi impedido de concorrer à presidência da República neste ano contra Bolsonaro.

No Ministério da Justiça, caberá a Moro debelar as suspeitas de que ele teve uma atuação política enquanto era juiz. Nos últimos dias, ele começou a fazer um rascunho da equipe que o assessorará na pasta. Entre os cotados para ocuparem cargos especiais estão três delegados que atuaram na Lava Jato: Érika Marena, Luciano Flores e Igor de Paula.
Com a saída de Moro da Justiça Federal, a magistrada Gabriela Hardt, que é a substituta dele, assume interinamente suas funções. Nas próximas semanas, deve ser aberto um concurso interno de remoção para a 13ª Vara Federal. Apenas os magistrados que atuam na 4ª região (nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) participam da disputa. Só depois da análise dos documentos dos inscritos é que o novo titular será definido. Pra definir o responsável, primeiro leva-se em conta o tempo no cargo de juiz federal. Depois, a antiguidade no exercício no cargo de juiz substituto na 4ª Região. Por último, o critério de classificação no concurso público.

Brasil vence Uruguai com gol de pênalti de Neymar


Neymar marcou, de pênalti, o gol da vitória brasileira sobre o Uruguai. PETER CZIBORRA REUTERS


(Reuters) - A seleção brasileira derrotou o Uruguai por 1 x 0, com gol de pênalti cobrado por Neymar, em amistoso disputado em Londres nesta sexta-feira.

A partida contou com a estreia do meio-campista Allan, do Napoli, que entrou no segundo tempo, na vaga de Renato Augusto.

“Sem dúvida é um sonho de criança (estrear na seleção) e estou muito feliz. Procurei dar meu máximo e espero ter agradado”, afirmou Allan após a partida.

A seleção brasileira teve maior controle do jogo no primeiro tempo, principalmente nos minutos iniciais, quando chegou a marcar um gol com Neymar, porém o atacante estava impedido.

Luis Suárez respondeu para o Uruguai com um chute da entrada da área que o goleiro Alisson espalmou.

O amistoso foi marcado por alguns lances duros, o que forçou o árbitro a distribuir cartões amarelos na etapa inicial.

No segundo tempo, foi o Uruguai que começou melhor e chegou perto de marcar em cobrança de falta cobrada por Suárez que Alisson desviou para escanteio.

No entanto, foi o Brasil que abriu o placar, aos 31 minutos, em cobrança de pênalti de Neymar, após falta dentro da área em Danilo.

O Brasil volta a campo na terça-feira, contra Camarões, no último jogo do ano.

A caminho do hospício



CARTA CAPITAL
por Mino Carta
O próximo governo vai realizar uma verdadeira revolução cultural para impor a lei do mais forte e um projeto que nega os valores da civilização

No país material e moralmente devastado pelos efeitos do golpe de 2016, Jair Bolsonaro prepara-se para exercer a Presidência da República. Há quem o defina como fascista ou nazista, de extrema-direita ou super-reacionário. Bolsonaro, entretanto, é tão único como será seu governo e o próprio Brasil. Qualquer comparação é impossível.

Estamos diante da exasperação de tudo quanto sofremos em dois anos e alguns meses, através de uma série de atentados à razão.

Os ricos se dão ares de contemporaneidade do mundo, e ignoram o miserável estado da sua incultura e da sua imoralidade, a maioria pobre não passa de uma grei incrédula e sempre amedrontada, pronta a dar seu aval não a um populismo rasteiro, e sim ao reinado da violência demente. Não há exemplo igual, ou mesmo parecido.

Valores e princípios da civilidade são sepultados com o apoio do exército de ocupação e o beneplácito do Judiciário que jogou ao lixo a Constituição e permitiu todos os desmandos praticados pelo estado de exceção, e até se antecipou ao futuro presidente pela boca de um certo Toffoli, capaz de revisar a história dos últimos 54 anos na definição do golpe de 1964, do qual resultou a ditadura, como “movimento”.

Ali está, no soturno palácio do Supremo o grupelho pomposo que se prontifica a legalizar a ilegalidade, embora ninguém seja tão representativo da injustiça como Sérgio Moro, ministro da Justiça dotado de plenos poderes para fiscalizar a vida de todos, o inquisidor de Curitiba em quem Luigi Ferrajoli identificou “a negação da imparcialidade”.

Só no Brasil o fenômeno Bolsonaro, primitivo, desvairado, delirante, seria possível. Leiam, na página ao lado, os pontos principais da ação do próximo governo e entendam por que se trata da proposta de uma verdadeira revolução cultural a colocar pobres contra pobres.

A mais falada revolução cultural do século passado, promovida por Mao Tsé-tung ao cabo da Longa Marcha, foi tão comentada a ponto de levar um enfant gâté de uma belle époque nova-iorquina a brindar o mundo da arte moderníssima com o retrato do líder chinês, realizado com a técnica de colorir ao acaso uma foto prismada. Andy Warhol inspira a capa da edição de CartaCapital desta semana.

Quanto à revolução, destinada a derramar cada vez mais sangue nas calçadas, ela assume propósitos mais largos. É a revolução que prega a lei do mais forte ao sabor do ódio desmotivado, o entreguismo amplo, geral e irrestrito, a repressão na mira do fuzil, a reedição da arcaica visão de que atrás de cada esquina agacha-se um comunista degustador de criancinhas.

Segundo o pensador do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, FHC é comunista e não vai faltar quem acredite. É a conclusão de um enredo de 518 anos, a moral de uma história excepcionalmente sombria, a infelicitar um país credenciado a ser potência mundial e enfim reduzido a escombros.

Neste momento, minha única esperança é que a razão nasça da loucura, algum dia que almejo próximo. No mais, aviso: cidadãs e cidadãos, vocês nunca verão terra igual à de Bolsonaro.

Em depoimento, Lula se mostra perplexo ante arbitrariedades da acusação

Ex-presidente depôs por duas horas e meia à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro na Operação Lava Jato, sobre processo referente ao sítio de Atibaia



Por: RBA

São Paulo – O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à juíza Gabriela Hardt, na Justiça Federal de Curitiba, nesta quarta-feira (14), durou cerca de 2 horas e meia e terminou por volta das 17h40.

Ao ser perguntado por seu próprio advogado, Cristiano Zanin Martins, perante a magistrada, se, como presidente, “teve alguma intervenção no contrato da Odebrecht, demonstrando irritação, Lula respondeu: “Nem da Odebrecht nem do Vaticano”. A juíza substitui Sérgio Moro na Lava Jato, após o magistrado aceitar convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para o Ministério da Justiça.

À questão colocada por Zanin, se autorizou o ex-ministro Antonio Palocci a tratar de qualquer recurso em seu favor perante o grupo Odebrecht, o petista respondeu que “nem o Palocci, nem ninguém tem procuração minha para tratar de qualquer coisa do meu interesse”.

Em nota divulgada no início da noite, Zanin Martins declarou que o depoimento “demonstrou arbitrariedade da acusação”. “O ex-presidente Lula rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público em seu depoimento, reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento”.

Segundo o advogado, Lula mostrou “a perplexidade” de ser acusado de ser favorecido por reformas em um sítio em Atibaia que “não tem qualquer vínculo com a Petrobras e que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo”.

O depoimento reforçou a “indignação” do ex-presidente por estar preso “sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do país”.

Veja vídeos:













Torça para que Moro siga o livro que levou à casa de Bolsonaro


TODO MUNDO SABE que Bolsonaro tem concepções toscas e rudimentares sobre assuntos sensíveis como a homossexualidade, a violência, a esquerda e a liberdade de imprensa. A julgar pelas últimas façanhas do presidente eleito, o Planalto não vai estancar sua verve autoritária.

O capitão tentou impedir que jornalistas entrassem no plenário do Congresso na comemoração aos 30 anos da Constituição Federal, trocou os pés pelas mãos em temas de política externa e anunciou, como um cacique arteiro, o fim do Ministério do Trabalho.

Também deu a luz ao Superministério da Justiça e da Segurança Pública, trazendo para a barra de sua saia o juiz que condenou, prendeu e tirou Lula da corrida eleitoral.

De qualquer forma alçado à condição de herói nacional pelo que fez na Lava Jato, Sérgio Moro, prestes a debutar na política depois de negar sua pretensão em pelo menos sete oportunidades, pode ser um muro de contenção aos disparates do novo governo. Para isso, precisa colocar em prática medidas do livro que empunhava durante o voo que o levou ao Rio de Janeiro para selar a sua indicação ao Ministério da Justiça.

A cartilha “Novas medidas contra a corrupção”, de iniciativa do portal Transparência Internacional e da Fundação Getulio Vargas, contém 70 proposições divididas em 12 blocos. Algumas delas, destacadas abaixo, parecem mais sensíveis à futura atuação do Sérgio Moro como ministro da Justiça. Se conseguir implementá-las apesar do ambiente em que ele próprio, Moro, foi gestado, já teremos algum avanço.


Medida 24: Lei de abuso de autoridade
Como é hoje: uma lei de 1965 regulamenta a matéria, mas possui baixíssima eficácia. Prevê, dentre outras sanções, pena de dez dias a seis meses de detenção. É comum que os crimes apurados de acordo com essa lei prescrevam.

O que propõe a cartilha: estabelece a responsabilização de agentes públicos que cometem atos de excesso de poder ou desvio de finalidade. Prevê como possíveis sanções, além da prisão e multa, o dever de indenizar o dano causado pelo crime, a perda do cargo, mandato ou função pública, a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública por prazo de um a cinco anos, e penas restritivas de direito, incluindo a suspensão do exercício do cargo, mandato ou função pública e a proibição de exercer função de natureza policial ou militar em prazo de um a três anos.

Medida 25: Extinção da aposentadoria compulsória como pena
Como é hoje: as Leis Orgânicas da Magistratura Nacional e do Ministério Público da União e dos Estados preveem a aposentadoria compulsória como uma das punições aos seus membros por infrações funcionais. Na prática, isso significa que, por exemplo, o juiz ou promotor de Justiça que cometer ato de corrupção pode ser aposentado e continuar recebendo remuneração.

O que propõe a cartilha: elimina a hipótese da aposentadoria compulsória como sanção e confere maior celeridade aos processos que investigam e punem membros do Judiciário e do Ministério Público.

Medida 26: Unificação do regime disciplinar do MP
Como é hoje: o Ministério Público foi um dos grandes protagonistas nas operações que, nos últimos anos, trouxeram à tona casos escandalosos de corrupção nacional. Mas há gente que reclama que seus poderes não conhecem barreiras e que precisam ser limitados para que não haja excessos.

O que propõe a cartilha: cria um regime disciplinar para o Ministério Público, prevendo condutas irregulares, sanções cabíveis e regras do processo administrativo disciplinar a ser seguidas.

Medida 29: Transparência na seleção de ministros do STF
Como é hoje: de acordo com a Constituição, o Supremo Tribunal Federal possui 11 Ministros, escolhidos entre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de “notável saber jurídico e reputação ilibada”. Depois de sabatinados e aprovados pela maioria absoluta do Senado, eles são nomeados pelo presidente da República.

O que propõe a cartilha: confere maior transparência ao processo de seleção de ministros do STF e impõe uma quarentena prévia, vedando a indicação de ocupantes de determinados cargos para a Suprema Corte, e posterior, proibindo que ministros concorram a cargos eletivos no prazo de quatro anos após saírem do tribunal.

Medida 41: Regulamentação do Lobby
Como é hoje: a prática do lobby é uma realidade inegável, mas sua imagem é negativa. No cenário obscuro e malvisto das relações entre governo e iniciativa privada, o lobista é geralmente associado a alguém que se aproxima do Estado para corromper os agentes políticos e agir por baixo dos panos.

O que propõe a cartilha: a regulamentação profissional do lobby para conferir a maior transparência e mecanismos adicionais de controle social. A proposta busca ainda oferecer maior equilíbrio nas interações de diferentes interesses econômicos e sociais com autoridades públicas.


NA CONCEPÇÃO DOS seus idealizadores, as Novas medidas constituem uma política de Estado pautada em abordagem técnica. Ataca em frentes simultâneas e conta com a participação da sociedade civil para fomentar a atividade legislativa anticorrupção. É uma agenda pela qual o país anseia e da qual necessita.

Mas Bolsonaro já dá sinais de que se arrependeu de ter dado carta branca a Moro. Conforme o Valor Econômico, ele se antecipou e já puxou as rédeas do juiz, colocando o General Heleno Pereira, militar da reserva de su confiança, no comando do Gabinete de Segurança Institucional, que agora coordena os serviços de inteligência da Polícia Federal. Além disso, manteve a Controladoria-Geral da União como pasta separada da Justiça.

Sérgio Moro está pisando em ovos. Ele já não está mais no silêncio de seu gabinete, a sós com sua consciência jurídica. Sua metamorfose – de juiz herói da nação a político de um governo de extrema-direita – vai cobrar a conta.

Quando isso acontecer, o superministro precisará mostrar ao Brasil a que veio. Mesmo com a sombra do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra à espreita.

'Assustadoras': fitas do assassinato de jornalista chocaram oficial saudita, diz Erdogan


Gravações supostamente relacionadas ao assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi "chocaram" um oficial da inteligência saudita quando ele as ouviu, disse o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Falando a repórteres em seu retorno de uma viagem com líderes mundiais em Paris, na França, o líder turco declarou que o áudio relacionado ao assassinato de Khashoggi perturbou um funcionário da inteligência saudita que o ouviu.

"As gravações são realmente assustadoras. De fato, quando o oficial da inteligência saudita ouviu as gravações, ele ficou tão chocado que disse: 'Este deve ter tomado heroína, somente alguém que toma heroína faria isso'", acrescentou ele, segundo a Agência Reuters.

Erdogan acredita que o assassinato ocorreu nas mãos de altos funcionários sauditas, embora ele tenha dito que não acredita que o príncipe herdeiro Mohammad Bin Salman, por quem ele tem "respeito ilimitado", possa ordenar tal atrocidade.

A afirmação vem um dia depois de um relato angustiante dos momentos finais de Khashoggi. Nazif Karaman, chefe de investigações do jornal turco Daily Sabah, disse que Khashoggi passou seus últimos momentos implorando por uma sacola plástica para ser tirada de sua cabeça, e que sua morte durou um total de 7 minutos, segundo a rede Al Jazeera.

"Estou sufocando […] Tire essa sacola da minha cabeça, sou claustrofóbico", foram as últimas palavras do jornalista, afirmou Karaman.

No sábado, Erdogan afirmou que a mesma gravação foi compartilhada em um jantar em Paris no fim de semana com líderes sauditas, norte-americanos, franceses, britânicos e canadenses. Apesar disso, o ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, comentou na segunda-feira que seu país não está de posse das gravações.

Embora tenha havido muitos relatos aterrorizantes sobre como o jornalista foi assassinado dentro dos muros do consulado em Istambul, exatamente como se deram os acontecimentos ainda não foram confirmados.

Mas relatos não confirmados do conteúdo de uma fita macabra, que a Turquia diz que está em posse desde 2 de outubro, alegam que Khashoggi foi agarrado, drogado e desmembrado com uma serra de ossos.

Também foi relatado que outros que testemunharam o assassinato ouviram música para bloquear os sons angustiantes.

E no que parece ser uma camada extra de horror para o caso, o jornal Daily Sabah também relatou no sábado que a perícia encontrou traços de ácido no consulado. Isso levou os investigadores a sugerir que o corpo de Khashoggi poderia ter sido dissolvido em ácido antes de ser despejado pelo ralo.

TSE dá 3 dias para Bolsonaro explicar inconsistências nas contas da campanha


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu nesta terça-feira ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) um prazo máximo de 3 dias para esclarecer algumas inconsistências que aparecem na documentação detalhando as despesas de sua campanha.

O ministro Luís Roberto Barroso considerou os procedimentos propostos pelos técnicos do tribunal "pertinentes" e determinou um prazo "de 3 dias" para "preencher dados e documentação ou oferecer esclarecimentos ou justificativas", diz um fragmento da decisão, adiantado pelo G1.

Os técnicos do TSE consideram que existem 23 "inconsistências", que vão desde erros formais e dados imprecisos na ausência de documentos, como contratos e comprovantes de serviços e despesas (veja a lista completa abaixo).

Segundo a declaração da candidatura de Bolsonaro perante o TSE, a campanha eleitoral do líder de direita arrecadou R$ 4,3 milhões e gastou R$ 2,8 milhões.

O dinheiro restante será doado para a Santa Casa de Misericórdia, em Juiz de Fora (MG), hospital onde Bolsonaro foi tratado com urgência após um atentado durante um evento de campanha, em 6 de setembro.

Barroso deverá submeter o procedimento a um julgamento no plenário do TSE, mas ainda não há data para que isso ocorra.

Acompanhe um resumo dos 23 questionamentos apontados por técnicos do TSE nas contas de Bolsonaro:

1 — Despesas com mídias digitais com empresa Adstream — R$ 6.260,00 — pedem números de notas fiscais;

2 — Despesas com serviços advocatícios com empresa Kufa Sociedade de Advogados — R$ 50.000,00 — pedem detalhamento dos serviços prestados, relação dos processos em que escritório atuou, relação de todos os advogados que atuaram;

3 — Despesas com serviços contábeis não foram declaradas, mas aparece como serviço do escritório de advocacia — pedem dados sobre serviços contábeis prestados, identificação dos contadores;

4 — Despesas com material impresso com quatro empresas — R$ 71.000,00 — pedem amostras dos materiais produzidos, como adesivos, paineis e bótons e também informações sobre se essas empresas subcontrataram outras empresas.

5 — Devolução de receitas — R$ 95.000,00 — Campanha avisa que devolveu R$ 95 mil em doações para quatro pessoas físicas e técnicos dizem que, como não há previsão para devolução de doações legais, qual motivo de o candidato se recusar a receber os valores;

6 — Financiamento coletivo com empresa sem registro — R$ 3,5 milhões — técnicos afirmam que a empresa AM4 não tinha cadastro para prestar serviços de arrecadação por meio do financiamento coletivo e pedem também detalhamento sobre as empresas Aixmobil e Ingresso Total, que também atuaram com arrecadação por meio de financiamento coletivo, as "vaquinhas";

7 — Descumprimento de prazo para entrega de relatório com receita de R$ 1,566.812,00;

8 — Indício de irregularidade no recebimento de doações do fontes proibidas, permissionários — R$ 5.200,00 — técnicos apontam que lei proibido recebimento de recursos de quem tem atividade decorrente de permissão pública;

9 — Indício de irregularidade no recebimento de recursos com origem não identificada — R$ 100;

10 — Indício de irregularidade de doações recebidas com divergência na identificação dos doadores — R$ 5.030,00 — divergências de dados informados dos doadores com base de dados da Receita (Nome do doador não bate com o CPF cadastrado na Receita);

11 — Indício de impropriedade na divergência de informações de doações indiretas — R$ 345.000,00 — técnicos informam que repasse da campanha de Eduardo Bolsonaro para o pai;

12 — Indício de irregularidade com ausência de gastos eleitorais na prestação de contas parcial 0 R$ 147.727,02 — gastos que não foram prestadas dentro do prazo correto;

13 — Indício de irregularidade na omissão de despesas — R$ 147.948,81 — técnicos dizem que cruzamento de dados mostrou que fornecedores informaram gastos omitidos pela campanha;

14 — Indício de irregularidade com divergência de informações em doações — R$ 3.796,86 — doadores informaram maiores valores em relação ao declarado pelo candidato;

15 — Indício de irregularidade — R$ 20.958,16 — técnicos apontam omissão de doações no cruzamento de informações com outros prestadores;

16 — Indício de irregularidade com dinheiro de sobra de campanha transferido a outro partido — R$ 10.000,00 — técnicos apontam repassem ao PRTB, quando lei só permite que tivesse sido repassado ao próprio PSL;

17 — Indício de irregularidade com falta de documentos de comprovação de doações estimáveis (destinação de espaços ou trabalho) — R$ 6.913,60 — falta de documentação de espaço cedido ou outros serviços doados;

18 — Indício de irregularidade em doações estimáveis que não constavam na prestação parcial — R$ 24.916,83 — técnicos apontam que os valores não foram lançados no devido tempo, como prevê resolução;

19 — Indício de irregularidade em doações estimaveis que não constavam na prestação parcial — R$ 2.511,54 — técnicos apontam que medida frustra transparência e fiscalização;

20 — Indício de impropriedade — divergência na data de abertura de contas bancárias;

21 — Ausência de recibo eleitoral em arrecadação de recursos estimáveis (trabalho voluntário e outros);

22 — Falta de documentação nas despesas, como contratos e relatórios de serviços prestados por várias empresas;

23 — Indício de irregularidade no recebimento indireto de recursos — R$ 100 — doação não identificada por meio de vaquinha virtual recebida por meio do partido e que deveria ter sido recolhida ao Tesouro.

Movimentos sociais acompanham Lula em depoimento nesta quarta



Militantes se organizam para esperar pelo ex-presidente, na saída da Polícia Federal e na chegada ao tribunal. É a primeira vez que Lula falará oficialmente desde a prisão, em abril


CURITIBA – Movimentos sociais convocam militantes e população em geral para acompanhar o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (14) em Curitiba. Será a primeira vez que o ex-presidente falará oficialmente desde que foi preso, há sete meses. Ele depõe à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro na Lava Jato, no caso que investiga o recebimento de supostas "vantagens indevidas das construtoras Odebrecht e OAS", por meio de reformas em um sítio em Atibaia (interior de São Paulo), cuja propriedade lhe é atribuída. 

A mobilização é coordenada pelo Comitê Nacional Lula Livre, composto pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e outros movimentos sociais. A concentração está marcada para a partir das 12h no acampamento Vigília Lula Livre, nos arredores da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso, e também próximo ao Tribunal Regional Federal (TRF-4), local onde dará o depoimento, a partir das 14h. 

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que é preciso "ter muita gente mobilizada" para acompanhar o depoimento do ex-presidente. Sobre o sítio de Atibaia, ela disse se tratar de "outra mentira mal contada". "O sítio não é do Lula, o sítio não tem nada a ver com ele. É cada coisa absurda que a gente vê nesses processos."

A defesa de Lula diz que depoimento prestado pelo empresário Fernando Bittar nesta segunda-feira (12) não deixa qualquer dúvida de ele, e não o ex-presidente, é o proprietário de fato e de direito do sítio de Atibaia. 

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse, após visita à vigília Lula Livre, nesta segunda-feira (12),  que "quem está preso não é o Lula, pessoa física. Quem está presa é a esquerda brasileira, é a classe trabalhadora brasileira. O companheiro Lula só está preso porque é a simbologia maior de tudo isso", afirmou. 

"Vamos reforçar o time aqui em Curitiba. Nossa ideia é que tenha no mínimo uns 500 companheiros aqui, outros 500 na Justiça Federal. Não vamos deixar o companheiro Lula ir sozinho. Ele tem de sentir que atrás dele tem a classe que ele representa. Vai ser a primeira vez que ele vai ter a oportunidade de falar com o povo brasileiro", completou Stédile.

Jornalista faz dez perguntas sem resposta sobre uso das redes sociais por Bolsonaro

“Por que a empresa não informou ao TSE o impulsionamento de conteúdo pró-Bolsonaro feito por Luciano Hang, que já foi multado por isso”, pergunta ao Facebook a jornalista Patricia Campos Mello

São Paulo – A jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, autora da reportagem que durante a campanha para o segundo turno nas eleições deste ano denunciou o esquema de doação ilegal de empresas à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e o impulsionamento de conteúdo (leia-se fake news) pelas redes sociais em desacordo com a legislação eleitoral, divulgou nesta terça-feira (13) em sua conta no Twitter dez perguntas sobre a fraude eleitoral do candidato do PSL que continuam sem resposta.

Para o Facebook, por exemplo, a jornalista pergunta: “Por que a empresa não informou ao TSE o impulsionamento de conteúdo pró-Bolsonaro feito por Luciano Hang, que já foi multado por isso? Quanto foi gasto em impulsionamento no Facebook que levava o usuário a conteúdos referentes a Bolsonaro?".

E para o WhatsApp, que também pertence ao Facebook, Patricia pergunta: “Quantas contas ligadas às agências foram banidas? Quantas mensagens foram enviadas dos números ligados às agências? Quais os números detectados pelo envio anormal de mensagens? Qual aumento de mensagens nos últimos 12 meses e queda nos últimos 30 dias?” 

Notícia veiculada hoje também no UOL mostra que o deputado federal Laudívio Carvalho (PODE-MG) admitiu que utilizou dados de 40 mil pessoas cedidos por uma agência de marketing digital para fazer disparos de mensagens via WhatsApp durante as eleições deste ano – mais um caso em que a prática ilegal vem à tona.

Por: RBA

Confira as perguntas da jornalista:



Amy Winehouse também foi feliz

Um livro de fotografias inéditas mostra a rainha do soul relaxada e natural como nunca antes se viu





Por trás do inconfundível cabelo, das tatuagens e do agressivo delineador de olhos de Amy Winehouse (1983-2011), rainha do soul falecida há sete anos, escondia-se uma mulher sensível, extremamente vulnerável, que desejava se afastar de seus vícios e da perseguição da mídia para curtir em segredo a praia e conversas íntimas com um de seus grandes amigos: o fotógrafo Blake Wood. A imagem que ficou marcada é a de uma vida pública que os tabloides transmitiram ao vivo, repleta de aparições em que estava embriagada, de declarações explosivas e, no final, o famoso show de Belgrado, o último —pouco mais de um mês antes de sua morte—, no qual Winehouse mal pôde balbuciar, entre vaias, algumas palavras inaudíveis.

Mas havia outra face. Seu amigo Blake Wood foi um dos poucos a conhecer a sensibilidade que a poderosa imagem de Winehouse escondia, a mesma que interrompeu Bono, do U2, durante seu discurso nos prêmios Q Music Awards com um “cala a boca, não estou nem aí com o que você diz”. Viajando por Londres, Paris ou Santa Lúcia, o fotógrafo registrou com sua Polaroid momentos privados da artista, cuja faceta mais alegre, oculta até agora, é revelada pela primeira vez. O livro Amy Winehouse by Blake Wood, editado pela Taschen, reúne 85 fotografias em preto e branco, na maioria inéditas. Foram tiradas entre 2008 e 2009, um dos períodos mais complicados da cantora. O ano de 2008 foi o mais devastador, com detenções por posse de drogas, uma briga a socos com um fã em um show e a separação de seu polêmico marido Blake Fielder-Civil, com quem se casara meses antes, em maio de 2007. Suas brigas e reconciliações, entre crack, heroína e álcool, encheram os tabloides. A espiral destrutiva continuou com a entrada de Fielder-Civil na prisão, de onde pediu o divórcio, assinado em 2009. Winehouse sempre disse que foi o amor de sua vida.


É surpreendente que naquele momento de vícios, transtornos alimentares e depressão, a jovem fosse retratada sorridente e natural, sóbria, com o cabelo ao vento, brincando com a areia e montando a cavalo. Ela só teve essa confiança com Blake Wood, só deixou que ele a fotografasse, sabendo que não escondia más intenções nem procurava, como muitos outros, imortalizar suas desgraças. Com ele, encontrava a paz. A amizade entre os dois foi quase imediata. Conheceram-se em janeiro de 2008 em Londres, quando ele aspirava a ser fotógrafo e ela já era uma artista consagrada, com uma fama que não se via desde os Beatles. O livro conta que a britânica nunca agiu como uma estrela, e sim com ternura, comovida pela história de Wood, que atravessava um mau momento depois de um rompimento amoroso. Ela o apoiou, cantou-lhe Some Unholy War e acariciou-lhe o cabelo até ele dormir. Tornaram-se inseparáveis.


Em pouco tempo o fotógrafo viu como Winehouse “vivia prisioneira” e tentou afastá-la de seu apartamento no bairro londrino de Candem, onde os paparazzi tinham acampado, para que se sentisse livre e se afastasse dos excessos. Acompanhou-a durante a reabilitação —“não foi fácil”— e celebrou seu triunfo nos prêmios Grammy de 2008, uma edição apoteótica em que a cantora bateu recordes. Ganhou cinco, um deles o de melhor canção do ano por Rehab, a história rebelde, contada em primeira pessoa, de uma mulher que se refugia no álcool para superar um rompimento e se nega a ir para uma clínica de reabilitação.

Quando todos temiam seu fim, que demorou três anos para chegar, Winehouse e Wood se refugiavam durante temporadas na ilha caribenha de Santa Lúcia, sua proteção, o ambiente onde se sentiu a salvo. “Houve momentos incrivelmente brilhantes em meio a todo o caos e isso é o que vejo nestas imagens”, explica no livro o autor das fotos mais pessoais já vistas da cantora. Nadavam, tomavam sol, brincavam no balanço, faziam ioga, e Winehouse vivia com ele uma transformação física e mental. Vê-se uma Amy saudável, forte, alegre, que desfruta a natureza e brinca com seu amigo. “Quero demonstrar que nem tudo foi tão ruim naqueles anos, houve momentos bons e divertidos, e quero mostrar de uma forma jamais vista como capturei sua beleza ao natural. Ela não sabia o quanto era linda. Tentei dizer isso a ela”, acrescenta.


A favorita de Wood é a foto de Winehouse em uma cadeira de praia tomando sol seminua. “Era estranho para mim vê-la dessa maneira, sóbria e tranquila, simplesmente sentindo-se bem e cômoda em sua própria pele. Irradiava energia”, recorda. O fotógrafo conta que sonhavam com o futuro. “Íamos fazer uma viagem pelos Estados Unidos. Ela me disse: ‘Vamos rir em nossas cadeiras de balanço algum dia’”. Todo foi interrompido em 23 de julho de 2011 por um consumo letal de vodca que tirou a vida de Winehouse aos 27 anos, uma idade maldita, e a transformou em lenda. Através de suas fotografias, Wood quer que todos descubram a pessoa que ele conheceu e apreciem “essa luz, essa luz brilhante e amorosa” que só uns poucos puderam ver em Amy Winehouse.

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